Adversários abusam da boa fé para criar terrorismo, afirma Lula

Em comício na zona leste de São Paulo, presidente diz que críticas a Dilma demonstram 'falta de caráter e hombridade' dos rivais

Matheus Pichonelli, iG São Paulo |

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou nesta sexta-feira, em comício na zona leste de São Paulo, que as críticas sofridas pela candidata à sucessão, Dilma Rousseff (PT), demonstram “falta de caráter” e de “hombridade” dos adversários, que, segundo ele, abusam da “boa fé do povo para criar terrorismo”.

Assim como já havia feito em discurso na véspera, Lula centrou sua fala em uma suposta perseguição já sofrida por ele em eleições anteriores para afirmar que as críticas recebidas pela petista, intensificadas na reta final do primeiro turno, são resultado, segundo ele, do preconceito contra uma candidata mulher. Para Lula, o preconceito é um “problema crônico” existente em São Paulo.

“Eu não tenho tempo de ver a propaganda na televisão. Não tenho tempo de ficar olhando internet. Mas hoje eu consegui ver o programa na televisão. E queria dizer aqui em São Paulo, para a imprensa anotar, que é uma vergonha a campanha do nosso adversário em ataque à companheira Dilma Rousseff”, afirmou o presidente. “É uma vergonha o preconceito contra mulher. É uma vergonha os ataques e os preconceitos contra a Dilma na internet. É uma vergonha o que eles estão fazendo numa campanha, mentindo e difamando, na perspectiva de que o povo acredite nas mentiras e que eles possam ganhar as eleições”.

Em vantagem estreita em relação ao adversário José Serra , a apenas duas semanas das eleições, a campanha de Dilma tem se esforçado para afastar do palanque notícias relacionadas ao posicionamento da candidata em relação a temas polêmicos, como a legalização do aborto. Isso acontece após lideranças religiosas usarem declarações feitas pela ex-ministra antes do início da campanha para não recomendar o voto na petista. Em discurso feito no mesmo dia, Dilma afirmou que é vítima de uma “central de boatos” montada para atingi-la.

Para fugir da polêmica, Dilma enviou carta a lideres religiosos negando a intenção de promover mudanças na lei do aborto – hoje permitido, por exemplo, em casos de estupro. Ela levou ao palanque também pastores evangélicos e padres da Igreja Católica, que antes da chegada de Lula fizeram testemunho em favor da candidata.

Segundo a campanha petista, a ideia é demonstrar que boa parte das igrejas não aceitou o fato de algumas lideranças falarem em nome das instituições contra a petista. Um dos religiosos presentes no evento, o padre Júlio Lancelotti, da pastoral da criança, afirmou, por exemplo, que era preciso combater o “demônio das mentiras”. Segundo ele, Dilma estava sendo alvo de calúnia e difamação. Antes dos discursos, líderes cantavam e invocavam Deus no palanque.

Lula fez menção rapidamente à questão religiosa ao afirmar que parte do preconceito contra sua candidata parte do “submundo da religião”. Ao falar que também já foi alvo de preconceito, Lula afirmou que ele também ouvia adversários acusações como a de que era a favor do aborto e que fecharia igrejas caso eleito.

“Eu vivi isso até que de tanto eles mentirem o povo resolveu, em 2002 dizer: ‘chega’. E era contra o Serra. Foi exatamente contra o teu adversário que esse povo gritou ‘chega, chega de mentira contra o nordestino igual a nós’”, disse, para uma plateia formada majoritariamente por imigrantes, na Praça do Forró, em São Miguel Paulista.

Lula terminou a fala fazendo um trocadilho com o nome do adversário. “Nós, eu e Dilma, que passamos oito anos para fazer Brasil subir ladeira acima, não podemos permitir que o Brasil desça serra abaixo.”

Menos categórica, Dilma, em sua fala, evitou o abordar tema religioso. Preferiu atacar os adversários, que, segundo ela, pretendem privatizar a exploração do pré-sal.

O discurso foi feito ao lado do coordenador –geral da Federação Única dos Petroleiros (FUP), João Antônio de Moraes. “Nós valorizamos os trabalhadores (da Petrobras), e descobrimos o pré-sal, aquela riqueza que tá lá no fundo do mar”, disse, para em seguida completar: “Nós valorizamos as pessoas. Isso é a principal diferença entre nós e meu adversário”.

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