Adoraria ser herdeiro dos votos da Marina, diz Serra

Candidato tucano diz que Lula chamava o que hoje é o Bolsa Família de "bolsa esmola" e repete que vai ampliar o programa

Nara Alves, iG São Paulo |

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Serra participa da sabatina
O candidato tucano à Presidência, José Serra, disse hoje que gostaria de contar com o apoio dos eleitores da candidata à Presidência pelo PV, Marina Silva, em um eventual segundo turno. "Eu adoraria ser o herdeiro (dos votos de Marina Silva)", afirmou.

Questionado se há um acordo informal com a candidata verde, Serra negou. "Eu até que toparia uma tabelinha, mas não tem", disse. Serra justificou a aproximação entre o PSDB e o PV em alguns Estados dizendo que sempre teve afinidade com a questão ambiental. O tucano elogiou o candidato verde ao governo do Rio de Janeiro, Fernando Gabeira, e afirmou acreditar que a aliança no Estado vai se manter.

Serra participou na manhã desta segunda-feira de sabatina promovida pelo jornal Folha de S.Paulo e o portal UOL no teatro Folha, no Shopping Pátio Higienópolis, na capital paulista.

Bolsa Família

Serra atacou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva ao lembrar que o PT chamava o que era o embrião do programa Bolsa Família no governo anterior, de Fernando Henrique Cardoso, de "bolsa esmola" antes de ser eleito. A afirmação foi feita em resposta ao jornalista Fernando Rodrigues, que questionou o candidato sobre declarações feitas por aliados do tucano criticando o programa federal.

"Você lembra o que o Lula falou antes de ser presidente? O PT chamava de bolsa esmola", disse, referindo-se ao embrião do programa no governo anterior, de Fernando Henrique Cardoso. Segundo Serra, as críticas de seus aliados sobre o mau uso do Bolsa Família pelo governo não significa que, se eleito, irá acabar com o programa.

O canditato atribuiu a informação de que ele acabaria com o Bolsa Família a mentiras espalhadas "por de baixo dos panos" e por meio da internet. "É um método terrorista, não violento, mas é terrorista", diz.

Suposto dossiê

O tucano voltou a cobrar um pedido de desculpas da pré-candidata petista à Presidência, Dilma Rousseff, pelas denúncias de montagem de um suposto dossiê contra sua candidatura. Sem citar o nome de Dilma, o tucano sugeriu um pedido de desculpas hipotético. Ele disse que sua concorrente deveria admitir que houve um erro na campanha e afastar os responsáveis.

Durante gravação do programa Roda Viva, da TV Cultura, anteontem, ele novamente atribuiu a Dilma a fabricação do documento. "Não sei se ela (Dilma) tinha (conhecimento), mas ela é responsável", disse. O programa vai ao ar hoje, a partir das 22 horas.

Bricadeira sobre vice

Sobre a escolha de seu vice, Serra voltou a afirmar que a decisão será tomada até o fim do mês. Ao ser questionado sobre o nome que ocupará a vaga, o candidato brincou. "Eu também tenho uma enorme curiosidade. O Fernando Henrique é que gosta de vice que fala pouco", disse. Um dos nomes mais cotados para ocupar a vaga é o do presidente do PSDB, o senador Sérgio Guerra, coordenador da campanha e um dos principais porta-vozes de Serra.

AE
Aliados acompanham Serra em sabatina
Reforma previdenciária

Serra sugeriu criar um sistema de previdência para “quem está nascendo ou com 10 anos de idade”. A proposta é começar um sistema totalmente diferente para pessoas dessa idade sem mexer com nenhum direito adquirido. Segundo ele, essa ideia não vingou na Constituinte, mas seria um bom começo de reforma da previdência.

Ele voltou a criticar a política econômica do governo federal, mas evitou criticar a decisão do presidente Lula em aprovar o reajuste de 7,7% para os aposentados. "Quem está lá (no governo) tem o domínio dos números. Eu disse desde o início que iria respeitar a decisão que tomassem", afirmou.

Aliados em peso

Sentados na primeira fila do auditório, os principais companheiros de chapa do presidenciável acompanharam a entrevista. Estão presentes o candidato tucano ao governo de São Paulo, Geraldo Alckmin, seu vice, Guilherme Afif Domingos (DEM), o prefeito Gilberto Kassab (DEM), os candidatos ao Senado Orestes Quércia (PMDB) e Aloysio Nunes Ferreira (PSDB), o presidente do PPS, Roberto Freire, o secretário do Meio Ambiente de São Paulo e um dos coordenadores da campanha de Serra, Xico Graziano, o deputado e coordenador da campanha de Alckmin, Sidney Beraldo (PSDB), além dos vereadores tucanos Floriano Pesaro e Mara Gabrilli. O rabino Henry Sobel também marcou presença na sabatina.

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