Acho que esta eleição é a última do Lindinho, diz Lindberg Farias

Eleito ao Senado pelo Rio de Janeiro, ele desbancou o ex-prefeito Cesar Maia na disputa

Ricardo Galhardo, enviado ao Rio de Janeiro |

“Acho que esta eleição é a última do Lindinho”. A previsão é do próprio Lindberg Farias, eleito ao Senado pelo PT do Rio de Janeiro, tirando a vaga do ex-prefeito Cesar Maia - com 99,9% das urnas apuradas, ele obteve 28,7% dos votos. “Já não tem mais aquela histeria de quando eu tinha 28 anos e me elegi deputado, aqueles gritinhos das meninas. Hoje as adolescentes me chamam de ‘tio’”, explicou.

Nascido na Paraíba, o prefeito de Nova Iguaçu, cidade de 1 milhão de habitantes na Baixada Fluminense, Lindberg é personagem de destaque na vida pública brasileira desde 1992, quando liderou o último momento de relevância do movimento estudantil brasileiro.

Futura Press
Aos 40 anos, Lindberg Farias mantém a aura e a silueta da pós-adolescência
Como presidente da União Nacional dos Estudantes (UNE), Lindberg liderou nas ruas a geração dos “cara pintadas”, jovens que ajudaram de forma bem-humorada a derrubar o então presidente Fernando Collor de Mello, acusado de corrupção.

Depois foi eleito deputado federal pelo PC do B, trocou o partido pelo PT e, com o apoio do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que enxerga nele uma liderança em potencial, chegou à prefeitura de uma das maiores cidades do Estado. Nas campanhas e no Congresso ganhou o apelido Lindinho devido ao furor que causava entre as mulheres, pouco habituadas a ver um galã no papel de candidato.

Hoje, aos 40 anos, com os cabelos começando a branquear, Lindberg mantém a aura e a silueta da pós-adolescência, mas tenta criar uma nova persona pública, a do político responsável e maduro, pai de um filho de 15 anos e de uma menina de três meses, mostrados no primeiro programa do candidato na TV.

“Hoje as pessoas me param e dizem: ‘mas como você está com o cabelo branco? Lembro de você novinho’. É como se fosse uma novelinha pessoal. Eles acompanham a minha vida. Falo mais disso até do que das propostas”, disse ele.

A plataforma de Lindberg está baseada na segurança, oportunidades econômicas que o Rio terá com a Copa de 2014 e os Jogos de 2016, além da proximidade com Lula e com a candidata Dilma Rousseff.

Lindberg é casado há 16 anos com Maria Antonia, com quem tem dois filhos. Ela também apareceu no programa inaugural da campanha na TV. Seus assessores fazem questão de dizer que, apesar do ritmo alucinante da campanha, ele não dormiu uma noite sequer fora de sua casa e chegou a modificar a agenda para acompanhar momentos importantes da caçula, Beatriz, como a primeira consulta ao pediatra e a primeira vacina.

Apesar do esforço para enterrar o Lindinho, basta uma rápida passada de olhos na seção “Você com Lindberg”, na página do candidato, para perceber que o sucesso com o público feminino continua. Na grande maioria das fotos ele está abraçado com mulheres. Jovens, coroas, crianças, em grupos, todas sorridentes.

A maioria não costuma passar o sinal vermelho e se contenta com uma foto e um abraço. Outras, mais assanhadas, não perdem a oportunidade. Em uma viagem pelo interior o candidato foi abordado por uma senhora já madura que disparou: “Se eu entro neste buraco não saio nunca mais”.

Frases do tipo “vai fazer um comício lá em casa!” são comuns. Em uma caminhada um homem parou Lindberg e ligou para a mulher. “Fala com ele. Você não vive dizendo que adora ele?”, disse o marido, passando o celular para o candidato.

Apesar de estar acostumado, Lindberg ainda reage ao assédio com um sorriso amarelo e as bochechas vermelhas.

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