Regras do encontro promovido pela Igreja Católica em Brasília impediram confronto direto entre os candidatos

A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) e Universidade Católica de Brasília (UCB) promoveram na noite desta quinta-feira, mais um debate entre os candidatos à Presidência da República. Dilma Rousseff (PT), José Serra (PSDB), Marina Silva (PV) e Plínio de Arruda Sampaio (PSOL) participaram do debate.

As regras do encontro dificultaram o confronto direto, já que nenhum candidato poderia fazer perguntas ao outro. Em função disso, o evento teve um tom morno e não foi marcado por discussões mais acirradas entre os presidenciáveis. Assim, ganharam destaque alguns temas escolhidos pelos próprios organizadores do debate, como a lei da Ficha Limpa e a descriminalização do aborto.

Antes da realização do debate, o iG flagrou a Polícia Federal fazendo uma varredura antibomba no local do debate. A vistoria foi feita a pedido de Dilma, de acordo com confirmação dada por um dos três policiais responsáveis pelo serviço. Antes mesmo de iniciado o confronto, a movimentação na porta do local do debate também era intensa, com direito a protestos de grupos conservadores contra a petista.

 A senadora Marina Silva (PV-AC), que é evangélica e pessoalmente contrária ao aborto, afirmou ter "a vida como princípio". Ela voltou, entretanto, a defender que seja realizado um plebiscito sobre o tema. Dilma, que já havia despertado reações por causa do tema, negou que seja pessoalmente a favor do aborto. Ainda assim, ela voltou a defender que se trata de uma questão de "saúde pública".

"Eu acredito que nenhuma mulher pode ser favorável ao aborto", afirmou a petista. "Mas eu, se eleita presidente, preciso cuidar de milhões de mulheres pobres que fazem uso de métodos absurdos", afirmou Dilma, ressaltando que a afirmação não pode ser confundida com um posicionamento pessoal dela em favor do aborto.

Ficha Limpa

Ao mesmo tempo em que o debate transcorria em Brasília, o Supremo Tribunal Federal (STF) conduzia o julgamento do recurso do ex-governador do Distrito Federal Joaquim Roriz, cuja candidatura esbarra nas regras previstas pela lei da Ficha Limpa. O assunto acabou entrando também no confronto de presidenciáveis. Questionada se permitirá a contratação de políticos com ficha suja em um eventual governo, Dilma respondeu: "Não permitirei. Eu considero esta questão muito séria". A petista disse que a lei é "um avanço para a democracia".

Dilma aproveitou a chance para provocar a oposição e dizer que o governo Lula investigou mais denúncias de corrupção que as administrações anteriores. "Nós não tivemos engavetador-geral da República. Tivemos um procurador-geral da República".

Sem confrontos

Na maioria do tempo, os presidenciáveis aproveitaram as regras e evitaram o confronto direto. No início do debate, por exemplo, Dilma falou sobre desenvolvimento, saúde, proteção da criança e educação. Coube a Serra endurecer um pouco o tom em sua primeira exposição, embora não tenha citado diretamente a petista.  "Este é um bom momento para começar falando de valores. Eu quero dizer que compartilho dos princípios cristãos do ponto de vista de minha vida pessoal e política. Não sou cristão de véspera de eleição ou apenas para ganhar eleitores", disse o tucano, que pregou uma postura ética na política. Segundo ele, se esta fosse a regra, não haveria "tanta mentira".

Ao ser questionado sobre pré-sal, Serra aproveitou para criticar a política do governo na área. Segundo ele, os recursos do pré-sal só serão de fato obtidos dentro de uma década. Dilma, por sua vez, ainda teve a chance de falar de políticas para crianças e jovens. Destacou ainda o crescimento econômico, alegando que o governo tirou milhões de pessoas da miséria.

Além de tratar de temas sociais, o debate inclui ainda discussões como a reforma política. Na contramão de partidos como o PT, Serra posicionou-se contra o financiamento público de campanha. "Financiamento público não vai resolver o que é preciso resolver", afirmou o candidato tucano. "O que precisa é reduzir custo de campanha."

    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.