Nas contas do comando petista, uma diferença de 0,2 pontos percentuais tirou o senador do segundo turno

Em rápido pronunciamento feito no final da noite, o candidato do PT ao governo de São Paulo, Aloizio Mercadante, reconheceu a vitória do adversário Geraldo Alckmin (PSDB) e afirmou que, a partir da manhã de segunda-feira, será um militante da campanha de Dilma Rousseff (PT) à Presidência.

Visivelmente abatido com a segunda derrota consecutiva na tentativa de chegar ao Palácio dos Bandeirantes, o senador evitou responder perguntas dos repórteres que acompanhavam a apuração das urnas na sede da produtora dos programas de rádio e televisão da campanha.

O pronunciamento foi feito ao lado da mulher, Regina, do filho, Pedro, e do comando do PT em São Paulo. A derrota só foi admitida nos últimos instantes da apuração, quando Alckmin contava com pouco mais de 50,5% dos votos válidos.

Ansiedade

Ao longo da noite, o nervosismo tomou conta do QG petista , onde os dirigentes do partido e aliados aguardavam informações sobre o desempenho dos “nanicos” Paulo Bufalo (PSOL) e Mancha (PSTU) – que não tinham os votos contabilizados porque o Tribunal Regional Eleitoral (TRE) de São Paulo ainda não havia chancelado a troca dos candidatos a vice, implicados com problemas na Justiça.

A cada atualização da computação dos votos, mais gente entrava e saía das salas reservadas. No fim, já perto das 23h, uma diferença de 0,2 ponto percentual tirou o senador do segundo turno. O resultado garantiu ao PSDB mais quatro anos à frente do governo paulista. É a quinta vitória seguida dos tucanos no Estado.

Quando soube que a soma do desempenho dos “nanicos” não seria suficiente para tirar a diferença do ex-governador tucano, Mercadante, que tentava conter a ansiedade percorrendo os corredores da produtora, fazendo brincadeiras com jornalistas e assessores, convocou a coletiva para reconhecer o resultado. Em seu pronunciamento, ele classificou o desempenho nas urnas como “vitória política”. Enalteceu o resultado- foram quase oito milhões de votos recebidos - e disse que metade do Estado optou pela mudança; e que a outra metade, preferiu a continuidade da gestão tucana.

Apesar do revés, ele disse comemorar o fato de ter conseguido apontar, na campanha, deficiências do governo tucano, como o que classificou como “abuso” dos pedágios e o sistema de educação. “Colocamos na agenda do Estado alguns temas que vão ficar.”

Mercadante disse que, antes do pronunciamento, havia telefonado para Alckmin para reconhecer a vitória do tucano, e ao presidente Lula, para agradecer o empenho recebido ao longo da sua campanha.

Antes de encerrar, ele colou no peito uma adesivo da campanha da Dilma e prometeu defender nas ruas o projeto do governo Lula, do qual repetiu ter "orgulho" de ter participado. Em seguida, deixou a coletiva acompanhado de assessores, e prometeu convocar uma nova entrevista para fazer um balanço da campanha no dia seguinte.


CQC

O momento mais tenso da noite aconteceu quando o repórter do CQC, Rafinha Bastos, interpelou o candidato, que tentou se desvencilhar das perguntas do humorista. Bastos perseguiu Mercadante até uma sala reservada, e perguntou para o senador por que ele não havia conseguido derrotar um candidato que não chegou sequer ao segundo turno das eleições para a Prefeitura de São Paulo, em 2008. "Não faça isso", pediu Emídio de Souza, prefeito de Osasco e coordenador da campanha de Mercadante, ao ver a situação.

O senador deixou o local sem atender o humorista, que se queixou por ser repecionado, segundo ele, apenas quando os candidatos estão na disputa.

    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.