À espera do 'efeito Dilma', Mercadante pede cuidado com pesquisa

Senador, que está a 34 pontos de rival tucano, reforça campanha com primeira-dama e comemora patamar de 20% alcançado em agosto

Matheus Pichonelli, iG São Paulo |

O senador Aloizio Mercadante (PT) afirmou nesta sexta-feira que é preciso analisar “com cuidado” o resultado da mais recente pesquisa Datafolha que o coloca 34 pontos atrás do tucano Geraldo Alckmin na disputa pelo governo de São Paulo. Embora tenha mostrado crescimento do petista, que subiu de 16% para 20% nas intenções de voto, o levantamento indicou que o reforço do presidente Lula em comícios e na propaganda eleitoral do candidato ainda não foi suficiente para ameaçar o favoritismo do principal adversário, que segue com 54% das preferências do eleitor.

Agência Estado
Mercadante e a primeira-dama Marisa Letícia
Segundo a pesquisa, Mercadante tem avançado, na verdade, sobre eleitores de outros candidatos, como Celso Russomano (PP), que caiu de 11% para 7% das preferências.

“As pesquisas têm que ser analisadas com cuidado. Saíram duas pesquisas. E nas duas estamos crescendo e o candidato do governo está estagnado. Isso é muito positivo”, disse Mercadante.

A cerca de 40 dias da eleição, o senador tem se escorado cada vez mais na imagem do presidente Lula para tentar repetir em São Paulo o desempenho da presidenciável Dilma Rousseff (PT) – que, de acordo com as últimas pesquisas, já ultrapassou José Serra (PSDB) na região. Nesta sexta-feira, Mercadante promoveu uma caminhada na periferia de Carapicuíba, na região metropolitana de São Paulo, ao lado da primeira-dama Marisa Letícia e do anfitrião Netinho de Paula (PC do B), que concorre ao Senado.

O “peso simbólico” de dona Marisa, conforme definição da campanha petista, é estratégico para sinalizar ao eleitor que Lula está empenhado na eleição paulista. Foi a segunda vez que ela participou de caminhada ao lado do senador, que nos últimos sete dias já realizou agenda conjunta com Lula e Dilma (três dias) e Michel Temer (PMDB), candidato a vice-presidente na chapa da ex-ministra.

Desde o início da campanha o PT já havia programado uma intensificação da agenda de Lula e Dilma em São Paulo após o início da propaganda eleitoral gratuita.

Apesar da distância ainda em relação ao adversário tucano, o PT em São Paulo comemorou o fato de um candidato a governador no Estado ter chegado, pela primeira vez, a 20% das intenções de voto antes do fim de agosto. Historicamente, dizem, os candidatos só atingem o patamar na reta final, caso de José Genoíno, em 2002, e do próprio Mercadante, em 2006. Nos dois casos os petistas terminaram a disputa próximos dos 30% dos votos do primeiro turno. “Estamos crescendo mais cedo”, disse Mercadante.

O senador lembrou ainda que nas duas últimas eleições para presidente, em que Lula foi eleito, o PT jamais somou mais votos que o PSDB em São Paulo. Desta vez, segundo o Datafolha, Dilma já tem cinco pontos de vantagem em relação a Serra, que governou o Estado até abril.

O senador diz acreditar que há potencial de crescimento entre os eleitores que dizem votar em Dilma e Alckmin no Estado.

“Se tem 15% de eleitores que querem votar no candidato de Lula e não sabem que a candidata é a Dilma, imagina o meu caso. Não tivemos a mesma exposição da campanha presidencial. A tendência da Dilma será a minha tendência”, disse o candidato, em referência à pesquisa Datafolha que mostra haver 15% de eleitores de Serra que afirmam que “com certeza” vão votar em outubro no candidato apoiado por Lula.

Embora tenha tirado pontos de Russomano, Mercadante disse não acreditar que, a partir de agora, possa se tornar alvo de adversários que tentam ainda levar a disputa paulista para o segundo turno. "As candidaturas que estão postas são de oposição a esse governo que está aí há tanto tempo. Eles sabem que temos que trabalhar para ter um palanque unificado no segundo turno", admitiu o candidato.

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