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Dados do Tribunal Superior Eleitoral apontam que, em 1º de janeiro de 2017, apenas 641 dos 5.568 municípios do País serão comandados por mulheres

Renata Sena vai assumir a prefeitura de Francisco Morato, na Grande São Paulo, para o mandato 2017-2020
Divulgação
Renata Sena vai assumir a prefeitura de Francisco Morato, na Grande São Paulo, para o mandato 2017-2020

O número de prefeitas eleitas caiu de 659, em 2012, para 641, em 2016, segundo dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Em 1º de janeiro de 2017, 11,8% dos gestores que assumirão o comando da prefeitura dos municípios brasileiros serão mulheres .

Por outro lado, o TSE também aponta que, no total das capitais, o número de vereadoras eleitas aumentou de 103, em 2012, para 107 em 2016, enquanto o número de homens na prefeitura dos municípios caiu de 708 para 704. No entanto, em 13 capitais, o número de vereadoras eleitas caiu.

Candidatas

Nas eleições de 2016, o percentual de mulheres que disputaram cargos eletivos ultrapassou 30%. De acordo com o tribunal, a primeira vez que isso ocorreu foi nas eleições municipais de 2012, quando partidos políticos e coligações atingiram o percentual de 32,57% de candidatas.

Segundo o TSE, do total de candidatos a prefeitos e vereadores na eleição de 2016,155.587 (31,60%) eram mulheres e 336.819 (68,40%), homens. Na disputa para os cargos de vereador em todo o País, a proporção foi um pouco maior: 32,79% candidatas. Na disputa majoritária, para prefeito, 12,57% dos candidatos eram do sexo feminino.

Na contagem geral, dos 5.568 municípios brasileiros, 2.963 têm maioria feminina no eleitorado. No entanto, em apenas 24 municípios as mulheres são maioria nas câmaras dos vereadores. Do total, 1.286 municípios brasileiros só tem homens na câmara dos vereadores.

Especialistas defendem mudanças nas leis de cotas e das eleições para aumentar a participação efetiva das mulheres
Rovena Rosa/Agência Brasil - 8.6.16
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Sem investimento

Para a professora de Direito da Fundação Getúlio Vargas (FGV) e mestre em Ciência Política, Luciana de Oliveira Ramos, os partidos mostram se “contentar com pouco” ao cumprir apenas a cota mínima de 30% para candidatas mulheres determinada pela lei. “Há uma enorme barreira de entrada dentro dos partidos políticos por conta do poder das lideranças partidárias, que são majoritariamente masculinas, com isso você limita o acesso ou a participação de candidaturas que poderiam ser inovadoras”, afirmou.

Luciana defende que é necessário uma "oxigenação da politica", com candidatos e candidatas de diferentes perfis. No entanto, afirma que as coligações tendem a seguir os "mesmos padrões da política, desde o século passado, e isso acaba prejudicando a inserção de novas possibilidades".

A presidente do Instituto Paulista de Direito Eleitoral, Karina Kufa, também acredita que a falta de respaldo das coligações e a "fragilidade" da lei de cotas são uns dos principais fatores que contribuem para a baixa participação feminina. "Muitas das candidatas são 'laranjas' ou não recebem tempo de TV por parte do partido, nem o fundo partidário e nem tem uma grande doação de pessoas físicas. E para fazer uma campanha você precisa de visibilidade e de dinheiro", explicou.

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Karina aponta ainda uma questão cultural do País que acaba interferindo nesse quadro. "A gente observa que o homem para obter destaque na politica, basta ser homem. A mulher não, ela tem que ser extremamente qualificada para lutar de igual para igual." A presidente do Instituto Paulista de Direito Eleitoral defende também que é necessário uma maior qualificação da mulher na política, desde as regras eleitorais até o marketing político, para ela se empoderar e conquistar espaço na prefeitura dos munícipios e em outros cargos políticos.

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