Articulador do impeachment, PMDB é o partido com mais candidatos no País

Quase 45 mil pessoas concorrem a cargos de prefeito e vereador pela sigla; PT registrou redução de 40,16% no número de postulantes em todo o Brasil
Foto: Divulgação/PMDB
Para especialistas, força regional do PMDB faz com que a sigla conquiste importância no cenário político nacional

O PMDB, partido do presidente Michel Temer e que e liderou o processo de impeachment contra a ex-presidente Dilma Rousseff (PT), é a sigla com maior número de candidatos nas eleições de 2016. São 44.489 postulantes a cargos de prefeito e vereador em todo o País, o que corresponde a 8,95% do total. O balanço foi feito pelo iG com base em dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

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Os peemedebistas têm 8.740 candidatos a mais do que o segundo colocado no ranking nacional, o PSDB, com 35.749 inscritos. A participação dos tucanos na corrida eleitoral de 2016 equivale a 7,19%. O PMDB possui, portanto, 24,45% mais postulantes do que o PSDB. Em seguida estão PSD (29.421), PP (28.030), PSB (26.998), PDT (26.998), PT (24.271), PR (22.703), PTB (22.636) e DEM (21.950).

O cientista político Rui Tavares Maluf, professor da Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo, avalia que o PMDB possui a força que tem em âmbito nacional justamente pela sua capilaridade regional. “Essa é uma característica que o PMDB apresentou ao longo de todos esses anos de sua existência. Portanto, o fato de terem o maior número de candidatos neste ano não é uma novidade. E provavelmente o partido terá um bom resultado nas urnas”, comentou.

Por outro lado, o especialista pondera que a sigla tem perdido espaço em grandes colégios eleitorais, “aqueles cujo eleitorado tem maior nível de renda e escolaridade, portanto, mais crítico”. As últimas pesquisas eleitorais corroboram a afirmação do cientista político. Levantamento do Ibope divulgado na última quarta-feira (28) mostra que a candidata peemedebista em São Paulo, a senadora Marta Suplicy, tem 16% das intenções de voto, atrás de João Doria, do PSDB (28%); e Celso Russomanno, do PRB (22%). No Datafolha, pesquisa divulgada na última terça-feira (27) aponta que Doria lidera com 30%, seguido por Russomano, com 22%. Marta está em terceiro lugar, com 15%.

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No Rio de Janeiro, segundo levantamento do Ibope divulgado na última quarta-feira, o candidato do PMDB, Pedro Paulo, aparece com 10% das intenções de voto, empatado tecnicamente com Marcelo Freixo (PSOL), Indio da Costa (PSD), Jandira Feghali (PCdoB) e Flávio Bolsonaro (PSC).

O presidente do diretório estadual do PMDB em São Paulo, deputado federal Baleia Rossi, reconhece a dificuldade da agremiação nos grandes centros. “Historicamente, o PMDB tem a sua força nas cidades menores. Isso se deve muito à tradição do partido . Entretanto, também estamos crescendo nos municípios maiores. Aqui em São Paulo, por exemplo, temos muita esperança de que a Marta vá para o segundo turno. Temos pesquisas internas que mostram essa possibilidade.”

O deputado avalia que o partido deve crescer em termos de candidatos eleitos. Para ele, isso se deve, em grande parte, ao aumento da visibilidade de Michel Temer , que foi presidente do partido até o início deste ano. Maluf avalia com cautela a ligação da sigla com o afastamento de Dilma. “Os índices de avaliação de Temer são baixos. Portanto, é cedo para fazer essa avaliação”, ponderou.


Foto: Divulgação/PMDB
Michel Temer presidiu o PMDB nacional até o início do ano; partido acredita que sua imagem irá contribuir nas urnas




"Paradoxo"

O cientista político Marco Antonio Carvalho Teixeira, professor da Fundação Getulio Vargas (FGV) afirma que o PMDB vive um “paradoxo”, justamente por conseguir força nas bases, mas não conseguir converter esse poder no Executivo nacional. “Essa grande participação regional não tem gerado reflexos nacionais. Se tivesse, já teria tido condição de lançar um candidato à Presidência”, analisou.

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Desde a redemocratização do País, em 1985, o PMDB já teve três presidentes da República, mas nenhum foi eleito pelo voto direto. José Sarney assumiu o Palácio do Planalto em 1985, depois da morte de Tancredo Neves, que havia sido eleito por votação indireta. Já Itamar Franco e Michel Temer obtiveram o cargo após o impeachment de Fernando Collor de Mello e Dilma Rousseff, respectivamente.

“Geralmente, o PMDB consegue eleger boas bancadas no Legislativo. Proporcionalmente é um partido grande. Qualquer um que for governar o País depende do PMDB para ter governabilidade”, acrescentou Carvalho Teixeira.

Encolhimento do PT

O PT, que nas eleições de 2012 foi o segundo partido com mais candidatos , teve uma redução de 40,16% no número de postulantes inscritos no TSE e hoje ocupa a sétima posição no ranking nacional. Foi a maior queda entre as agremiações de grande porte. Nas últimas eleições municipais, a sigla lançou 40.563 nomes para disputar os cargos de prefeito e vereador em todo o Brasil. Neste ano, são 24.271.

Para o professor Carvalho Teixeira, a situação é reflexo da crise de imagem do partido, abalado pelas denúncias de corrupção apuradas pela força-tarefa da Operação Lava Jato. “O PT sairá bem menor do que entrou nesta disputa. É interessante observar, inclusive, que em alguns lugares onde o PT sempre teve candidato, como Rio de Janeiro e Salvador, não houve candidatura própria neste ano. Em outras cidades, como Belo Horizonte, o postulante petista [Reginaldo Lopes] não passa dos 6% nas pesquisas.”

O especialista avalia ainda que o PSOL, que surgiu de uma dissidência do PT, deve ocupar parte da preferência do eleitorado de esquerda. “Mas não imagino que o PSOL será a grande novidade destas eleições. Deve continuar sendo um partido mais parlamentar do que executivo.”

Ainda entre os grandes, o maior crescimento proporcional, de 29,07%, foi obtido pelo PSD, sigla criada pelo ex-prefeito de São Paulo Gilberto Kassab, que atualmente é ministro de Ciência e Tecnologia. O número de candidaturas saltou de 22.795 para 29.421. No PMDB, o crescimento foi de 3,71%.

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