Pente-fino realizado pelo TSE em conjunto com o TCU encontrou 38,9 mil doadores suspeitos e verificou irregularidades em 34% das contas analisadas

Agência Brasil

Geraldo Magela/Agência Senado - 24.8.16
"Já tivemos no passado mortos que votavam. Agora, temos mortos que doam", declarou o presidente do TSE, Gilmar Mendes

A Justiça Eleitoral encontrou os primeiros indícios de irregularidades na prestação de contas de candidatos às eleições de outubro. De acordo com levantamento feito em parceira com o Tribunal de Contas da União (TCU), foram identificados 38,9 mil doadores suspeitos e 1,4 mil despesas com indícios de irregularidades. No caso de doações suspeitas, foram encontradas até mesmo doações de pessoas mortas.

Do total de 114,5 mil doações analisadas, 34% apresentaram algum tipo de irregularidade. Também foram alvo do pente-fino do TSE e do TCU os dados de 60,9 mil fornecedores.

De acordo com o presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro Gilmar Mendes, as irregularidades podem resultar na impugnação das candidaturas pelo Ministério Público Eleitoral (MPE). "Nós temos que acompanhar isso com rigor. Já tivemos no passado mortos que votavam. Agora, temos mortos que doam", disse Mendes.

LEIA TAMBÉM:  Comentários de “Fora Temer” dominam página do G20 no Facebook

Os dados fazem parte da primeira lista de indícios de irregularidades encontradas na prestação de contas dos candidatos às eleições de outubro. Neste ano, passou a vigorar nova regra, instituída pela Reforma Eleitoral aprovada no ano passado, na qual os partidos e candidatos são obrigados a enviar à Justiça Eleitoral dados sobre arrecadação e despesas de campanha a cada 72 horas. Com a nova lei, as doações de empresas foram proibidas e foram permitidas somente doações por pessoas físicas, limitadas a 10% do rendimento do ano anterior.

Antes da vigência da nova regra, os dados eram enviados somente três vezes durante a campanha, com duas prestações parciais e prestação de contas finais. Para analisar os dados, o TSE firmou um convênio com o TCU, que vai apresentar relatórios semanais ao tribunal.

LEIA TAMBÉM:  Temer retorna ao Brasil em meio a escalada de protestos contra seu governo

De acordo com o presidente do TCU, Aroldo Cedraz, "há indícios claros de várias irregularidades". "Para vocês terem uma ideia, são 34% de irregularidades que nós estamos verificando, no primeiro momento, em relação aos doadores. Em relação aos fornecedores, 2% de irregularidades. Mas, claro, isso nós iremos passar às mãos do presidente do TSE, que poderá encaminhar esses dados aos juízes eleitorais dos municípios para que possam checar melhor esses dados", disse.


    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.