Em primeiro discurso como presidente reeleita, Dilma Rousseff pede paz e união, e assume compromisso com mudança

O primeiro pronunciamento de Dilma Rousseff como primeira mulher presidente reeleita no Brasil tem tom de conciliação, conclamando a união do País para transformá-lo de forma pacífica e segura. "Estou disposta ao diálogo. Nas democracias mais maduras, a união não significa unidade de ideias, mas abertura e disposição ao diálogo", disse a presidente entre aplausos e gritos de guerra.

O clima pacífico adotado por Dilma era completamente oposto ao que invadiu as redes sociais assim que o resultado da campanha foi divulgado. Para a presidente, a vitória apertada não pode significar um país dividido.

Dilma recebe os parabéns de Lula antes do discurso da vitória
ALAN SAMPAIO/iG BRASILIA
Dilma recebe os parabéns de Lula antes do discurso da vitória

"Não acredito, sinceramente, que essas eleições tenham dividido o Brasil ao meio. Entendo que elas mobilizaram ideias e emoções, às vezes contraditórias, mas movidas por um sentimento comum: a busca de um futuro melhor para o País", disse Dilma. "Em lugar de ampliar um fosso, tenho forte esperança que a energia mobilizadora seja usada para a construção de pontes. O calor liberado na disputa pode e deve agora ser transformado em energia construtiva de um novo momento no Brasil".

Reeleita com 51,62% dos votos, Dilma Rousseff fez as declarações em um hotel a poucos metros do Palácio da Alvorada, residência oficial da presidente em Brasília, onde acompanhou a apuração ao lado de amigos, familiares e lideranças do partido. No palco, ao lado do ex-presidente Lula, do vice Michel Temer e de líderes de outros partidos, Dilma afirmou que resultados apertados sempre produziram mudanças mais fortes para o País do que vitórias muito amplas.

"Minhas primeiras palavras são de chamamento à paz e à união", destacou ela. "Esta presidenta aqui está disposta ao diálogo e é esse o meu compromisso no segundo mandato: diálogo. Alguns resultados apertados produziram mudanças mais fortes e mais rápidas do que vitórias muito amplas".

Com a voz rouca, Dilma chegou a pedir silêncio por várias vezes para conseguir chegar ao final do discurso. Militantes pediram que ela repetisse os pulinhos que viraram marca do final da campanha enquanto os participantes dos comícios gritavam: "quem não pula é tucano". Dilma, no entanto, ignorou os pedidos.

A presidente ainda disse que tem o compromisso de fazer o que chamou de "reforma das reformas", ou seja, a reforma política. Ela ainda manifestou o desejo de propor mudanças na legislação atual para combater a impunidade que, segundo ela, é a "protetora da corrupção".

Veja imagens de Dilma Rousseff durante a campanha:

"Terei um compromisso com o combate à corrução, fortalecer as instituições de controle, propondo mudanças na legislação atual para acabar com a impunidade que é a protetora da corrupção", falou em seu discurso.

Dilma ainda exaltou o ex-presidente Lula: "Faço um agradecimento do fundo do meu coração a um militante número um das causas do povo e do Brasil: o presidente Lula".

Ela afirmou ter entendido a reeleição como um recado das urnas para que faça mudanças no governo. "Quando uma reeleição se consuma, tem de ser entendida como um voto de esperança dado pelo povo na melhoria do governo. Quero ser uma presidente muito melhor do que fui até agora".

"Toda eleição tem que ser vista como uma forma pacífica e segura de um país fazer as mudanças. Toda eleição é uma forma de mudança, principalmente para nós que vivemos em uma das maiores democracias do mundo."

LEIA MAIS:

Dilma promete Brasil da mudança com continuidade e avanço social

Pezão é eleito governador do Rio de Janeiro


    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.