Com vitórias em 1º turno, Belo Horizonte e Recife viram vitrines para 2014

Capitais como São Paulo abrem contraponto do PT para pavimentar a estratégia para a próxima disputa presidencial

iG São Paulo | - Atualizada às

As vitórias em primeiro turno de candidatos do PSB deverão transformar Belo Horizonte e Recife em duas das principais vitrines para a corrida presidencial de 2014. Na capital mineira, Márcio Lacerda levou com 52,69% dos votos válidos, apoiado pelo senador Aécio Neves, um dos nomes fortes do PSDB para a disputa nacional. No Recife, Geraldo Júlio (PSB), apadrinhado do governador e presidente do PSB, Eduardo Campos, deixou para trás os rivais de PSDB e PT, com mais de 23 pontos percentuais de vantagem. 

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O PSB hoje faz parte da base de apoio do governo em âmbito federal, mas Campos vem costurando alianças para uma eventual candidatura em 2014. Havia a esperança no PT de que, ao menos em Belo Horizonte, o candidato Patrus Ananias, ex-ministro do Desenvolvimento Social no governo Lula, poderia ir ao segundo turno. A chance se tornou tão palpável que mesmo tendo a intensão de não se envolver nas eleições municipais em cidades onde houvesse disputa do PT com partidos da base aliada, a presidenta Dilma Rousseff visitou a cidade para apoiá-lo. Terminou com 40,8%.

No Recife, desde o início, o cenário era mais complicado. A cidade é governada pelo petista João da Costa. Mas o prefeito, em um racha com Maurício Rands nas prévias, acabou não sendo indicado à reeleição e teve que engolir a imposição de Humberto Costa, candidato apoiado por Lula. O ex-presidente prometeu estar presente no palanque do candidato à prefeitura do partido em Recife, mas acabou se concentrando em São Paulo. Dilma, da mesma forma, se manteve afastada da disputa na capital pernambucana. Costa terminou em terceiro lugar corrida eleitoral, com apenas 17,43% dos votos válidos.

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Divulgação
Eduardo Campos e Aécio Neves entram no xadrez para a eleição presidencial

Por ora, o tom dos discursos é de conciliação e colaboração. Como parte da base aliada atual do governo Dilma, Campos preferiu minimizar o impacto da vitória de seu candidato no  Recife. À coluna Poder Online, afirmou na noite deste domingo que 2014 ainda está muito distante . Aécio Neves, livre de amarras, não falou sobre possíveis dificuldades que a cidade poderá ter no relacionamento com o governo federal nos próximos anos, por causa da disputa política. Mas Lacerda, quando questionado sobre o assunto, disse que não deve haver oposição, “como não houve ao governo ( Geraldo ) Alkmin nem ao governo ( Antônio ) Anastasia” – em referências aos governadores de São Paulo e de Minas Gerais.

A eleição em Minas Gerais, ao menos, foi uma disputa na qual o PT, de certa forma, pisou em ovos. Em 2008, Lacerda se elegeu pela primeira vez em uma aliança que envolvia, além de PSB e PSDB, o próprio PT. O rompimento aconteceu porque o PSB decidiu não fazer uma coligação proporcional na capital. Restou ao partido lançar candidato próprio, mas sem poder criticar diretamente o governo atual, do qual fazia parte inicialmente.

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Aécio, por outro lado, aproveitou a disputa para bater. Chamou Dilma, que é mineira, de “estrangeira” em Minas Gerais, o que irritou a presidente, e usou o mensalão como gancho para dizer que o PT “trata recursos públicos como se fossem seus”.

LEO FONTES/O TEMPO/AE
Com rompimento de aliança com PT, Aécio colou na campanha de Lacerda

O trunfo do PT, no entanto, é a ida de Fernando Haddad para o segundo turno em São Paulo. Uma eventual vitória do partido na cidade poderá servir de base para uma gestão de contraponto. Praticamente um desconhecido para os paulistas, Haddad iniciou o período de propaganda eleitoral com menos de 10% das intenções de voto e chegou, com o franco apoio de Lula e Dilma, a 29% dos votos válidos. Na prática, uma diferença de cerca de 100 mil votos para José Serra, do PSDB, que terminou à frente na disputa, com 30,75% dos votos válidos.

A vitória de Eduardo Paes (PMDB), no Rio de Janeiro, também pode servir de moeda ao PT, que vai para o segundo turno com o PSB ainda em Fortaleza (CE) em Cuiabá (MT). O partido preferiu ficar de fora da disputa para não entrar em conflito com o PMDB, que faz parte da base aliada, e poderá atribuir parte de uma eventual gestão bem avaliada do Rio de Janeiro ao apoio recebido da presidente Dilma Rousseff e do ex-presidente Lula.

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