Prefeito Eduardo Paes vira alvo de adversários em debate morno no Rio

Freixo e Rodrigo Maia se unem contra líder das pesquisas e o atacam usando avaliações federais negativas da Saúde e da Educação no município

Raphael Gomide - iG Rio de Janeiro | - Atualizada às

O debate dos candidatos à Prefeitura do Rio de Janeiro foi marcado por críticas dos candidatos de oposição ao atual prefeito, Eduardo Paes (PMDB), que se viu atacado pelos rivais, enquanto esses evitavam questionar de forma mais dura os adversários, frequentemente fazendo perguntas brandas que serviram de “escada” para pôr Paes em situação de defesa.

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O candidato à reeleição é o líder das pesquisas e ganharia a disputa no primeiro turno. Na última enquete registrada, do Datafolha, Paes teve 54% das intenções de voto, contra 10% do deputado estadual Marcelo Freixo (PSOL), 6% dos deputado federal Rodrigo Maia (DEM), 4% do federal Otávio Leite  (PSDB) e 1% da deputada estadual Aspásia Camargo (PV).

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Candidatos fazem debate morno no Rio de Janeiro

Embora o encontro tenha tido momentos de atrito e acusações, porém, não chegou a haver bate-boca nem tensões mais intensas entre os candidatos. Com cinco interlocutores alternando-se na fala, o debate foi morno.

As principais áreas do governo criticadas por Marcelo Freixo (PSOL), Rodrigo Maia (DEM), Otávio Leite (PSDB) e Aspásia Camargo (PV) foram a saúde, o transporte urbano, educação e a suposta desvalorização do servidor público.

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Com base em avaliações federais, os dois assuntos mais destacados pelos adversários foram o mau desempenho do Rio em análise do Ministério da Saúde e no Ideb (Índice de Desenvolvimento da Educação Básica), em contraposição à verba publicitária de R$ 90 milhões anuais.

“É política de promoção pessoal, gasto abusivo e desnecessário. É o uso de dinheiro público para interesse privado”, disse Freixo, segundo quem o montante teve aumento de 13.700% em relação ao prefeito anterior, Cesar Maia. “Enquanto isso, a cidade tem o pior atendimento de saúde do Brasil e nota 3,6 no Ideb”, disse o candidato do PSOL, segundo quem 84% das escolas municipais têm laboratório de informática, mas só 12% acesso internet.

“A saúde do Rio é uma emergência. Os dados são os piores do Brasil. Não sou eu que estou dizendo: é o governo federal, aliado da prefeitura. A prefeitura vai terminar o ano gastando R$ 2,4 bilhões em Organizações Sociais. É dinheiro mal aplicado”, disse Maia.

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Ao criticar a Educação, Maia chegou a protestar contra o fato de que a secretária de Educação do Rio, Cláudia Costin, não ser carioca. “Colocaram uma paulista na educação!”

Paes disse que não responderia ponto a ponto as acusações dos adversários, mas afirmou que a nota do Ideb se devia, em parte, ao fato de que extinguiu a aprovação automática, que compõe a avaliação do Ministério da Educação.

Para o prefeito, “a cidade está evoluindo” e a nota do próximo Ideb já deve refletir isso. Ele afirmou que contratou 16 mil professores “para acabar com o déficit de 7.500 professores”, reduziu à metade a evasão escolar de 12% e dobrou as vagas em creche, abrindo 30 mil em seu mandato, “o mesmo que todos os prefeitos anteriores”. Conforme o prefeito, o salário do professor foi recuperado, e instituídos o 14º e o 15º salários, se atingida evolução no Ideb.

Rodrigo Maia defendeu com constância um grupo fiel ao pai, o ex-prefeito Cesar Maia, o servidor municipal, propondo a valorização dos servidores, “com plano de carreira, aumento salarial todo ano”. Ele também prometeu acabar com a “falta de creches” e ampliar o seu horário de atendimento.

De acordo com Freixo, o TCM (Tribunal de Contas do Município) identificou a formação de cartel na licitação para as empresas de ônibus. “O endereço dos consórcios é o mesmo, o CNPJ foi aberto no mesmo dia; a conta aberta no mesmo banco e no mesmo dia.”

Segundo Paes, foi feita a primeira licitação de empresas de ônibus em décadas e quatro consórcios assumiram as áreas da cidade. O prefeito lembrou ter instituído o bilhete único na cidade, que beneficiaria 350 mil pessoas, além de ter construído corredores exclusivos para ônibus. Ele promete aumentar de 18% para 60% o percentual da população que usa transporte de alta capacidade.

Os rivais também procuraram associar Paes ao governador Sérgio Cabral, recentemente envolvido apareceu jantando com o ex-dono da Delta Construções S.A., Fernando Cavendish em restaurantes de luxo em Paris, França. O prefeito evitou a comparação e só citou o aliado uma vez, na última fala, ao tratar da união do município com os governos do Estado e federal.

Houve tempo para farpas e “indiretas”. Referindo-se a Freixo, ex-morador da cidade vizinha Niterói, o prefeito disse que “mora há muito tempo na cidade do Rio”.

Freixo também criticou o ex-prefeito Cesar Maia, pai de Rodrigo Maia, ao dizer que a milícia chegou a ser vista como um “mal necessário”, e que “ajudou a eleger muito prefeito, inclusive no Rio”. Também ironizou Paes, ao falar sobre a necessidade de expandir os metrôs no Rio.

“Você sabe disso: vocês do PMDB viajam muito. Se for a Paris, a Londres vai ver que a maior parte do transporte não é feito por ônibus, mas por metrô.”

Otávio Leite e Aspásia Camargo evitaram as críticas a Paes e buscaram focar suas falas em propostas para o meio ambiente. Aspásia criticou a Comlurb, empresa de limpeza pública do Rio, por fazer muito pouca coleta seletiva. Só 1% do lixo do Rio seria coletado seletivamente. Ela e Otávio leite atacaram a poluição constante das praias da cidade, que passariam mais da metade do ano impróprias. A candidata do PV chamou de “falso” o programa de despoluição da Baía de Guanabara.

Paes respondeu lembrando que fechou o “Lixão de Gramacho”, definido por ele como “um crime ambiental” e prometeu “olhar para a coleta seletiva” em um segundo mandato.

O candidato tucano começou trazendo para o debate o tema do Mensalão. Segundo Otávio Leite, esta quinta-feira é um dia histórico, por causa do julgamento do caso pelo Supremo Tribunal Federal. “Que o STF puna todos os que praticaram essa violência contra a democracia e instalou uma máfia no Palácio do Planalto.”

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