No primeiro debate, aliança PT-Maluf e Kassab são alvo

Em debate morno e com poucos embates, José Serra evita ataques, enquanto Chalita e Russomanno se apresentam como terceira via

Bruna Carvalho - iG São Paulo |

Em debate morno, com poucos ataques e no qual o tema transporte público dominou a discussão de propostas, o petista Fernando Haddad viu sua aliança com o PP de Paulo Maluf confrontada, assim como teve que responder sobre o peso do julgamento do mensalão na campanha. O atual prefeito, Gilberto Kassab (PSD), que ficou na plateia até o fim do terceiro bloco , foi alvo das principais críticas dos candidatos da oposição.

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O momento mais constrangedor para o petista em relação à aliança Haddad-PP – selada com uma visita do ex-presidente Lula à casa de Maluf – se deu após a pergunta de Soninha Francine (PPS) para Celso Russomanno  (PRB). "Você faria uma aliança com Maluf por um minuto e meio de TV?". Ao que ele respondeu: "De jeito nenhum. O que eu passei na mão desse cidadão ninguém quer passar".

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O candidato petista também foi questionado duas vezes, uma por Carlos Gianazzi (PSOL)  e outra pelo jornalista Rafael Colombo, da Bandeirantes, sobre o mensalão , cujo julgamento começou nesta quinta-feira. Como resposta, se disse orgulhoso de sua participação nas administrações de Marta Suplicy (PT), Lula e Dilma e afirmou que, com o PT na gestão federal, as instituições funcionam melhor.

"Eu acredito nas instituições fortalecidas pelo presidente Lula. Hoje, o STF funciona como nunca funcionou", disse.

Ataques a Kassab

As críticas à atual gestão foram feitas, principalmente, acerca das denúncias contra a Secretaria de Habitação, cujo um ex-servidor, Hussein Aref Saab , foi destituído do cargo por pedir propinas milionárias para liberar alvarás a prédios e construções na cidade.

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"A gente vê o anúncio de que vai fechar um shopping por dia. Quer dizer, uma pessoa corrupta foi retirada e agora a culpa é dos shoppings, que geram empregos em São Paulo. Há uma máquina da desonestidade", afirmou Chalita.

No primeiro bloco, quando o debate foi sobre a área da saúde, José Serra se concentrou em citar suas realizações na área, durante sua gestão e na de seu principal aliado, Gilberto Kassab. Ao tomar a palavra, Haddad reagiu com mais críticas a atual gestão. "Pretendemos entregar os hospitais prometidos e não entregues por essa gestão", disse.

Kassab, que quando foi chamado de "inepto" por Levy Fidelix, caiu na risada, deixou o debate ao fim do terceiro bloco, dizendo, segundo a Coluna Poder Online, que procuraria os cinco hospitais que Haddad afirmara que tinham sido feitos .

AE
O atual prefeito Gilberto Kassab (PSD) compareceu ao primeiro debate entre os candidatos à Prefeitura de São Paulo

Terceira via

Gabriel Chalita (PMDB) e Russomanno se esforçaram para ocupar uma terceira via à Prefeitura, afirmando que têm trânsito livre no governo federal petista e no governo estadual tucano, sem deixar de criticar os dois governos.

"Eu quero ser o prefeito da parceria com o governo do Estado, do qual eu já fui secretário e com o governo federal, no qual o vice-presidente é do meu partido", afirmou Gabriel Chalita ao responder ao candidato Levy Fidelix sobre a negociação da dívida da capital paulista.

"O bom trânsito com todos os partidos pode ajudar São Paulo", afirmou Russomanno em outro momento.

Serra e Fidelix

José Serra (PSDB), líder nas pesquisas de intenção de voto, por sua vez, evitou ataques. Suas críticas mais pontuais foram sobre a taxa do lixo, criada na gestão Marta Suplicy (PT).

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"A taxa do lixo não foi substituída por nada. A taxa do lixo foi uma aberração que foi feita pelo PT. A cidade foi deixada em péssima situação financeira apesar dos impostos. Não é o caso de remoer o passado, mas é bom lebrar essas coisas quando a gente faz comparações", disse Serra.

No restante do tempo, ele se concentrou em exaltar suas realizações no comando do governo estadual e municipal, em especial na área do transporte público.

Para isso, contou com o apoio de Levy Fidelix (PRTB), que por duas vezes levantou a bola para o tucano, ao elogiar o monotrilho - segundo ele, uma versão do seu famigerado aerotrem.

"Você tem ideias arejadas para São Paulo", disse Serra ao candidato do PRTB.

Sobre o elogio, ao final do debate, Fidelix afirmou que os candidatos "querem copiar" suas ideias e que, apesar do maior teto para despesas de campanha, falta criatividade a seus rivais. Levy Fidelix tem 1% da preferência do eleitorado, segundo a última pesquisa Datafolha.

"Acho que Serra me viu como superior aos projetos que ele mesmo apresenta. Eles (tucanos) me copiaram no aerotrem, me copiaram no anel viário, que mudaram de nome e chamaram de rodoanel. É uma falta de criatividade até dos marketings dos candidatos."

Agência Estado
José Serra fez um ataque pontual em todo o debate eleitoral - à taxa do lixo, implantada na gestão petista



Fora do microfone

Chalita provocou a irritação de Serra ao dizer que a maioria das escolas de tempo integral criadas no governo Alckmin, quando o candidato do PMDB era secretário da Educação - foram fechadas posteriormente. Longe do microfone, o ex-governador chamou Chalita de mentiroso. Questionado sobre a acusação, o peemedebista revidou: "Ele deveria ter dito isso no microfone. Eu, quando digo, digo na frente”.

Russomanno e Cachoeira

Ao final do debate, o candidato Russomanno negou aos jornalistas que tivesse relações com a quadrilha comandada por Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira. Era esperado que essa questão surgisse no debate, o que não aconteceu.

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Segundo o jornal Correio Braziliense, Russomanno foi citado em um diálogo entre integrantes da organização criminosa como sendo detentor de R$ 7 milhões de uma conta operada pela quadrilha. 

"Isso daqui é a sujeira da política brasileira, o lixo da política brasileira, o esgoto da política brasileira . Eu quero saber qual foi o partido político que tem o interesse de desmoralizar minha candidatura", afirmou, sem citar suspeitas. "Esse jornalista vai responder criminalmente por isso", ameaçou.

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