Candidatos à prefeitura de São Paulo fazem 1º debate na TV

Administração de Kassab, mensalão, alianças eleitorais educação e mobilidade são os principais temas discutidos nesta noite

iG São Paulo | - Atualizada às

O primeiro debate ao vivo da corrida eleitoral em São Paulo começou com o tema saúde. Os candidatos José Serra (PSDB), Celso Russomanno (PRB), Fernando Haddad (PT), Gabriel Chalita (PMDB), Paulinho da Força (PDT), Soninha Francine (PPS), Levy Fidelix (PRTB) e Carlos Gianazzi (PSOL) responderam no primeiro bloco do programa transmitido pela rede Bandeirantes na noite desta quinta-feira, dia 2, à uma mesma pergunta enviada por um internauta: "Quais as propostas para tornar mais eficiente, melhorar a qualidade e ampliar o atendimento dos hospitais e postos de saúde?, em um minuto e meio. A questão foi sorteada no início do debate.

AE
Oito candidatos se reúnem pela primeira vez para debate em São Paulo



Os candidatos discordaram sobre a construção e inauguração de hospitais. Gianazzi, o primeiro a falar, começou criticando o atual prefeito Gilberto Kassab (PSD), que não teria cumprido a promessa de construir 3 hospitais. Serra, na sua vez, rebateu e afirmou que, em 17 anos de outras administrações, não se fez nenhum hospital. "Na minha e do Kassab, foram construídos cerca de 2 hospitais", acrescentando ainda que o número de leitos aumentou em 1700. Já Haddad afirmou que a saúde é um dos temas mais críticos para a cidade de São Paulo, que evoluiu pouco. Segundo ele, em uma única administração petista foram inaugurados 5 hospitais e a atual administração tem que entregar as unidades prometidas.

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No segundo bloco , os candidatos escolheram um oponente para fazer uma pergunta em um minuto. Foi concedido um minuto e meio para a resposta, assim como para a réplica, e um minuto para a tréplica. 

Na primeira pergunta do bloco, Paulinho da Força questionou José Serra sobre a distribuição geográfica dos empregos pela cidade de São Paulo, alegando que cerca que 75% deles estão no centro da cidade. José Serra destacou as obras de integração do governo do estado, como o trecho Sul do Rodoanel, e defendeu a criação de um polo tecnológico em Itaquera, Zona Leste da cidade, para a transição de empresas para a região.

Gianazzi questionou Fernando Haddad sobre sua aliança com Paulo Maluf (PP) e sobre sua a estratégia para o combate à corrupção, citando o caso do mensalão. "Parece que vocês (o PT) não aprenderam e fizeram uma aliança com o Maluf", questionou. Tucanos presentes na plateia riram após a menção ao mensalão, considerado o maior escândalo do governo Lula. Haddad defendeu-se afirmando que suas alianças são baseadas em partidos. "Procurei uma aliança com todos os partidos da base aliada do governo. Quero replicar na cidade de São Paulo o êxito do governo Dilma e do governo Lula", afirmou.

Em seguida, Levi Fidelix questionou Gabriel Chalita sobre suas propostas para o pagamento da dívida pública da prefeitura, de cerca de R$ 66 bilhões. Fidelix arrancou gargalhadas da plateia dizendo que o candidato peemedebista seria "incompetente" após sua resposta de que renegociaria a dívida com o governo central.

Questionada por Haddad sobre o transporte público, a candidata do PPS Soninha defendeu iniciativas como o "fura-fila", terminado na atual gestão da prefeitura, e criticou a desoneração dos automoveis promovidas pelo governo federal. "A gente não pode dizer 'vocês tem que comprar carro'", afirmou.

Para Gianazzi, Soninha perguntou quais as propostas do candidato para educação, que defendeu a aplicação de 10% do PIB brasileiro na educação. "Não vamos quebrar o Estado, nós vamos quebrar a ignorância e o subdesenvolvimento", disse Gianazzi.

Perguntando para Russomanno, Chalita citou a dificuldade do empreendedor em abrir seu prórpio negócio. O candidato do PRB afirmou que incentivará o desenvolvimento das "pontas" da cidade, bairros populosos e afastados, mas sem presença do comércio. Russomanno também criticou a "máquina de corrupção" que se instalou na prefeitura e que, recentemente, se virou contra os shoppings centers.

Serra questionou Fidelix sobre seus planos para o transporte público. O canditado do PTBR agradeceu Serra por "jogar uma bola muito boa nas minhas mãos", em referência a um do seus mais famosos projetos de governo, o "aerotrem", arrancando risadas da plateia, defendendo a decentralização de grandes "gargalos" da cidade, como o Terminal Tietê, o CEAGESP e o Aeroporto de Congonhas.

Na última pergunta do bloco, Russomano discutiu com Paulinho da Força sobre a questão da segurança pública da cidade. Ambos defenderam investimentos na guarda civil metropolitana.

No terceiro bloco , jornalistas da Band questionaram os candidatos. Novamente, Serra e Haddad compararam administrações. Ao responder pergunta sobre impostos, Serra prometeu que não vai criar nenhum novo tributo e disparou: "Eliminamos a malfadada taxa de lixo" (criada na asministração de Marta Suplicy, do PT). Depois, complementou: "É uma aberração criada pelo PT). Haddad, por sua vez, defendeu que a troca pela taxa do lixo pela taxa do carro não foi boa e prometeu acabar com a cobrança, mantendo apenas a inspeção veicular. 

O tema mensalão apareceu novamente. Perguntado sobre se o julgamento era um peso para a campanha, Haddad disse que embora essa seja sua primeira eleição, já trabalhou em três administrações - Marta, Lula e Dilma - e defendeu qualidades desses governos.

Chalita teve sua chance de defender sua gestão como secretário de Educação no governo Alckmin. Segundo o candidato, criou 500 escolas de tempo integral, que depois foram fechadas por Serra. O ex-secretário defende o sistema para "cuidar da criança o dia todo" e dar as mesmas oportunidades das crianças ricas para as pobres. Russomano engrossou as críticas à educação de Serra ao desqualificar o sistema de progressão automática nas escolas públicas, responsável, segundo ele, por fazer com que os jovens não estejam aprendendo e não tenham condições de competir com alunos de colégios particulares.

O combate ao crack foi tema de respostas de Soninha e Paulinho da Força. O candidato do PDT criticou o tratamento aos drogados com força policial, em alusão a ação do governo atual na cracolândia. Soninha defendeu uma ação combinada da assistência social, saúde e segurança pública para enfrentar o problema.

No quarto bloco , novamente os candidatos fizeram perguntas uns para os outros, assim como o segundo bloco.

Em pergunta para Gianazzi, Russomanno abordou o tema da educação, criticando o dinheiro gasto pela gestão Kassab com os projetos que nunca sairam do papel e o fechamentos escolas noturnas pela prefeitura.  Gianazzi defendeu a extinção do Tribunal de Contas da cidade, um "órgão político" segundo o candidato, para que o orçamento do órgão fosse canalizado para iniciativas de educação. 

O tema da aliança entre o PT de Fernando Haddad e Paulo Maluf (PP) foi retomado na pergunta de Soninha para Russomanno. "Você convidaria o Maluf para seu governo em troca de um minuto e meio na televião?" questionou a candidata do PPS. Russomanno, antigo aliado de Maluf, provocou risos na plateia com sua resposta: "“De jeito nenhum, o que eu passei na mão desse cidadão ninguém quer passar”, afirmou. O candidato do PRB garantiu que qualquer um de sua base aliada que errar não terá perdão.

No último bloco, os candidatos puderam realizar suas considerações finais. 

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