1/4 do Senado será renovado após eleições

Dos 54 senadores que terminam mandato neste ano, 21 tentarão outros cargos ou simplesmente desistiram de se reeleger

Matheus Pichonelli, iG São Paulo |

Pelo menos um quarto do Senado será renovado a partir de fevereiro de 2011, quando terá início a próxima legislatura. Das 54 cadeiras em disputa nas eleições de outubro, 21 serão ocupadas por novos parlamentares, a serem eleitos por 17 Estados. A Casa tem 81 cadeiras, e neste ano cada Estado vai eleger dois senadores.

De acordo com levantamento feito pelo Diap (Departamento Intersindical de Assessoria Parlamentar), quase 40% dos senadores (21) que terão o mandato encerrado em dezembro não vão tentar se reeleger – outros quatro ainda estavam indecisos até o o início da semana. Neste ano, 29 dos 54 senadores que poderiam tentar um novo mandato se candidataram à reeleição, contra 32 de 2002. Em Minas Gerais, Paraná e Acre, por exemplo, os dois senadores que poderiam se reeleger têm outros planos para a campanha.

iG
A senadora Marina Silva (PV-AC), que desistiu de reeleição ao Senado para tentar se eleger presidente da República
Os motivos para a desistência são diversos. Alguns senadores tentarão voos mais altos, como a candidata à Presidência Marina Silva (PV-AC). Já Aloizio Mercadante (PT-SP), Ideli Salvatti (PT), Hélio Costa (PMDB-MG) e Osmar Dias (PDT-PR) desistiram de um novo mandato para concorrer a governador por seus Estados – Flávio Arns (PSDB-PR) será vice na chapa do também tucano Beto Richa no Paraná.

Outros senadores abriram mão de uma eventual reeleição para se dedicar a campanhas de correligionários, caso do tucano Sérgio Guerra, senador pernambucano que coordena a campanha de José Serra à Presidência. Outros tentarão cargos menores, como Patrícia Saboya (PSB), que deixa o Senado para ser candidata a deputada estadual pelo Ceará.

Há ainda quem tenha simplesmente desistido da vida pública para não “arrastar chinelos pelo Senado" - caso de Gerson Camata (PMDB-ES), que enfrentou problemas dentro do próprio partido em seu Estado e vai apenas torcer para que a mulher, Rita Camata (PSDB), siga seus passos no Senado.

"Quando ela viu que eu não ia [tentar a reeleição], ela decidiu se candidatar”, explicou. “Eu já tinha tomado a decisão antes da última eleição. Não concordo como está o PMDB do meu Estado. Já tenho 70 anos, 45 de vida pública, e não quero sair arrastando chinelo pelo Senado”, disse.

Renovação

Em 2003, dos 32 senadores que disputaram a reeleição no ano anterior, apenas 14 conseguiram um novo mandato – ou seja, a Casa teve 40 “caras novas” na ocasião. Desta vez, além das 21 desistências dos atuais senadores, a taxa de renovação pode ser ainda maior em razão do número de ex-governadores que entram na disputa.

Agência Brasil
Ivo Cassol (PP), que deixou governo de Rondônia para disputar vaga ao Senado
Nada menos do que nove candidatos deixaram o governo do Estado para tentar uma vaga ao Senado: Waldez Góes (PDT-AP), Eduardo Braga (PMDB-AM), Ivo Cassol (PP-RO), Roberto Requião (PMDB-PR), Luiz Henrique da Silveira (PMDB-SC), Wellington Dias (PT-PI), Wilma de Faria (PSB-RN), Aécio Neves (PSDB-MG) e Blairo Maggi (PR-MT).

Orestes Quércia (PMDB-SP), Itamar Franco (PPS-MG), Germano Rigotto (PMDB-RS), Jader Barbalho (PMDB-PA), Jorge Viana (PT-AC), João Capiberibe (PSB-AP) e José Reinaldo Tavares (PSB-MA), que já governaram seus Estados em mandatos anteriores, também estão no páreo por uma cadeira como senador. São considerados favoritos para a disputa. Cassados pela Justiça Eleitoral, os ex-governadores eleitos em 2006 Cassio Cunha Lima (PSDB-PN) e Marcelo Miranda (PMDB-TO) tentam também uma vaga ao Senado, mas podem ser barrados em razão da Lei do Ficha Limpa – que impede a candidatura de condenados por órgãos colegiados na Justiça.

Eles vão concorrer ao posto com outros ex-governadores e atuais senadores, como Tasso Jereissati (PSDB-CE), Marco Maciel (DEM-PE), Cristovam Buarque (PDT-DF), José Agripino (DEM) e Garibaldo Alves Filho (PMDB), ambos do Rio Grande do Norte.

Com base no favoritismo de cada candidato, o Diap estima que a bancada da maioria dos partidos será encolhida após as eleições de outubro – principalmente o DEM, que de 14 senadores deve passar a contar com 10 ou 11. As exceções seriam o PP, o PSB, o PC do B e o PT, partido que deve engrossar suas fileiras com o maior número de senadores eleitos e pular, segundo a estimativa, de nove para até 16 parlamentares.

Colaborou Piero Locatelli, iG São Paulo

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