136 milhões decidem hoje Brasil do pós-Lula

Principais candidatos já votaram e, segundo TSE, maior parte das 963 ocorrências envolve propaganda irregular e boca de urna

iG São Paulo |

Neste domingo, 135,8 milhões de eleitores vão às urnas para decidir sobre o Brasil do pós-Lula. Depois de oito anos sob o comando do petista, os brasileiros escolhem o sucessor do presidente de popularidade recorde. Além do novo nome que ocupará o Palácio do Planalto, estão em jogo 27 governos estaduais, dois terços do Senado e toda a Câmara de Deputados.

De acordo com o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), até às 14h30, 1.141 urnas (ou 0,285%) das cerca de 400 mil urnas espalhadas pelo país tiveram de ser substituídas por alguma falha ou defeito. Em uma região do Amazonas, onde uma urna foi enviada a um local errado, a votação terá de ser feita manualmente.

Nas eleições municipais de 2008, até este mesmo horário, foram substituídas 1.212 urnas eletrônicas em todo o país, do total de 480 mil utilizadas. O dado corresponde a 0,32% das urnas em uso naquelas eleições.

Segundo o TSE, até as 14h30 foram registradas 963 ocorrências em todo o Brasil, envolvendo principalmente propaganda irregular, boca de urna e compra de votos. Desse total, 368 ocorrências levaram à detenções. O maior número de prisões ocorreu no Pernambuco (42), no Espirito Santo (40) e em Minas Gerais (34). Até as 14h30, também houve 96 ocorrências envolvendo candidatos, sendo que 26 delas levaram a detenções.

Os eleitores que votam em trânsito – processo que está sendo realizado pela primeira vez no País – também não enfrentam dificuldades. A votação de brasileiros que moram no exterior está praticamente encerrada e, no Brasil, ocorre com tranquilidade.

Candidatos à presidência

Os principais candidatos à presidência já compareceram às urnas. A primeira a votar foi Dilma Rousseff (PT), por volta de 9h15 em Porto Alegre (RS). Em rápida entrevista, ela agradeceu o apoio da militância, do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e dos brasileiros. Afirmou, ainda, que fez " uma boa luta " e que qualquer que seja o resultado será ‘bom’ para ela.

Marina Silva (PV) votou por volta das 10h em Rio Branco, no Acre. Ela disse estar confiante de que a disputa irá para o segundo turno . "Em nenhum momento fiquei cantando vitória antes do tempo, até porque aqueles que cantam vitória antes do tempo já perceberam que a estratégia que tinham de resolver as eleições de forma açodada já no primeiro turno está completamente inviabilizada", disse.

O candidato do Psol, Plínio de Arruda Sampaio , votou às 10h05 em São Paulo. Ele disse que, caso as eleições passem ao segundo turno, o partido decidirá na segunda-feira se apoiará outro candidato. "Hoje à noite teremos um quadro melhor da situação e vamos ver qual será a conjuntura", afirmou.

José Serra (PSDB) votou às 13h em São Paulo (SP) e recorreu a Deus para dizer que torce para que a disputa não seja decidida neste domingo. “Se Deus quiser vamos ao segundo turno, para o bem do Brasil”, afirmou. “Esta eleição é uma eleição para brasileiros que querem governo honesto e trabalhador e sabem que o Brasil não tem dono. Que o dono é o nosso povo.”

Lula e FHC

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva votou pela manhã em São Bernardo do Campo (SP). Ele admitiu que há chance de a disputa não ser encerrada neste domingo. “Estou muito otimista quanto à possibilidade da Dilma ganhar as eleições no primeiro turno. Agora, a eleição tem dois turnos e eu não ganhei no primeiro turno nenhuma eleição. Ou seja, não ganhei em 2002 e não ganhei em 2006. Ora, apenas vai demorar 30 dias a mais, 30 dias de luta”, afirmou o presidente.

O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso , que votou pela manhã em São Paulo (SP), também se disse confiante quanto a um bom desempenho do partido nas eleições. “Provavelmente vamos para o segundo turno (se referindo a José Serra) e, nos Estados, o PSDB está dando um banho”, afirmou.

Números

De acordo com informações do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), 21,8 mil candidatos em todo o País tentam conquistar uma vaga. Como acontece em todos os anos eleitorais, as atenções destes e de outros candidatos voltaram-se nos últimos meses para Estados considerados estratégicos na busca pelo voto. São Paulo permanece no topo da lista, com 23,3% do eleitorado brasileiro. Em seguida, Minas Gerais reúne 10% dos votantes, sucedido pelo Rio de Janeiro (8,5%) e pela Bahia (7%).

Já o eleitorado brasileiro cresceu e teve seu perfil um pouco alterado. O número total de votantes no País avançou 7,8% em relação a 2006, quando 125 milhões de eleitores estavam em dia com a Justiça Eleitoral. As mulheres continuam representando a maior fatia dos eleitores (51,8%), que novamente se concentram na faixa dos 25 aos 34 anos.

Se as mulheres continuam sendo a maioria, o número de adolescentes votando pela primeira vez diminuiu. Eleitores entre 16 e 17 anos somavam 2,5 milhões nas eleições anteriores. Hoje, devem exercer o direito ao voto 2,3 milhões de adolescentes - o voto não é obrigatório até os 18 anos.

A forte presença do eleitorado feminino e a queda do número de eleitores adolescentes podem ser explicadas pela mudança da pirâmide social brasileira, que vem envelhecendo progressivamente, afirma o cientista político Rubens Figueiredo. "As mulheres têm expectativa de vida maior e os adolescentes são em menor número porque a população tem menos filhos."

Mas a mudança no eleitorado que pode interferir de fato no resultado da eleição é a ascensão social de camadas mais humildes da sociedade. Segundo Figueiredo, a forte mudança no perfil socioeconômico do eleitor brasileiro pode, sim, influenciar o resultado nas urnas neste domingo.

“Você tem um aumento extraordinário da classe C. Há mais gente no mercado de trabalho. E esse pessoal tende a votar pela continuidade do governo”, afirmou o cientista político.

Com reportagem de Clarissa Oliveira, iG São Paulo

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