Vulcão de lama pode permanecer ativo por mais de 30 anos

Em maio de 2006, um tipo de diferente de vulcão, batizado de Lusi, entrou em erupção na ilha de Java, na Indonésia. Mas ao contrário da lava incandescente expelida pelos vulcões tradicionais, Lusi jorra diariamente 140 mil metros cúbicos de lama, quantidade suficiente para encher 50 piscinas olímpicas todos os dias.

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Desde que entrou em erupção, Lusi já soterrou 12 aldeias e matou 13 pessoas na cidade de Porong e forçou o deslocamento de mais de 42 mil pessoas próximo à Surabaya, a segunda maior cidade da Indonésia. Mais de 800 hectares de áreas agrícolas e industriais foram devastadas, entre elas trinta e cinco fábricas e diversas infraestruturas.

Lusi entrou em erupção depois que uma broca de prospecção perfurou acidentalmente uma camada de pedra acima de um aquífero sob alta pressão, a 2900 metros de profundidade. Segundo os peritos que analisam a causa da erupção, o acidente ocorreu devido à falta de um dispositivo de proteção que age como uma espécie de tampa na parte superior do furo e seu emprego é um procedimento padrão neste tipo de trabalho. A proteção evita que fluídos sob alta pressão como óleo, gás ou água, vazem.

Desde que erupção teve início, cientistas e engenheiros de diversos países criaram diversos procedimentos para bloquear a lama. Entre os métodos utilizados está a tentativa de fechar o vertedouro de lama, despejando no interior da cratera centenas de toneladas de bolas de concreto. O método está em uso desde 2007 mas até agora não apresentou resultados, sendo considerado por alguns especialistas como uma guerra entre "Davi e Golias".

Recentemente, um novo estudo feito pelo cientista Mark Tingay, da universidade de tecnologia de Curtin, na Austrália, revelou que Lusi poderá permanecer ativo pelos próximos 30 anos. "Toda a região em torno do orifício está afundando entre dois e cinco centímetros por dia. O fluxo de lama é tão grande que poderia inundar uma área do tamanho do porto de Sydney em menos de 10 anos", disse.


Casos semelhantes

"Os cientistas conhecem pouco sobre os vulcões de lama e Lusi deve ser uma boa oportunidade para se aprender um pouco mais sobre eles", disse o professor Richard Davies, do Centro de Pesquisas de Energia Subterrâneas, da Universidade de Durhan, na Inglaterra. Segundo ele, este não é o primeiro incidente desse tipo. Em 1979 um erro de perfuração similar causou a erupção de um vulcão semelhante na costa do Brunei.

Vazamentos de água e lama são comuns nas perfurações de óleo e gás, mas normalmente são previsíveis.

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Fotos: No topo, dezenas de casas submersas fazem parte da paisagem deixada por Lusi próximo à cidade de Sidoarjo, na ilha de Java. Acima, imagem aérea do vulcão Lusi feita por cientistas da Universidade de Durhan. Créditos: Oslo University/Durhan University/Apolo11.com.


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