Vice-reitora toma posse na Unir e diz que prioridade é eleição

Dossiê com 1,5 mil páginas com suspeitas de irregularidades deve ser encaminhado a órgãos de fiscalização e controle

Wilson Lima, iG Maranhão |

A vice-reitora da Universidade Federal de Rondônia (Unir), Maria Cristina Victorino de França, foi aclamada nesta segunda-feira (28) pelo Conselho Superior Universitário e por unanimidade como a nova reitora pro tempore da instituição. Ela ficará no cargo nos próximos 60 dias, prorrogáveis por mais 30. A prioridade agora, segundo a nova reitora, é realizar novas eleições na universidade.

Na semana passada, o professor José Januário de Oliveira Amaral pediu renúncia do cargo de reitor após a divulgação de várias denúncias relacionadas à sua gestão. Ele é apontado como um dos beneficiados de um esquema que utilizava a Fundação Rio Madeira (Riomar) para desvio de recursos da universidade. Existem 30 investigações no Ministério Público Estadual (MPE) e Federal (MPF) de Rondônia relacionadas a irregularidades na Unir.

Maria Cristina Victorino de França afirmou ao iG que a prioridade são as eleições diretas e fazer com que a universidade volte a funcionar “com o mínimo de normalidade”. “Em dois meses, não há como fazer uma total reestruturação. Mas faremos o que for possível”, disse a professora. A nova reitora também disse que ajudará no processo de investigação de irregularidades dentro da Unir, repassando informações e documentos a órgãos controladores como o Tribunal de Contas da União (TCU), MPF e MPE. Essas informações tomam como base um dossiê com 1,5 mil páginas que descreve vários problemas e irregularidades na instituição.

A posse oficial da professora vai ocorrer nesta terça-feira. A confirmação do pedido de afastamento do reitor Januário Oliveira era uma das principais pautas de reivindicação de alunos e professores em greve desde 14 de setembro. Apesar disso, o comando de greve ainda não decidiu pelo final da paralisação. Nesta terça-feira, durante assembleia de professores e de alunos, eles decidirão os novos rumos do movimento. A expectativa é que a greve termine ou seja suspensa.

Mas a ocupação da reitoria , iniciada em 5 de outubro, já está no fim. Os alunos iniciaram nesta segunda-feira processo de entrega do prédio à universidade. Cerca de 300 alunos estão fazendo a limpeza e “organizando a casa”, na palavra do comando de greve. Eles pretendem deixar o prédio nesta terça-feira pela manhã.

Além de Januário Amaral, oito pró-reitores da Unir e mais sete funcionários de cargos de confiança foram exonerados. Entre os quais, os pró-reitores de infraestrutura, de graduação e de Pós-Graduação e Pesquisa. Entre os funcionários de cargos comissionados afastados, estão a Diretoria de Pesquisa e Desenvolvimento e o prefeito do campus de Porto Velho.

Processo política e vida privada

O ex-reitor Januário Amaral não compareceu à reunião que aclamou Maria Cristina como nova reitora. Mas em nota oficial, publicada no site da universidade, ele disse que foi vítima de “um duro processo político que se estabeleceu em diversas escalas”. “Com pesar, enfrentamos a impossibilidade e a incapacidade do diálogo, o que trouxe junto a agressão, a desqualificação e a invasão de minha vida privada”, disse o ex-reitor. Em várias entrevistas, Amaral afirmou que parte das denúncias contra a sua gestão eram motivadas pelo fato dele ser assumidamente homossexual.

“Hoje, a Unir passa por problemas que, infelizmente, fogem da minha alçada. Enfrentamos problemas estruturais, conjunturais e ainda enfrentamos a dívida histórica que o estado brasileiro tem para com a sociedade no que tange o desenvolvimento do ensino superior e a produção científica. Eu e minha equipe de trabalho lutamos para que os procedimentos administrativos fossem realizados da melhor maneira possível”, afirmou. O iG procurou o reitor mas não conseguiu encontrá-lo.

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