Vice-diretor se emociona em reunião sobre "rodeio das gordas"

Ivan Esperança, de Ciências e Letras, se emocionou ao dizer que sociedade exige providências. Alunos acompanharam do lado de fora

iG São Paulo |

A direção da Universidade Estadual Paulista (Unesp) de Assis realizou nesta quinta-feira (28) a primeira reunião da congregação, órgão deliberativo da unidade, para decidir quais providências tomar em relação aos participantes do “rodeio das gordas”. A reunião foi fechada, mas estudantes contrários a competição que humilhava colegas obesas acompanharam do lado de fora da sala que tem paredes de vidro.

"O vice-diretor Ivan Esperança até chorou na fala dele ao contar que a socieade toda exige providências", conta a advogada Fernanda Nigro. "Ele disse estar triste de após 20 anos de dedicação à universidade ter de passar por um episódio assim no fim da carreira." A direção da Unesp confirma que, por unanimidade, foi decidida a instauração de uma comissão para apurar as agressões.

O “rodeio das gordas” foi realizado no InterUnesp 2010, entre os dias 9 e 12 de outubro, por alunos que disputavam quem conseguia agarrar uma estudante acima do peso por mais tempo. A competição possuía até página na rede de relacionamentos Orkut com regras. Um jovem puxava conversa típica de paquera com uma menina, depois a agarrava com os braços ou pulava sobre ela enquanto outros colegas contavam o tempo.

A agressão foi denunciada com apoio da ONG Núcleo de Estudos e Pesquisas sobre Sexualidades (Neps), em Assis, que é composta principalmente por estudantes da Unesp local. A advogada da entidade, Fernanda Nigro, participará da reunião com a direção da universidade hoje.

A presidente da ONG, Kesia dos Anjos Rocha, afirma que a maior parte dos estudantes é contra o que ocorreu. “Foi algo de um grupo isolado que não reflete o que a maior parte pensa”, diz.

Ministério Público

A promotora Noemi Corrêa, de Araraquara, abriu ontem inquérito para apurar o caso a partir das informações veiculadas na imprensa. Com isso, os envolvidos poderão ser punidos administrativamente pela universidade e também pela Justiça.

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