As três propostas exigiam domínio de conceitos ou ferramentas da rede. Estudantes elogiam proximidade com os temas

As três redações exigidas no vestibular 2012 da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) abordaram temas referentes à internet. Os estudantes que fizeram a prova na Unip da Água Branca, em São Paulo, elogiaram a proximidade dos temas, e consideraram mediano o grau de dificuldade das propostas.

Os candidatos tiveram que escrever um comentário em um fórum na internet sobre os países com maior número de estudantes que querem seguir carreira científica – os de maior inciência eram todos de baixo IDH; também elaboraram um manifesto, para ser lido em uma reunião de pais, sobre o monitoramento dos alunos feitos pelas escolas nas redes sociais; e por fim, tiveram que criar um verbete para um leigo, explicando o conceito de computação em nuvem – armazenamento de conteúdos em servidores.

Douglas de Barros, de 17 anos, presta vestibular para Ciências da Computação e achou intermediário a dificuldade dos textos. “É o que estamos vivendo, então fica mais fácil”. Na opinião dele, escrever o manifesto foi a parte mais difícil, pois ele não está habituado a este gênero.

Já para Meiffa Thomaz, de 18 anos, vestibulanda de História, as redações estavam fáceis de escrever, pois os textos de base ajudavam bastante. Para ela, o mais complicado foi analisar o gráfico com o número de estudantes que querem seguir carreira científica e fazer um comentário. “Não sabia o que falar sobre o assunto”, comentou.

Isabela Aristides, 17 anos, vestibulanda de Linguística, também achou o comentário no fórum a parte mais difícil da prova. “Apesar dos assuntos estarem ligados ao nosso dia-a-dia, não é tão simples assim desenvolvê-los.”

Além da elaboração dos três textos, os candidatos também responderam 48 questões de múltipla escolhas sobre os conteúdos ensinados no ensino médio.

A maior parte dos alunos entrevistados pela reportagem do iG achou que a redação facilitou a prova, porque como os textos eram informais, foi possível escrever mais rápido e se dedicar mais às questões de múltipla escolha. Muitos consideraram que a prova estava mais fácil do que o esperado, porém bem equilibrada.

Gabriel Moura Vieira Martinez, 19 anos, vestibulando de Engenharia Elétrica, costuma perder em média duas horas para realizar a redação. Desta vez, despendeu pouco mais de uma hora. “Terminei mais rápido do que esperava. A redação foi mais fácil e foram textos mais informais.” Para o estudante, o fato de as questões de múltipla escolha serem mais interpretativas ajudou bastante. “Tenho mais dificuldade em matemática e mesmo assim fui bem”, disse o estudante.

Para Carolina Travassos, de 18 anos, a redação do verbete foi a mais difícil. “Não estudei o que é um verbete na escola e não sabia muito bem a estrutura. Tive que usar a imaginação”, conta a estudante que presta Letras e mora em Guarulhos.

Fila para utilizar o orelhão após a prova. Vestibular não permitia entrar na sala portanto celulares
Amana Salles/Fotoarena
Fila para utilizar o orelhão após a prova. Vestibular não permitia entrar na sala portanto celulares
André Velhote, 19 anos, presta Unicamp pela terceira vez e que ingressar em Medicina. “Acho melhor este formato do que o antigo. Antes não dava tempo de terminar e as questões eram muito mais difíceis. Avalio que a prova é boa, nem muito difícil, nem muito fácil”. Sobre a redação, André achou que as estruturas, por serem muito diferentes do que ele está habituado, dificultaram um pouco. Para ele, o verbete também foi o mais complicado de escrever, por ser diferente.

Celulares

Neste ano, pela primeira vez, os celulares estavam proibidos de entrar nas salas de prova – mesmo desligados. De acordo com os estudantes entrevistados não houve revista, nem incidentes durante o vestibular.

Na saída, uma fila de cerca de 30 pessoas se formou no orelhão. Muitos estudantes pediam celulares emprestados para ligar a cobrar para os pais.



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