Nem estudantes, nem jovens, mas vestibulandos na 2ª fase da Fuvest

Candidatos com mais de 30 ou 40 anos procuram chance de mudar de profissão se graduando na universidade mais conceituada do País

Cinthia Rodrigues, iG São Paulo |

Amana Salles/Fotoarena
A secretária Denise Tornieri, 45 anos, prestou Letras
Na porta de um dos locais de onde ocorreu a segunda fase do vestibular para a Universidade de São Paulo (USP) neste domingo, Rosene Mara Monteiro de Toledo, 49 anos, parece mais uma mãe à espera de um adolescente do que candidata do processo seletivo. Ela inclusive já esteve na posição de aguardar a filha fazer a prova da Fuvest há quatro anos, mas desta vez a candidata é ela.

Ao lado de centenas de adolescentes, é cada vez mais comum no vestibular pessoas que tentam voltar a estudar anos depois de concluir o ensino médio.

Rosene é atendente de bibliotecária e nunca fez ensino superior. Depois que a filha passou para Obstetrícia na USP, ela começou a pensar na ideia. “Se fosse uma faculdade pública e boa, eu poderia fazer”, avaliou.

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Em 2011, leu todas as obras exigidas no processo seletivo, se inscreveu para Letras e neste domingo fez a última etapa, esperançosa. “Estava difícil, mas eu estudei um pouquinho no tempo livre e respondi quase todas as perguntas”, conta.

A secretária Denise Tornieri, de 45 anos, também quer fazer Letras e dar aulas. Moradora de Embu das Artes, ela esperou os filhos crescerem para correr atrás de um sonho que tinha desde cedo. Hoje o mais velho tem 20 anos e a caçula, 15. “O maior trabalho já foi e eu poderia me dedicar a estudar”, diz ela.

Essa é a primeira vez que tenta entrar na USP. Quando era adolescente podia ter cursado, mas não via chances. “Hoje está mais fácil, além disso acho que a vivência ajuda um pouco”, afirma.

Amana Salles/Fotoarena
Rosene, que nunca fez ensino superior, tenta uma vaga na USP
Entre os mais velhos estava também um ex-uspiano. Luís Fernando de Siqueira Quissak Pereira, de 35 anos, se formou na USP de São Carlos há mais de 10 anos. Na época, havia feito curso técnico em informática no ensino médio e, como já trabalhava na área, prestou vestibular e se graduou em Ciência da Computação. Hoje pensa em um plano B.

“Quero fazer Filosofia como uma válvula de escape para uma rotina estressante e para tentar contribuir mais com a sociedade”, diz ele, afirmando que foi bem na prova. Como a atual profissão é rentável e dá mais oportunidades de trabalho do que a área que procura, Pereira não sabe se chegará a atuar no novo campo. “Só cursar já vai ser interessante. Se der para viver disso, melhor.”

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