Geração nascida com Plano Real chega ao vestibular mais preparada

Estudantes que disputam vaga hoje se beneficiaram de situação favorável ao investimento em educação e obtêm mais resultados

Cinthia Rodrigues, iG São Paulo | 22/12/2011 07:00

Texto:
enviar por e-mail
* campos são obrigatórios
corrigir
* campos obrigatórios

Desde que a dona-de-casa Jandira Celeste de Almeida engravidou, em 1993, já planejava dar ao filho oportunidade educacional melhor do que teve. Naquela época, ela pensava que conseguiria isso se juntasse dinheiro para pagar uma faculdade particular. Não contava com uma mudança na situação econômica do País que permitiu a ela, como a milhões de outras famílias, dar muito mais.

Foto: Amana Salles/Fotoarena

Jandira e André aguardam o início da 2ª fase da Unesp, que ele fez aos 17 anos

No ano seguinte, quando André Luiz Almeida do Nascimento nasceu, teve início o Plano Real, cujo objetivo era estabilizar a economia do País. Enquanto crescia, com a inflação sob controle e mais pessoas empregadas na cidade de Itatiba, onde viviam, o pai, advogado, pode matriculá-lo em escola particular. Fez inglês à parte e, no último semestre do ensino médio, um cursinho pré-vestibular. Na segunda-feira, o adolescente aguardava o início da 2ª fase do processo seletivo para a Universidade Estadual Paulista (Unesp), quando soube que também estava aprovado para a última etapa na Universidade de São Paulo (USP).

Uma recompensa para Jandira. “Não foi sem sacrifício”, diz ela, contando que a família mora em uma casa pequena e não tem carro. “Mas é um sacrifício possível, no meu tempo, a minha mãe não tinha o que fazer”, conta.

Foto: Amana Salles/Fotoarena Ampliar

Débora Silva de Oliveira, de 17 anos, com o pai policial. "A gente pode dar tudo pra ela", diz ele

A história se parece com a de outros pais que pela primeira vez acompanham os filhos no processo seletivo universitário. “Graças a Deus, a gente pode dar tudo a ela”, diz o policial Luiz Carlos de Oliveira, que acompanhava a filha Débora Silva de Oliveira, outra nascida em 1994. Apesar do investimento, ele não cobra a filha. “Não ficou mais fácil porque hoje muita gente faz cursinho e tenta a vaga até conseguir, então eles também têm que merecer.”

Nota de corte maior

O primeiro resultado da geração da estabilidade econômica pode ter até interferido na nota de corte dos principais vestibulares de São Paulo. Tanto USP quanto Unesp tiveram expressivos aumentos no número de acertos médios na prova da 1ª fase, o que elevou a nota de corte para a última etapa (A Unicamp ainda não revelou a pontuação, apenas a lista de convocados).

Especialistas, ainda debatem o fenômeno. Para a doutora em Economia e professora da Fundação Getúlio Vargas Celina Martins Ramalho está claro que a situação econômica que levou ao aumento da classe média permitiu uma melhora na educação de mais estudantes. “Ainda não é a massa, mas as pessoas investem mais em educação. Elas sabem que terão o dinheiro no mês que vem e no outro, são mais esperançosas e com isso planejam a longo prazo”, diz.

O Censo Escolar comprova o aumento do investimento em mensalidades. Com o número de crianças em idade escolar menor, o total de matrículas tem caído cerca de um milhão por ano no Brasil. No entanto, na rede particular, o número de alunos continua crescendo e aumentou de 6,3 milhões em 2007 para 7,6 milhões em 2010 no ensino fundamental e médio.

Com isso, 14,7% dos estudantes da educação básica estão na rede privada. Para a professora do Departamento de Administração da PUC do Rio de Janeiro Ana Heloísa Lemos, especialista em gerações, este é o porcentual que pode ter se beneficiado da melhora econômica. “Não podemos dizer que a educação como um todo está melhor, continuamos muito mal na escola pública que é quem atende a maioria. Quem teve mais oportunidade foi a classe média, que pode estar um pouco maior, mas ainda é minoria.”

Na opinião dela, ao lado da maior possibilidade de investimento das famílias, está uma mudança na expectativa de acesso ao ensino superior que leva mais jovens a se esforçar. Com o aumento de bolsas, financiamento e mesmo vagas em instituições públicas, mais adolescentes veem a possibilidade real de fazer faculdade. “O jovem sabe que, mesmo que não tenha como pagar, se conseguir boa pontuação ele tem grandes chances de ganhar uma bolsa e isso leva mais gente a tentar”, diz.

A economista Maria Alejandra Caporale Madi, professora da Unicamp concorda que existe uma mudança em curso, mas acredita que ela é principalmente cultural, embora a economia tenha “fundado a base” para que ela ocorresse. “Acho que o mundo todo, mesmo em recessão, vive hoje um momento de troca de informação em que o conhecimento é mais acessível. Esta é a principal vantagem desta geração”, diz.

Para ela, é preocupante que as notas de corte sejam cada vez mais elevadas em uma sociedade em que os estudantes podem buscar cursinhos especializados nos vestibulares. “Não queremos que todos concentrem seus esforços em uma prova, queremos que o jovem se dedique a outras questões. Esta situação é mais um motivo para repensarmos o formato do processo seletivo.”
 

Texto:
enviar por e-mail
* campos são obrigatórios
corrigir
* campos obrigatórios

Notícias Relacionadas


10 Comentários |

Comente
  • Ruy Queiroz | 22/12/2011 17:59

    Geração do Real é a GERAÇÃO SEM NOÇÃO. Não se interessam por nada, desde que tudo caia do céu. Muitos não sabem o que é República e Imaginam que a Dilma é a GRANDE MÃE DO BRASIL, assim como Kim Jong-Il. Tem computador, porém não sabem o que é Google e nem tão pouco sabem como se acessa o Google Earth. Porém, se estiverem em São Paulo, sabem o fornecedor da merenda escolar, porque os nomes de fantasia vem estampados nos lanches junto ao logotipo do governo do estado, a fim de lavagem cerebral, ou seja, a Geração do Real, é uma geração perdida, não por cauda dos pais, mas por causa do governo safado que somos obrigados a engolir ... salve Zé Pereira, Salva o Saci Pererê, Salve o Mestre Zagalo, Salve a Maçonaria do Terceiro Mundo ...

    Responder comentário | Denunciar comentário
  • MARCELO | 22/12/2011 17:03

    Parece que o brasileiro acha bonito pagar mensalidades. É interessante ver o ufanismo que os pagantes demonstram. Porém, me parece bom lembrar que os valores nababescos dos orçamentos da educação pública saem dos nossos bolsos e deveríamos cobrar nossos nobres e bem remunerados parlamentares, pois nossos impostos não são apenas para sustentar escândalos e corrupção. Enquanto nos conformarmos em estar entre os que podem pagar, em detrimento dos que não podem, seremos sempre um país com o freio de mão puxado, apesar desta e de tantas outras notícias otimistas que vemos na Internet.

    Responder comentário | Denunciar comentário
  • sergio | 22/12/2011 16:07

    DE NOVO!!!!!!! MENTIRA!!!!!!!!!!

    Responder comentário | Denunciar comentário
  • RENALDO | 22/12/2011 14:56

    Realmente o plano real ,depois de tantas tentativas para conter a inflacao no nosso pais deu certo .Atualmente a situacao educacional no brasil tem ainda muito a melhorar, principalmente no aspecto( qualidade de educacao) e isto nao vai ser com boa situacao financeira da populacao que sera solucionado.

    Responder comentário | Denunciar comentário
    Gustavo | 22/12/2011 15:28

    é muito simples. Fazendo a conta, a geração do "plano Real" nasceu em 1994/1995, ou seja, chegou na escola, lá pelos anos 2001 e 2002. É depois disso que tudo aconteceu de realmente importante nesse país!

    Denunciar comentário
  • aislan | 22/12/2011 13:56

    Quem planta colhe. Mas no meu modo de ver o plano real sempre foi da classe mais favorecida. Antes o pessoal da classe menos favorecida nem pensava em prestar vestibular- por ser muito caro- ou seja a inscrição muito alta junto com material.\n Hoje quase dobrou a população, em relação àquela época. Comparar plano real com agora seria fazer polica, ou tentar persuadir alguem à pensar numa possivel eleição do psdb. Tem alguma viuva ai do psdb?

    Responder comentário | Denunciar comentário
  • TADEU | 22/12/2011 13:38

    É UM ABSURDO DIVULAR UMA MENSAGEM DESSA FALANDO DO PLANO REAL. TODOS NÓS SABEMOS, SE HOUVE UMA MELHORA NA RENDA DO TRABALHADOR, DO POBRE E INCLUSIVE ATÉ DA CLASSE MÉDIA DESSE PAÍS. DEVEMOS AO GOVERNO LULA DO PT. O PIOR GOVERNO, QUE ESSE PAÍS JÁ TEVE, SE CHAMA O GOVERNO DE FHC. QUEM FALA É UM SERVIDOR FEDERAL, QUE MAIS DO NUNCA CONHECEU TODAS AS MAZELAS DA PÉSSIMA ADMINISTRAÇÃO QUE ESTE PAÍS JÁ TEVE, PRINCIPALMENTE COM REFERENCIA AO PLANO DE DEMISSÃO VOLUNTÁRIA, IMPOSTA PELO FMI, QUE CONTROLAVA NOSSO PAÍS. MUITOS COLEGAS QUE ADERIRAM AO PLANO SABEM MUITO BEM DISSO.

    Responder comentário | Denunciar comentário
  • Yuri | 22/12/2011 13:24

    Até que enfim alguém vê que o que foi conseguido nos últimos anos se deve ao que foi plantado antes, com o controle da inflação. Agora só falta este pessoal que vai entrar nas faculdades também dar frutos. Um passo de cada vez e vamos adiante

    Responder comentário | Denunciar comentário
  • Sonia | 22/12/2011 13:13

    Sem dúvida a situação do Brasil melhorou, mas acho que vale dizer que foi muito mais depois dos anos 2000. Há mérito na questão da inflação, eu mesma lembro disso ser um problema para minha família e todos que conheço, mas o que foi mais importante foi o aumento da classe média. Vale pensar

    Responder comentário | Denunciar comentário
  • cesar | 22/12/2011 12:43

    pensei que era no Real Madrid...

    Responder comentário | Denunciar comentário

Antes de escrever seu comentário, lembre-se: o iG não publica comentários ofensivos, obscenos, que vão contra a lei, que não tenham o remetente identificado ou que não tenham relação com o conteúdo comentado. Dê sua opinião com responsabilidade!




*Campos obrigatórios

"Seu comentário passará por moderação antes de ser publicado"

Mais destaques

Destaques da home iG


Programação de Salas

Encontre o filme que você quer assistir

Exemplos: São Paulo, Batman Cinemark, Villa Lobos

SEM TÍTULO

Ver de novo