Com bom humor, vendedores ‘salvam’ vestibulandos desprevenidos

Ambulantes acordam cedo para garantir os melhores lugares nos locais de provas

Carolina Garcia, iG São Paulo |

Mesmo com a abertura dos portões do vestibular da Universidade Estadual Paulista (Unesp) marcada para as 14h, o domingo começou bem mais cedo para os vendedores ambulantes na Barra Funda, região central de São Paulo. Com a Uninove como um dos locais de prova, os vendedores começaram a se posicionar na Rua Deputado Salvador Julianelli, por volta das 5h. Todo o esforço é para garantir uma posição privilegiada entre os alunos e portões de entrada.

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O vendedor Ivan Alves, de 37 anos, conta que chegou ao local às 5h30 para conseguir o melhor lugar. Na sua barraca havia todos os tipos de produtos – desde salgadinhos a refrigerantes e, claro, material escolar para salvar alguns estudantes desprevenidos momentos antes da prova.

Amana Salles/Fotoarena
Ivan Alves vende lanches e material escolar em vestibular há 20 anos
“Faço isso há 20 anos e sempre encontro aluno que esquece a caneta ou perde a borracha. É aí que eu entro”, contou Ivan, enquanto vendia uma régua para uma vestibulanda.

O bom humor da vendedora Ligia Alckmin, de 54 anos, é visível e cativante a longa distância. Quando abordada pela reportagem, Ligia testava “suas” canetas antes de vender aos alunos. “Testo porque não quero assustar ninguém na prova. Imagina? Sentar e escrever seu nome e a caneta não funcionar? Evito isso”, disse rindo enquanto testava seu produto.

Para ela, que já tem um calendário pronto com as datas das próximas provas , vender cada caneta a R$ 2 na porta das universidades virou um meio de sustento depois que casou e não conseguiu voltar ao mercado de trabalho. “A próxima parada é Campinas, na Unicamp . Lá espero vender bem mais que aqui”, conta esperançosa.

Vendedora há 12 anos, Ligia explica ainda que o humor é fundamental no dia a dia de seu trabalho, já que os alunos estão ansiosos com as provas. “Temos que rir e ser simpáticos, eles já passam por tanto estresse”. A satisfação da vendedora veio no final dos testes das canetas que, segundo Ligia, estavam todas funcionando. “Pronto, fiz minha parte. Se eles não passarem a culpa não foi minha”, concluiu.

Amana Salles/Fotoarena
Ligia Alckmin testa canetas antes de vender a candidatos. "Se eles não passarem a culpa não foi minha", diz

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