Primeiro dia da 2ª fase da Fuvest 2015 é mais tranquilo que em 2014

Por Ana Flávia Oliveira -iG São Paulo |

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Professores avaliaram redação como esperada, mas crítica, e prova de literatura foi considerada a mais trabalhosa

As provas de português e da redação da segunda fase da fuvest, aplicadas neste domingo (4), foram mais "tranquilas" quando comparadas a mesma etapa do ano passado e até mesmo a maratona da primeira fase do maior vestibular do país, dizem professores. Ao todo, 27.286 dos 29.698 candidatos convocados realizaram a prova hoje.

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Além da redação, que vale 50% dos 100 pontos da prova, os candidatos tiveram responder a dez questões dissertativas de gramática e literatura.

Foram convocados 29.698 candidatos foram convocados para a prova deste domingo (4.01.15)
Renato Lopes RP/Futura Press
Foram convocados 29.698 candidatos foram convocados para a prova deste domingo (4.01.15)

Segundo Andrea Provasi Lanzara, professora de redação do Cursinho da Poli, a "Camarotização" da sociedade brasileira: segregação das classes sociais e a democracia, tema da redação neste foi esperado e mais "fácil" do que o do ano passado, em que os estudantes tiveram que dissertar sobre a situação dos idosos no mundo e no Brasil.

"Este ano a Fuvest fez uma redação sobre um tema importante, crítico. A Fuvest tem caracteristica de trabalhar com temas subjetivos, fazendo com que o candidato reflita sobre algo que vem acontecendo na sociedade".
Para ela, mesmo assuntos como a Copa do Mundo, os 50 anos do golpe militar e as eleições, estavam contemplados na redação. 

"O tema aplicado neste ano é pertinente e atual, uma coisa que está sendo vivenciada pela sociedade. O interessante foi que a Copa do Mundo, os 50 anos do golpe militar e as eleições, que foram temas discutidos e esperados, apareceram de maneira indireta"

Segundo a professora, os alunos tiveram quatro textos base para organizar posicionamentos e argumentos neste ano, ao contrário do ano anterior em que apenas um texto base foi fornecido pela Fuvest. 

Sobre a redação, o professor de Língua Portuguesa do Cursinho Etapa Heric José Palos disse que apesar de "corriqueiro" e "comum", o tema poderia ser "perigoso" pois pode fazer o aluno cair em "chavões e "lugar comum" ao construir a argumentação.

"Foi um tema corriqueiro, comum, que esteve na mídia, nas redes sociais no ano inteiro. Não é difícil, mas é perigoso na argumentação porque pode fazer o aluno criar uma redação ficar vazia e repetitiva, com muitos chavões e argumentos vazios, que não se sustentam. A Fuvest tem a tendencia de pegar temas comuns, que permitam a ela avaliar se o aluno sabe argumentar", disse

Gramática e Literatura

Para Claudio Caus, professor de Língua Portuguesa e Literatura do Cursinho da Poli, não houve grandes exigências de termos gramaticais ténicos.

"Em gramática, quase não caiu questões que utilizasse termos muito técnicos. O que houve foi questões com variações línguisticas, em que o aluno tinha que identificar as diferenças entre as normas culta da língua antigamente e a mais atual". Além disso, diz ele, a prova também exigiu capacidade de interpretação de textos, com questões sobre os sentidos das frases e palavras, e charges.

Na prova de literatura, caíram questões sobre quatro livros da lista obrigatória da Fuvest: Memórias Póstumas de Brás Cubas (Machado de Assis), Memória de um sargento de milícias (Manuel Antônio de Almeida), O cortiço (Aluísio Azevedo) e Sentimento do Mundo (Carlos Drummond de Andrade).

"O curioso é que nas questões de Literatura, a Fuvest focou muito mais no contexto em que se passa a obra do que aspecto estilisticos. O que chama atenção em uma obra é aspecto estilistico, mas a Fuvest não deu atenção a isso, não fazendo o que era o esperado. Ou seja, quem se preparou para entender os aspectos estilísticos do autor, como a ironia, não se deu bem. As questõe queriam saber o contexto histórico, a filosofia e como a obra dialogava com o mundo, diz ele.

"As questões de literatura exigiram do aluno elementos que não estão no livros, que eles tiveram que conhecimento nas aulas ou em textos de apoio", concluiu Caus.

Segundo Palos, do Etapa, a prova de literatura foi a exigiu mais do aluno. "A parte de literatura foi a mais trabalhosa, em comparação com o resto da prova porque caíram questões que exigiam conhecimento histórico, que seriam muito difícil de responder se o aluno não tiver lido o livro".

Nesta segunda-feira (5), os candidatos respondem a 16 questões de História, Geografia, Matemática, Física, Química, Biologia, Inglês. Essa prova também vale 100 pontos.


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