Fuvest tem questões fracas na 1ª fase

Especialistas analisam que 19 perguntas não avaliaram bem os estudantes, por serem muito fáceis ou muito difíceis

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Dentre as 90 questões da primeira fase do vestibular do ano passado da Fuvest, que seleciona alunos para a Universidade de São Paulo (USP) e para o curso de Medicina da Santa Casa, 19 foram fracas na capacidade de avaliar os candidatos. Isso porque as questões tiveram baixos índices de discriminação, número que, segundo especialistas, é o grande balizador da prova.

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Ele é definido da seguinte forma: os candidatos são divididos entre a faixa de melhor desempenho e a faixa de pior desempenho. O índice é calculado pela diferença entre o porcentual de acertos do grupo superior e do grupo inferior. Para chegar a esse resultado, a reportagem tabulou um relatório da Fuvest com os índices de acerto de cada uma das 90 questões do vestibular do ano passado.

"Em avaliação, a palavra discriminação é muito boa. Mostra a capacidade do avaliador de separar os bons dos outros", explica Ocimar Alavarse, professor da Faculdade de Educação da USP e especialista no tema. "No dia a dia da sala de aula, fazer uma prova para que todos acertem pode ser uma estratégia pedagógica. Mas não no vestibular. Aqui, é preciso selecionar. Se todos acertam ou todos erram, isso não diz nada ao selecionador."

O resultado da prova mostrou que esse índice na Fuvest ficou em 37% - considerado bom, mas que poderia ser melhor. Entre as 19 questões que tiveram um índice de discriminação menor que 20% estão tanto perguntas de disciplinas da área de exatas como de humanas.

Nesse quesito, a pior pergunta da prova foi exatamente uma de física, que também registrou o menor índice de acerto geral: apenas 8% dos vestibulandos responderam corretamente à questão e o índice de discriminação foi de 0,4%.

Logo em seguida aparecem questões de geografia, química, português e matemática, todas com menos de 5% de diferença de acerto entre os melhores e os piores. "Não mediram nada. Podem ser consideradas questões com defeito, porque não cumpriram a finalidade do exame, que é separar os melhores", avalia Vera Lúcia Antunes, coordenadora do Objetivo.

No outro extremo, com 67% de índice de discriminação, está outra questão de física, seguida por história e inglês, "Isso mostra como é possível fazer uma prova que seleciona, não importa a disciplina" avalia Vera. Para ela, a divulgação do rendimento por questão é fundamental. "O que se considerava simples pode ter se mostrado difícil."

Humanas e exatas

O pior desempenho dos alunos foi em matemática, que teve uma média de acerto de apenas 30%. Por outro lado, as três disciplinas com melhor desempenho eram da área de humanas. Na soma global, o índice de acertos ficou em 48,3%, o que significa uma dificuldade média, segundo parâmetros de avaliação.

Mateus Prado, do Cursinho Henfil, credita isso ao fato de que somente os candidatos mais bem preparados se arriscam a prestar a prova. "A Fuvest tem uma das provas mais difíceis do Brasil. Mas, nos últimos anos, começou a não apresentar o mesmo número de inscritos. E grande parte de quem se inscreve vem das escolas particulares." As informações são do jornal O Estado de S.Paulo .

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