Vestibular: prepare-se para a prova de habilidades em desenho

Especialistas dizem que é possível aprender a desenhar, assim como é possível aprender matemática

Carolina Rocha, iG São Paulo |

Calcular e redigir bons textos não são as únicas habilidades que vestibulandos devem saber atualmente. Desenhar e ter noções de artes é cada vez mais importante para estudantes interessados em carreiras modernas.

Cursos como artes visuais, design de moda, cinema, animação de artes digitais e a tradicionalíssima arquitetura têm como pré-requisito provas em que os candidatos precisam mostrar que têm intimidade com o lápis, régua e noções de sombras e cores.

“Nós esperamos que o candidato saiba construir uma imagem coerente, consiga criar algo a partir de um tema, tenha destreza com o lápis, segurança em traçar linhas no papel e principalmente que tenha atenção do olhar e consiga perceber detalhes”, explica o coordenador do colegiado de graduação do curso de Artes Plásticas da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG).

As provas de habilidades em desenho variam bastante de uma universidade para outra. Na Universidade de São Paulo (USP), por exemplo, 30% do teste leva em conta os conhecimentos do candidato em geometria aplicada. Na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) a prova é calcada apenas em noções de desenho.

O vestibulando deve saber que é possível aprender técnicas que ajudem em seu ingresso nestes cursos. “Assim como é possível aprender matemática, é possível aprender a desenhar. O vestibular não exige que você seja um Einstein, como não pede que o candidato seja um Van Gogh. Ele vai precisar demonstrar que tem boas noções de perspectiva, cores, sombras e isso tudo se aprende”, explica o coordenador do Ateliê de Artes do Curso Anglo, Roberto Rondino.

Segundo ele, nem sempre aquele aluno que fica desenhando os colegas durante a aula é o mais apto para a prova de habilidades específicas em desenho. “Cartoon, por exemplo, não cai na prova do vestibular.”

O mesmo pensa o coordenador do curso de Habilidades Específicas oferecido pela Oficina de Desenho Daniel Azulay, Vitor dos Santos. “Quem se dedica mais, se destaca mais. O Pelé só foi um gênio porque se dedicou desde cedo ao futebol. Dom é algo que não nasce com a pessoa, não é genético. A pessoa desde cedo demonstra um interesse por algo e passa a se dedicar mais a isso, por isso tem facilidade”, defende.

Este foi o caso do estudante de arquitetura da Universidade Católica de Santos (UniSantos) Marcos Vinicius Nascimento da Silva, que desde pequeno gostava de desenhar e era incentivado por sua mãe. “Eu sempre ganhava telas, lápis diferentes, papéis, pois gostava de desenhar e minha mãe percebeu isso.”

Mas como nem todos percebem suas preferências na infância, os professores sugerem que os vestibulandos interessados em uma vaga nos cursos que exigem habilidades em desenho se dediquem a pelo menos uma ou duas aulas por semana antes do vestibular.

“Temos alunos que fazem uma aula por semana durante um semestre e vão bem na prova, mas o ideal, para quem não tem noção alguma, é fazer pelo menos duas aulas por semana durante o semestre”, sugere Vitor dos Santos.

Nos cursos, os alunos vão desenvolver as seguintes habilidades:

- Desenho de observação – olhando um objeto, o estudante vai tentar reproduzi-lo no papel.

- Perspectiva – como colocar um objeto no devido lugar, na devida proporção, de acordo com o espaço em que ele está inserido.

- Figura humana – noções de proporções e formas do corpo humano

- Criação de cenário interno e externo

- Visão espacial - noções do espaço em que a ação está inserida

- Teoria das cores - técnicas de utilização delas nos desenhos e uso de sombras


É importante ressaltar que o candidato não pode se fiar apenas nas técnicas. Assim como as provas dissertativas do vestibular, o candidato deverá mostrar que tem um bom discernimento na hora de executar os temas propostos. “As questões da nossa prova podem ser propostas por meio de um poema, um texto, entre outros meios. Nós levamos em conta se o candidato consegue realizar bem o tema proposto, se o trabalho é coerente com a proposta, não só se ele tem boas técnicas”, lembra o coordenador do curso de Artes Plásticas da UFMG.

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