Vestibular indígena oferece oportunidade para desenvolvimento social de etnias

Brasília - Desde 2006, a Universidade de Brasília (UnB) abre vagas exclusivas para estudantes indígenas. O vestibular é direcionado, e o candidato precisa provar sua relação com a etnia que representa.

Redação com Agência Brasil |

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Segundo o coordenador de Apoio Pedagógico da Fundação Nacional do Índio (Funai), Gustavo Menezes, dez universidades federais têm ações afirmativas para a inclusão dos indígenas: "As universidades já se conscientizaram de que essa é uma demanda muito forte da sociedade. Menezes destacou que existe muita discussão em torno do assunto, mas que, em geral, existe sensibilidade da parte dos reitores de que isso é benéfico para a vida acadêmica, e não negativo.

Como a gente sabe, eles [índios] normalmente têm mais dificuldade de acesso a cursinhos, e a demanda estava crescendo muito. Então, sem todas essas situações favoráveis, o acesso deles era muito difícil."

De acordo com Menezes, cada universidade tem um sistema diferente. Algumas trabalham com cotas no vestibular, outras reservam vagas. Para a Funai, a UnB é uma vitrine do programa de inclusão dos índios, porque, além de abrir as vagas, a instituição acompanha os estudantes, para garantir que terminem o curso.

"Muitas vezes, por seu próprio esforço, eles entravam na faculdade, mas as condições eram muito desfavoráveis. Havia muita desistência, disse Menezes. Além de acesso, eles precisam de acompanhamento para serem bem-sucedidos e, ao final do curso, contribuírem para a própria comunidade, mas sabendo que isso é para alavancar a situação dos indígenas, e alguma forma, mesmo que pontual, completou.

Atualmente, há 23 índios fazendo cursos na UnB. Josinaldo Aticun, aluno do sexto semestre de medicina, lembra que, no começo do curso, teve muita dificuldade para acompanhar a turma, porque estava menos preparado do que os colegas. Ele disse que escolheu esse curso por causa da carência de profissionais da área de saúde para atender as população indígenas.

"Os médicos simplesmente não se adaptam à realidade dos índios, e aí não demoram, existe uma rotatividade de profissionais de saúde muito grande nas áreas indígenas. Isso dificulta muita coisa. Josinaldo ressaltou que, com isso, viu nesse convênio a possibilidade de ajudar mais de perto seu povo. Você sabe como é que funcionam as coisas, então, tem mais possibilidade de respeitar o conhecimento tradicional existente."

Para ele, a reserva de vagas para índios nas universidades federais é uma forma de corrigir as injustiças sociais do país. "É uma maneira de começar a resolver o problema da desigualdade social no Brasil, sobretudo com a população indígena, que foi por muito tempo martirizada e massacrada. E é uma oportunidade para começar a pensar no desenvolvimento dessa população."

As inscrições para o terceiro vestibular indígena da UnB vão até 15 de dezembro. As 20 vagas são para os dois semestres de 2009, divididas entre os cursos de agronomia, enfermagem e obstetrícia, engenharia florestal, medicina e nutrição. Informações no site da UnB .

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