Vestibulandos chegam atrasados e perdem segunda fase da Unesp

Alunos culpam sistema de transporte por terem chegado depois que os portões foram fechados

Fernanda Simas, iG São Paulo |

Dois vestibulandos chegaram atrasados na sede da Unip, na Avenida Vergueiro, em São Paulo, - um dos locais de prova do vestibular da Unesp . Os portões foram fechados às 14h02, depois de um dos coordenadores sair da universidade e gritar por dois minutos que iria fechar os portões.

Hugo Henrique, de 18 anos, iria prestar agronomia e tocou o interfone do local por várias vezes. Quando foi atendido, Hugo só repetia: “por favor, a gente veio de metrô você sabe como é o metrô. Eu não sou nem daqui, vim só para fazer o vestibular. Deixa eu entrar, pelo amor de Deus.”

Ele mora em Cambuí, Minas Gerais e veio nesse sábado (2) para a capital. Depois de duas horas e meia de viagem, ficou hospedado na casa da amiga Bruna, no bairro de São Judas. “Eu vim só para prestar esse vestibular. Não estou prestando mais nenhum”, conta Hugo, chorando muito. Bruna o acompanhou no caminho até a Unip hoje e diz que saíram da casa dela às 13h35, mas que esperaram 10 minutos na plataforma da estação São Judas até um metrô chegar.

Juliano Boldrin, o outro garoto que chegou atrasado, não quis comentar muito o que tinha acontecido. Ele explicou apenas que ia prestar geografia e saiu 12h00 de casa. “Eu moro em Osasco, vim de metrô e trem.”

Na hora certa

O primeiro dia da segunda fase do vestibular da Unesp reuniu alunos que querem entrar na faculdade e pessoas que querem apenas treinar. Edmilson Soares, 19 anos, se formou em 2009 e está prestando geografia pela segunda vez e acha que está preparado. “Eu estudei bastante e vi as outras provas. Tenho uma experiência de provas já e hoje como é só humanas acho que vai estar mais fácil.”

Dafne Alves Fontana, 18 anos, se formou em 2010 e presta zootecnia pela segunda vez na Unesp. Ela está confiante. “Espero que dê tudo certo, que eu não fique muito nervosa porque o nervosismo atrapalha muito”, afirma.

Lucas Francisco Amaral, 16 anos, faz a prova pela primeira vez e não precisa ter tanta preocupação, já

que ainda não conclui o ensino médio. Acompanhado dos pais, Francisco e Rosana, o menino conta que estuda de uma a duas horas por dia e que consultou provas anteriores do mesmo vestibular para se preparar. “Vou prestar engenharia elétrica. Vi [as outras provas] e não achei tão complicado. Acredito que eu passe.”

Francisco, 46 anos, aprova a iniciativa do filho de treinar antes de sair do colégio. “Ele está preparado, mas o que pode atrapalhar é a ansiedade e esses treinamentos vão facilitar na hora H”, argumenta, com um olhar de orgulho sobre o filho Lucas.

Giulia Carolina Cuoco de Renzo, 20 anos, também vai fazer esse vestibular como forma de treinamento. Ela já é formada, mas quer fazer faculdade de medicina então aproveita os vestibulares de meio de ano para praticar. “To fazendo a Unesp para me acostumar a ficar sentada cinco horas, para já pegar o ritmo de prova mesmo”, explica. Ela considera esse vestibular mais fácil do que os que ocorrem no final do ano, mas sabe que o nervosismo sempre pode atrapalhar. “A prova do meio do ano é mais tranquila, mas não é uma prova fácil. Se você estiver nervoso, não faz a prova. É preciso ter paciência e prestar atenção”, afirma Giulia, que aguardava os portões se abrirem na companhia da mãe.

No dia do jogo do Brasil, o vestibular é mais importante

Henrique Abrão, 18 anos, é um dos poucos usando a camiseta da seleção brasileira neste domingo de estréia do Brasil na Copa América. “Quase não vim para ver o jogo, mas tive que vir. Primeiro passar no vestibular e depois curtir o futebol”, brinca.

A prova de hoje será um treino para Henrique que também deseja cursar medicina. Ele se inscreveu na Unesp para o curso de engenharia de controle de automação e realiza o vestibular pela primeira vez. Também agora no meio do ano, Henrique presta Direito na PUC São Paulo e Medicina na PUC Campinas. “Eram os melhores, os mais concorridos e as provas mais difíceis”, explica sobre o motivo dos cursos escolhidos.

Esse é o vestibular mais concorrido da história da Universidade, com 24,3 candidatos por vaga. Neste domingo é realizada a prova de conhecimentos específicos, são 24 questões de ciências humanas, de ciências da natureza e de matemática, e a duração máxima da prova é de 4h30.

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