USP terá moradia estudantil exclusiva para estrangeiros

Universidade mais concorrida no Brasil planeja medidas para aumentar de 2% para 10% total de estudantes de fora do País até 2015

Cinthia Rodrigues, iG São Paulo |

A instituição de nível superior mais disputada entre os brasileiros quer se tornar atrativa também para estrangeiros. Com a ambiciosa meta de aumentar de 2% para 10% o total de estudantes de fora do País até 2015, a Universidade de São Paulo (USP) investirá em tornar mais fácil a vida de quem vem do exterior. Entres as medidas previstas estão a compra de um edifício para alojar exclusivamente estudantes e professores visitantes e a construção de um centro de línguas.

DIVULGACAO
Vice-reitor de Relações Internacionais da USP, Adnei Melges Andrade, conta que prédio para estrangeiros será comprado ainda este ano
O vice-reitor de Relações Internacionais, Adnei Melges Andrade, afirma que a falta de oferta de moradia estudantil diminui a competitividade da USP em comparação com instituições que têm mais infraestrutura para receber estrangeiros. “A qualidade de ensino é importante, mas também temos que proporcionar uma boa vida acadêmica e um dos principais problemas em São Paulo é a dificuldade de encontrar um local de fácil acesso à universidade”, afirma.

Segundo ele, a universidade já tem três prédios pré-selecionados na região central da capital paulista, todos próximos a estações de metrô e com potencial para atender centenas de pessoas. A escolha final deve ocorrer ainda este ano. O plano conta com a inauguração nos próximos meses da estação Butantã-USP - na zona oeste da cidade, onde fica o campus principal da universidade - para tornar o acesso ao local fácil e rápido. Sem falar em valores, Andrade diz que a verba para aquisição e adaptação do imóvel já está prevista no orçamento da reitoria. “Vamos fazer algumas adaptações para criar um sistema de moradia, e a meta é começar a usar em 2011”.

Atualmente, a USP tem um conjunto residencial com 3 mil vagas que atende principalmente alunos da graduação que se inscrevem no programa de apoio a estudantes de baixa renda. “Nunca aconselho um visitante a esperar uma vaga porque é muito difícil”, diz o vice-reitor.

Curso de línguas para todos
Outro investimento para atrair estrangeiros será a construção do Centro de Difusão Internacional, que vai abrigar um centro de estudo de línguas, um auditório para eventos internacionais e um centro de acolhimento de visitantes. A obra está em fase de licitação e deve ficar pronta em 2012.

DIVULGACAO
Alunos e docentes chineses que visitaram a USP no início do ano: ensino de idioma e cultura do país emergente está nos planos
O projeto prevê pelo menos 1.400 metros quadrados de área para salas de aula com cursos de línguas. Atualmente, o ensino de idiomas é realizado pela Faculdade de Letras. “Queremos algo bem maior, além de turmas lá, haverá estrutura para administrar cursos semi-presenciais e também vamos levar instrutores para atuar dentro das unidades em projetos que supram a necessidade de língua de cada área”, afirma.

Andrade diz que a meta é que 100% dos alunos da USP aprendam pelo menos uma língua estrangeira. Desde a inauguração haverá cursos de inglês, francês, espanhol, italiano e alemão. Também está sendo preparado um material de estudo de chinês que inclua, além da língua, a cultura do país emergente. “Não podemos ficar alheios a uma nação que se destaca cada vez mais em tantas áreas. Temos que aprender a dialogar com os chineses”, afirma.

Português made in Brasil
O mesmo centro de línguas também deverá ensinar português para os estrangeiros em visita à instituição. O método e o material didático já estão sendo desenvolvidos pela USP e serão adaptados para que os visitantes sejam capazes de acompanhar aulas com turmas de brasileiros.

As novidades serão apresentadas em um evento no primeiro semestre de 2011, quando também será lançada uma ferramenta para melhorar o sistema de estatísticas internacionais da universidade. Hoje, estima-se que a universidade receba cerca de 2 mil estudantes e professores de outros países por ano e envie o mesmo número ao exterior, mas a Comissão de Cooperação Internacional não tem os dados exatos, pois há iniciativas isoladas em várias faculdades.

O vice-reitor aposta que o aumento de estrangeiros elevará também o total de viagens dos brasileiros ao exterior. “Esses números andam sempre juntos porque a maior parte dos convênios prevê reciprocidade no envio de acadêmicos.”


Diretor da UFRJ quer o mesmo no Rio

O diretor de Relações Internacionais da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Geraldo Nunes, também quer aumentar a quantidade de estrangeiros na instituição. Mas falta verba. Atualmente, cerca de 350 – ou menos de 1% do total de alunos – vem do exterior.

Segundo ele, o caminho ideal seria exatamente criar alojamentos adequados. “A falta de lugar para ficar é o principal entrave no Brasil como um todo. Temos 2% da pesquisa mundial, quase tudo concentrado nas instituições públicas, mas o Brasil é pouco considerado por quem planeja estudar no exterior”, diz.

Outro entrave apontado para ele é o idioma, mas neste aspecto a UFRJ tem planos diferentes: investir em aulas que sejam ministradas em inglês. “Na maior parte dos países da Europa, todas as universidades têm cursos em uma segunda língua, e esse é um dos motivos pelo qual chegam a ter 20% dos estudantes estrangeiros”.

A Secretaria de Ensino Superior não reúne os dados de visitantes nas universidades federais. A Coordenadoria de Aperfeiçoamento de Pessoal de Ensino Superior (Capes) deu 537 bolsas de cooperação internacional a estrangeiros em 2009 e financiou 4.346 brasileiros no exterior. A Fundação de Amparo a Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp) enviou 119 pós-doutores para fora e trouxe 202 ao Brasil. A soma das duas principais financiadoras representa movimentação internacional de 0,1% dos 5 milhões de estudantes de ensino superior do País.

    Leia tudo sobre: USPmoradia estudantilestrangeiros

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG