USP discute mudança no bônus para estudantes de escola pública

Pró-reitora de graduação quer substituir acréscimo automático na nota do vestibular por provas que avaliem desempenho

Cinthia Rodrigues, iG São Paulo |

O Conselho de Graduação da Universidade de São Paulo (USP) discute na quinta-feira mudanças no programa de inclusão social da instituição (Inclusp). A principal proposta é que o bônus na nota dos candidatos que estudaram em escola pública seja feito conforme o desempenho em avaliações anteriores ao vestibular.

Atualmente, todos os alunos que fizeram o ensino médio em escolas públicas recebem pelo menos 3% de acréscimo na nota obtida. Depois, conforme o desempenho no vestibular, podem obter até mais 6% de bônus. Outros 3% são dados conforme resultado de uma prova aplicada em parceria com as redes públicas, o Programa de Avaliação Seriada da USP (Pasusp). Ou seja, o aluno da rede pública pode conseguir até 12% de acréscimo na nota.

Um grupo de trabalho estuda critérios para mudança neste formato desde o ano passado e apresentará as conclusões para votação do conselho. A pró-reitora de Graduação, Telma Zorn, já manifestou preferência por modelo em que o bônus seja todo por mérito, ou seja, conforme o resultado de avaliações.

Entre as possibilidades, está a adoção parcial do Exame Nacional de Ensino Médio (Enem). O teste aplicado pelo Ministério da Educação chegou a ser o responsável pelos 6% que hoje são dados conforme o desempenho no vestibular, mas deixou de ser usado pelas universidades estaduais paulistas nos últimos anos. A posição oficial é de que a data de divulgação da nota – atrasada nos últimos dois anos por conta de problemas na realização do teste – impossibilitou o uso.

Baixa demanda
A USP enfrentou uma queda na relação candidato-vaga e na matrícula dos aprovados na primeira chamada. Ainda no ano passado, a graduação divulgou diretrizes para que os cursos com baixa procura fossem revisados . Um grupo de trabalho que fez o estudo para a Escola de Artes, Cultura e Humanidades (Each), a USP Leste, concluiu um relatório em que sugere o fechamento de 330 das 1.020 vagas atuais e manifesta preocupação com a “baixa qualidade” dos ingressantes nos últimos vestibulares. Ainda não se conhece os resultados de avaliações das outras unidades da instituição.

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