USP terá moradia estudantil exclusiva para estrangeiros

Universidade mais concorrida no Brasil planeja medidas para aumentar de 2% para 10% total de estudantes de fora do País até 2015

Cinthia Rodrigues, iG São Paulo | 30/10/2010 07:00

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A instituição de nível superior mais disputada entre os brasileiros quer se tornar atrativa também para estrangeiros. Com a ambiciosa meta de aumentar de 2% para 10% o total de estudantes de fora do País até 2015, a Universidade de São Paulo (USP) investirá em tornar mais fácil a vida de quem vem do exterior. Entres as medidas previstas estão a compra de um edifício para alojar exclusivamente estudantes e professores visitantes e a construção de um centro de línguas.

Foto: DIVULGACAO

Vice-reitor de Relações Internacionais da USP, Adnei Melges Andrade, conta que prédio para estrangeiros será comprado ainda este ano

O vice-reitor de Relações Internacionais, Adnei Melges Andrade, afirma que a falta de oferta de moradia estudantil diminui a competitividade da USP em comparação com instituições que têm mais infraestrutura para receber estrangeiros. “A qualidade de ensino é importante, mas também temos que proporcionar uma boa vida acadêmica e um dos principais problemas em São Paulo é a dificuldade de encontrar um local de fácil acesso à universidade”, afirma.

Segundo ele, a universidade já tem três prédios pré-selecionados na região central da capital paulista, todos próximos a estações de metrô e com potencial para atender centenas de pessoas. A escolha final deve ocorrer ainda este ano. O plano conta com a inauguração nos próximos meses da estação Butantã-USP - na zona oeste da cidade, onde fica o campus principal da universidade - para tornar o acesso ao local fácil e rápido. Sem falar em valores, Andrade diz que a verba para aquisição e adaptação do imóvel já está prevista no orçamento da reitoria. “Vamos fazer algumas adaptações para criar um sistema de moradia, e a meta é começar a usar em 2011”.

Atualmente, a USP tem um conjunto residencial com 3 mil vagas que atende principalmente alunos da graduação que se inscrevem no programa de apoio a estudantes de baixa renda. “Nunca aconselho um visitante a esperar uma vaga porque é muito difícil”, diz o vice-reitor.

Curso de línguas para todos
Outro investimento para atrair estrangeiros será a construção do Centro de Difusão Internacional, que vai abrigar um centro de estudo de línguas, um auditório para eventos internacionais e um centro de acolhimento de visitantes. A obra está em fase de licitação e deve ficar pronta em 2012.

Foto: DIVULGACAO

Alunos e docentes chineses que visitaram a USP no início do ano: ensino de idioma e cultura do país emergente está nos planos

O projeto prevê pelo menos 1.400 metros quadrados de área para salas de aula com cursos de línguas. Atualmente, o ensino de idiomas é realizado pela Faculdade de Letras. “Queremos algo bem maior, além de turmas lá, haverá estrutura para administrar cursos semi-presenciais e também vamos levar instrutores para atuar dentro das unidades em projetos que supram a necessidade de língua de cada área”, afirma.

Andrade diz que a meta é que 100% dos alunos da USP aprendam pelo menos uma língua estrangeira. Desde a inauguração haverá cursos de inglês, francês, espanhol, italiano e alemão. Também está sendo preparado um material de estudo de chinês que inclua, além da língua, a cultura do país emergente. “Não podemos ficar alheios a uma nação que se destaca cada vez mais em tantas áreas. Temos que aprender a dialogar com os chineses”, afirma.

Português made in Brasil
O mesmo centro de línguas também deverá ensinar português para os estrangeiros em visita à instituição. O método e o material didático já estão sendo desenvolvidos pela USP e serão adaptados para que os visitantes sejam capazes de acompanhar aulas com turmas de brasileiros.

As novidades serão apresentadas em um evento no primeiro semestre de 2011, quando também será lançada uma ferramenta para melhorar o sistema de estatísticas internacionais da universidade. Hoje, estima-se que a universidade receba cerca de 2 mil estudantes e professores de outros países por ano e envie o mesmo número ao exterior, mas a Comissão de Cooperação Internacional não tem os dados exatos, pois há iniciativas isoladas em várias faculdades.

O vice-reitor aposta que o aumento de estrangeiros elevará também o total de viagens dos brasileiros ao exterior. “Esses números andam sempre juntos porque a maior parte dos convênios prevê reciprocidade no envio de acadêmicos.”


Diretor da UFRJ quer o mesmo no Rio

O diretor de Relações Internacionais da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Geraldo Nunes, também quer aumentar a quantidade de estrangeiros na instituição. Mas falta verba. Atualmente, cerca de 350 – ou menos de 1% do total de alunos – vem do exterior.

Segundo ele, o caminho ideal seria exatamente criar alojamentos adequados. “A falta de lugar para ficar é o principal entrave no Brasil como um todo. Temos 2% da pesquisa mundial, quase tudo concentrado nas instituições públicas, mas o Brasil é pouco considerado por quem planeja estudar no exterior”, diz.

Outro entrave apontado para ele é o idioma, mas neste aspecto a UFRJ tem planos diferentes: investir em aulas que sejam ministradas em inglês. “Na maior parte dos países da Europa, todas as universidades têm cursos em uma segunda língua, e esse é um dos motivos pelo qual chegam a ter 20% dos estudantes estrangeiros”.

A Secretaria de Ensino Superior não reúne os dados de visitantes nas universidades federais. A Coordenadoria de Aperfeiçoamento de Pessoal de Ensino Superior (Capes) deu 537 bolsas de cooperação internacional a estrangeiros em 2009 e financiou 4.346 brasileiros no exterior. A Fundação de Amparo a Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp) enviou 119 pós-doutores para fora e trouxe 202 ao Brasil. A soma das duas principais financiadoras representa movimentação internacional de 0,1% dos 5 milhões de estudantes de ensino superior do País.
 

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    21 Comentários |

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    • Diogo SS | 31/10/2010 18:39

      É claro que estrangeiro em terras alheias dão um certo interesse em nós brasileiros pra se igualar a eles, agora casa da mãe joana aqui no brasil, é como sempre foi né. brasielro que faz facul na USP e é pobre tem que aguentar república pequena e com muita dificuldade financeira é ida de pobre não é fácil. Meu Deus que mundo é esse pobre sofre mesmo quando consegue uma vaga na melhor facul do pais.

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    • Marcos | 31/10/2010 17:25

      Os recursos para educação têm que ser aumentados e melhor distribuídos. Hoje existe uma relação de 12 para 1 em relação ao ensino básico e médio. Esta relação tem que mudar, no mínimo de 5 para 1. Ou seja, para cada real aplicado no ensino básico, no máximo 5 deverá ser aplicado no ensino superior.
      Hoje o povo brasileiro financia os ricos, as empresas e centros de pesquisa de outros países, pois não consegue manter muitos profissionais nas instituições públicas e nem no país.
      Eu não quero pagar para que empresas privadas do país ou do exterior tenham o melhor profissional a seu dispor. Isso deveria ser atribuição deles, pois eles é que se beneficiam deste ciclo vicioso elitista e concentrador.

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    • tania | 30/10/2010 18:10

      Acho que a maioria dos comentaristas não entenderam bem a matéria. O Brasil cede vagas para estrangeiros aqui no Brasila para que os estudantes brasileiros possam estudar no exterior.

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      Prof. João Batista | 03/11/2010 02:37

      90% das vagas ofertadas aos universitários brasileiros no primeiro mundo é unicamente pelo seu talento e nada mais. O que chama atenção é que esses senhores nunca se preocuparam com isso para aluno pobre brasileiroi. Na minha, que não tem alojamento, quanto veio verba extra polpuda, todos (inclusive movimento estudantil) quiseram que fosse não isso, mas auditório de luxo. De fato, a falta de coisas como essas objetivam excluir aluno da rede pública do ensino superior. Agora mesmo teremos o enem e o que mais vai acontecer, como já aconteceu, é aluno pobre com notas boas ter que desistir por falta disto para que outro com menos nota e mais dinheiro assuma a vaga. Quem quiser conhecer como historicamente universidade pública tem atuado alijando ingresso da rede pública, peça: joaobatistanascimento [a] yahoo [p] com [p] br

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    • MARIA | 30/10/2010 12:50

      É UMA POSTURA TRISTE!!!!

      10% DE VAGAS É MUITA COIS!!!! O BRASIL NÃO TEM VAGAS
      NEM PRA ALUNOS BRASILEIROS!!!!

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    • paula | 30/10/2010 11:52

      Como se dizia antigamente .. coisa para ingles ver ...
      Investir em estrageiros enquanto que os estudantes brasileiros residentes do crusp , ficam entregues a moradias de baixa qualidade .Dando gracas a deus por estarem ali , ja que muitos outros ficaram de fora de tal " privelégio " principalmente por falta de vagas .Parece piada ......

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    • Rodrigo | 30/10/2010 11:29

      Nunca deixei qualquer comentário, mas desta vez não me contive!
      É simplesmente lamentável!
      É como se sobrassem vagas públicas na USP!
      É uma vergonha!

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    • Paulo Ilmar Kasmirski | 30/10/2010 11:15

      Isso já tinha que ter a muito tempo e não e só para estrangeiros, mas sim também para todos brasileiros

      Já que tão chegando finalmente a esse veredicto, e os rumores nas praças já vêm falando que e pela primeira vez, que os estudos no Brasil começaram a ser olhado certo

      E o mais incrível, por um presidente que tem só a faculdade da vida sofrida, e sabe tem noção como a maioria tem, mas os que tinham deixaram de fazer isso por medo das futuras concorrentes

      Se deixarmos de fazer o certo vai aparecer muitos Lulas, e milhares de analfabeto como, eu vai quere ser um

      E para melhorar isso tem na ficção uma sugestão melhorada, para dar uma mãozinha na hora certa da vida durante o processo de crescimento, que e caro de partida e barato no fim da vida www.ficcaoglobalizada205br.blogspot.com

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    • Markito | 30/10/2010 11:03

      Ótima notícia. Isso favorece a vinda de estudantes e professores do exterior. Essa interação enriquece a todos. Um país que melhora o estudo e atrai mentes de fora auxilia no crescimento da nação. Que a UFRJ também consiga apoio pra realizar tal intento.

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    • ana luiza morato cerruti | 30/10/2010 10:48

      Essa iniciativa da USP é louvável, tendo em vista que os nossos estudantes também pleiteiam oportunidades desse porte no exterior, contudo o mesmo empenho deve ser feito para a ampliação de vagas para os alunos brasileiros.Penso dessa forma pois sou uma brasileira que para ter acesso ao nível superior tive que fazer uma universidade particular, pois sempre estudei em escolas públicas e não tive base suficiente para competir com alunos melhores preparados. Meu sonho dourado na época era estudar na universidade pública de minha cidade que é a UNICAMP.Então vamos nos esforçar para privilegiar nosso capital humano nacional. Ana LUiza

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