Secretária de Educação Básica do MEC defende a capacitação de professores em vez do uso de "receituários" em sala de aula

Apostar em materiais didáticos apostilados, com conteúdos estruturados aula por aula é não acreditar na capacidade do professor. É o que acredita a secretária de Educação Básica do Ministério da Educação (MEC), Maria do Pilar Lacerda.

O comentário tem referência à pesquisa apresentada nesta terça-feira pela Fundação Lemann , que apontou que escolas que adotam sistema estruturado de ensino, com uso de apostilas, sites de consulta, entre outros materiais pedagógicos para alunos e professores apresentam desempenho melhor no teste de proficiência em matemática e português do Governo Federal, a Prova Brasil.

Segundo a pesquisa, as metodologias estruturadas ajudam o professor a não “pular” conteúdo e a aprender o que não dominava. Além disso pesquisa anterior da própria fundação mostra que os professores brasileiros estão entre os 30% de menor desempenho no ensino médio. Estudo da Fundação Carlos Chagas identificou que os cursos de pedagogia não preparam os professores para dar aulas.

Maria do Pilar concorda que a formação dos professores, atualmente, é inadequada, mas acredita que a utilização de materiais tão impositivos quanto a aplicação do conteúdo é “colocar um curativo sobre o problema, sem a preocupação de saná-lo”. “Se o problema do ensino é a falta de tempo do professor para preparar uma aula ou a má preparação, devemos discutir isso, ou ele vai continuar trabalhando do mesmo jeito, sem que o problema seja resolvido”.

“Usar um receituário para o professor dar a aula não é a melhor opção. É demonstrar que não acreditamos na capacidade dele de aprender com a formação inicial ou a continuada, ou até com as próprias práticas. Oferecer esses materiais tão mastigados é tirar a autonomia do profissional”, defende a secretária.

Custos

Outro ponto levantado pela secretária é com relação ao gasto com a contratação de empresas privadas para o fornecimento destes materiais. “O MEC já investe recursos consideráveis e fornece gratuitamente o material pedagógico. Os municípios poderiam gastar esse dinheiro com outras coisas, até mesmo com programas de formação para os professores.”

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