Universitários disputam vagas para ensinar em escolas públicas

Mais de 46 mil estudantes das melhores universidades dos EUA concorreram a 4,5 mil vagas para lecionar para crianças

The New York Times |

Alneada Biggers, classe de 2010 da Universidade de Harvard, ficou surpresa no ano passado quando descobriu que entrar nas escolas de direito e programas de pós-graduação do país poderia ser mais fácil caso aceitasse um trabalho como professora através da iniciativa Teach for America (Ensine pela América, em tradução livre). Segundo Biggers, entre 15 e 20 de seus amigos de Harvard que se candidataram ao Teach for America e apenas três ou quatro foram aceitos.

Will Cullen, da classe de 2010 da Universidade Villanova, tem um amigo que foi rejeitado e optou por ser pesquisador do Instituto Fulbright. Julianne Carlson, recém-formada em Yale - onde um número recorde de 18% dos alunos do último ano se inscreveram no Teach for America - diz que conhece uma dúzia de colegas "surpreendentes" que foram rejeitados.

Carlson, Cullen e Biggers fazem parte de um grupo de sorte de 4.500 selecionados pela organização sem fins lucrativos, a partir de um total de 46.359 candidatos (32% a mais do que em 2009), para trabalhar em escolas públicas de regiões pobres .

Este ano, em seu 20º aniversário, o Teach for America contratou mais formandos do que qualquer outro empregador em inúmeras universidades, incluindo Yale, Dartmouth, Duke, Georgetown e Universidade da Carolina do Norte.

Em entrevistas, alguns futuros professores de Houston, um dos oito centros nacionais do Teach for America que proporcionam cursos práticos de verão, mencionaram a possibilidade de ajudar as crianças pobres e melhorar suas conquistas pessoais como principais motivos para participar.

Mas há outras atrações mais materiais. O Teach for America tornou-se um nome de respeito que ajuda a construir um bom currículo, não importa se a pessoa permanecerá na área de ensino. Além disso, em uma economia ruim, é uma garantia de emprego de dois anos com um bom salário - os membros recebem o mesmo que um professor iniciante nos bairros onde são colocados. 

No caso de Cullen, que vai ensinar em uma escola fundamental de Dallas, isso equivale a US$45,000 ao ano - o mesmo que ele receberia se tivesse aceitado uma oferta de emprego de uma empresa de relações públicas.

Para ser aceito pelo Teach for America, os candidatos passam por um longo processo, com milhares de cortes em cada etapa. Isso incluiu uma inscrição online, entrevista por telefone, a apresentação de um plano de aula, uma entrevista pessoal, teste escrito e uma dinâmica em grupo com vários outros candidatos.

Um orçamento operacional de US$ 185 milhões (composto em dois terços por doações privadas, o resto a partir de fontes governamentais) ajuda a financiar os recrutadores em 350 campus para aumentar a fonte de candidatos. Os 774 novos recrutados que estão treinando em Houston foram alojados em dormitórios da Universidade Rice. Muitos ficam acordados até muito além da meia-noite fazendo planos de aula e às 06h30 estão em um ônibus para seguir para a classe onde ministram cursos da escola de verão para alunos reprovados.

É uma lição difícil para aqueles que vieram em busca de conquistas pessoais.

* Por Michael Winerip

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