Universidades oferecem moradias a estudantes de baixa renda

A despesa com o aluguel, a mais pesada da lista de custos para os universitários que vão morar longe da família para estudar, pode ser eliminada para aqueles que não têm como bancá-la. Universidades públicas oferecem vagas em alojamentos próprios.

Anderson Dezan, Carolina Rocha e Priscilla Borges |

A Unicamp possui um conjunto de casas com 900 vagas. A prioridade é dada a estudantes de outras cidades, mas em alguns casos especiais são concedidas àqueles da região metropolitana de Campinas.

Anualmente, a universidade oferece por volta de 650 vagas, sendo cerca de 260 para calouros. O período de inscrições vai de 1º a 17 de março e o resultado deve sair no início de abril.

Entretanto, os alunos que não tiverem condições de se manter no período do início das aulas podem levar ao Serviço de Apoio ao Estudante toda a documentação que comprove suas condições socioeconômicas e o departamento o encaminhará para uma vaga, mesmo antes da nomeação oficial.

A Universidade Estadual de Londrina (UEL) oferece 80 vagas. A assessoria de imprensa não soube informar quantas estarão disponíveis este ano.

A Universidade Federal de São Carlos (UFSCar) disponibiliza vagas de acordo com a demanda gerada pela seleção dos candidatos ¿ todos que comprovam necessitar de alojamento são acolhidos.

Em São Carlos, quando as 470 vagas na moradia estudantil localizada dentro do campus não são suficientes, a universidade aluga imóveis na proximidade para oferecer abrigo aos alunos. No último ano, a instituição alugou 10 casas e abrigou 80 estudantes nelas.

Em São Paulo, a Universidade de São Paulo (USP) oferece no campus Butantã o Conjunto Residencial da USP (Crusp), que comporta um total de 1.300 vagas. Para os calouros, porém, são oferecidas apenas 200 vagas. Os apartamentos comportam 3 moradores em quartos individuais.

O período de inscrições para novos moradores vão de 24 deste mês a 31 de março e o resultado é informado na segunda quinzena de abril. Os selecionados podem ocupar a vaga logo em seguida.

Os estudantes podem solicitar vários benefícios na Universidade de Brasília (UnB). A Diretoria de Desenvolvimento Social cadastra, todos os semestres, jovens que precisam de auxílio. Eles apresentam inúmeros documentos que comprovem a situação socioeconômica da família e cada caso é avaliado separadamente. Depois dessa avaliação, eles podem receber diferentes benefícios: bolsa alimentação, moradia estudantil, bolsa de permanência e vale-livro.

A bolsa alimentação dá direito a descontos no RU. O vale-livro, descontos na Editora UnB. No programa de bolsa permanência, o estudante desenvolve atividades dentro da própria universidade, em horários que não atrapalhem a grade curricular, e recebe uma ajuda de R$ 300. Agora, esse valor será reajustado para R$ 465.

O benefício mais disputado da universidade é mesmo uma vaga na Casa do Estudante Universitário, que fica dentro do campus. Por causa dos valores dos aluguéis em Brasília, o apoio da moradia se torna imprescindível para alguns estudantes. Os alunos que possuem renda mais baixa, de famílias fora do DF, têm preferência na distribuição das 368 vagas que os dois blocos de apartamentos destinados aos estudantes possuem. Para saber mais, acesse a página da UnB .

Ajuda fundamental

Rafaela Araújo, 19 anos, e Alan Douglas Mendes, 22 anos, dividem sonhos e dificuldades em Brasília. Os dois deixaram a casa dos pais para enfrentar a dura realidade da capital em busca de um diploma de ensino superior. Ela saiu da cidade de Corrente, a 874 km de Teresina, capital do Piauí para estudar Geografia na UnB. Alan veio de Patos de Minas, cidade mineira localizada a 447 km de Brasília, para se tornar um engenheiro. Ambos não podiam contar com a ajuda dos pais.

Rafaela e Douglas, em frente ao alojamento da UnB

Os dois jovens universitários admitem que vieram sem saber como sobreviveriam na capital do país. Rafaela morou alguns meses em Taguatinga, de favor na casa de amigos. Alan trabalhava em Planaltina, cidade satélite localizada a 38,5 km do Plano Piloto, e tentava se manter na universidade. Pagava R$ 180 de aluguel em um quartinho e gastava quase quatro horas no trânsito para ir e voltar das aulas. Gastava tudo com aluguel e transporte, conta Alan, que agora cursa Física.

Para os dois, as vagas conseguidas nos apartamentos da Casa do Estudante foram essenciais. Eles não pagam contas de água, luz, aluguel ou condomínio. Pagam R$ 0,50 em cada refeição que fazem no Restaurante Universitário (almoço e jantar) e ganham uma bolsa de R$ 300. Com esse dinheiro se alimentam, pagam passagens quando passeiam no fim de semana, compram material. A gente sobrevive. Morrer de fome é raridade, brinca Alan.

Ele tenta visitar os pais pelo menos uma vez por mês. Mas é preciso juntar R$ 150 para custear as passagens. Quando a saudade aperta, a mãe manda pelo menos R$ 100 para ajudar. Rafaela só vê a família duas vezes por ano. Precisa guardar R$ 200 quando quer vê-los. Se não tivesse essa ajuda, seria impossível estudar. Não é o melhor dos mundos, porque temos problemas de infraestrutura, transporte, comida. Mas vale a pena, afirma Rafaela.

Sem saída

A vida de Paula Teixeira só deu a ela uma alternativa para continuar estudando: conseguir uma vaga na Casa do Estudante Universitário. Quando passou no vestibular para o curso de Filosofia, sua mãe adoeceu. As duas moravam sozinhas e viviam da pensão da mãe, que morreu pouco depois. Entrei com um pedido especial na universidade e consegui uma vaga, conta a jovem, hoje com 33 anos.

De lá para cá, muita coisa mudou na vida dela. Inclusive o curso. Estudante de Letras-Português, Paula aprendeu a viver com o mínimo (os R$ 300 da bolsa permanência). Não compra roupas, não sai para baladas, só come no Restaurante Universitário, anda a pé. O auxílio do programa de assistência estudantil é a garantia de sobrevivência. O apartamento parece uma cela, mas não pago água, luz, condomínio, nem aluguel. Os móveis aqui são da UnB. De outro jeito, não daria para pagar contas e estudar, pondera.

Paula Teixeira, nas dependências do alojamento

Paula enumera problemas enfrentados por quem vive na casa: falta de ônibus circulando no local (especialmente no fim de semana), apartamentos velhos e com problemas de estrutura, dificuldades de conviver com muitas pessoas (são cerca de quatro por apartamento), a comida enjoativa do RU. Mas essa ajuda é imprescindível, admite.

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