Universidade Federal da Bahia tem obra inacabada, sujeira e sucata

Principal instituição de ensino do Estado sofre com instalações precárias. Em maio, uma placa caiu do teto e atingiu uma aluna

Thiago Guimarães, iG Bahia |

Para além de paralisações de servidores e docentes, alunos da Universidade Federal da Bahia enfrentam também problemas de infraestrutura em alguns cursos, com instalações precárias e dificuldades em aulas práticas.

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A situação motivou, por exemplo, um protesto de alunos de Veterinária e Zootecnia da universidade. No último dia 6 de junho, cerca de 200 estudantes dos cursos tomaram uma rua em frente à faculdade com apitos e cartazes para criticar problemas como falta de equipamentos e demora na reforma do prédio, que já se estende por cerca de dois anos.

A Bahia é um dos Estados que devem receber novas universidades federais , conforme o plano de expansão divulgado no dia 16 de agosto pela presidenta Dilma Rousseff .

nullOs alunos chegaram a organizar uma paralisação para forçar o diálogo com a direção da unidade, que prometeu atender as reivindicações. Mas a reportagem do iG esteve na faculdade nesta quinta-feira (23) e constatou a permanência de problema como infiltrações e imóveis amontoados, sucata nos corredores e móveis em estado crítico de conservação.

No dia seguinte ao protesto dos alunos de Veterinária, foi a vez dos estudantes de Odontologia da universidade, que interromperam atendimento à população em protesto por melhores condições de segurança e estrutura. Em maio deste ano, estudantes da faculdade se feriram levemente após a queda de uma placa do teto de uma sala – uma aluna chegou a ser levada ao hospital.

Thiago Guimarães/iG
Obras inacabadas na faculdade de veterinária e zootecnia da Universidade Federal da Bahia.
Os cerca de 33 mil alunos da UFBA e 3.300 da UFRB (Universidade Federal do Recôncavo da Bahia), no interior do Estado, sofrem ainda com a greve dos servidores técnico-administrativos , que se estende desde junho – houve apenas uma suspensão de uma semana da paralisação em julho. A paralisação atrasa procedimentos como matrículas e fechamento de notas.

Situação semelhante experimentam os cerca de 30 mil alunos das universidades federais em Pernambuco (Universidade Federal de Pernambuco e Federal Rural de Pernambuco) e os 25 mil estudantes em Alagoas (Universidade Federal de Alagoas), unidades em que os servidores também estão parados desde junho. Decisão tomada neste mês pelo STJ (Superior Tribunal de Justiça) determinou manutenção de percentual mínimo de 50% em atividade, mas praticamente não há fiscalização do cumprimento da ordem. “Enquanto o governo não resolver as reivindicações não haverá volta”, diz Roberto Maximiano, dirigente do sindicato dos servidores da UFAL.

Em campanha salarial nacional da categoria, professores da UFAL e da UFPE também já aprovaram indicativo de greve e podem engrossar o movimento dos técnicos. Em Maceió, professores, com apoio de alunos e técnicos, chegaram a fechar um dos campi da UFAL nesta quarta-feira (24) durante manifestação.

Na UFS (Universidade Federal de Sergipe), os funcionários técnico-administrativos voltaram ao trabalho em 12 de julho, mas os docentes também aprovaram o indicativo de paralisação por tempo indeterminado, o que ameaça o semestre dos cerca de 26 mil alunos de graduação e pós-graduação.

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