Sindicância apura suposta venda de vagas do curso de Medicina

Os cinco alunos do curso de Medicina da Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (Unirio) suspeitos de fraude na matrícula foram convocados pela reitoria da instituição de ensino a prestar depoimento nesta terça-feira (10), às 14h. Uma sindicância instaurada pela Unirio apura um suposto esquema de venda de vagas na Escola de Medicina e Cirurgia (EMC).

Entenda: Sindicância apura suposta venda de vagas do curso de Medicina na Unirio

Marcelo Piu / Agência O Globo
Fachada da Escola de Medicina e Cirurgia da Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro
No procedimento irregular, matrículas canceladas em 2011 teriam sido reativadas e utilizadas por estudantes que não foram convocados pelo Sistema Único de Seleção Unificada (Sisu), única forma de acesso à Unirio.

De acordo com a universidade, a suposta fraude foi constatada através de um relatório de evasão na EMC, feito no dia 15 de março. O documento apontou que o número de matrículas canceladas no ano passado reduziu sem explicações de 15 para 10.

Dos cinco alunos investigados, quatro mulheres e um homem, quatro nem sequer fizeram o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) no ano passado. A única estudante que prestou o exame ficou classifica na 2.217ª posição. Os alunos sob suspeita foram suspensos das aulas a partir de segunda-feira (9).

Também ontem (9), prestaram depoimento dois servidores da Unirio: a diretora da EMC, Maria Lucia Pires, e a decana do Centro de Ciências Biológicas e da Saúde, Lucia Marques Vianna. A sindicância foi instaurada no último dia 27 de março e o prazo para realização dos trabalhos é de 30 dias, prorrogáveis por mais trinta.

O reitor Luiz Pedro San Gil Jutuca informou que pretende verificar se o sistema de informática da instituição é vulnerável e se a fraude foi cometida em outros cursos."Nunca vi nada parecido com isso. Estamos todos chocados. É certo que algo irregular aconteceu. Não quero tecer nenhum juízo de valor. Espero que não tenha sido um colega, um servidor público como eu, um servidor dessa instituição", disse

A Polícia Federal informou através de nota que recebeu um ofício da Unirio na última quinta-feira (5) "comunicando possíveis irregularidades em matrículas de alunos" e que "as informações encaminhadas serão objeto de análise para fins de definição sobre as medidas a serem aplicadas ao caso". Já o Ministério da Educação declarou que está "à disposição do reitor da Unirio para auxiliar e supervisionar as investigações relativas à grave denúncia de presença de estudantes irregulares matriculados no curso de Medicina da instituição".

*com informações da Agência Estado

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