Exame exige nível médio, apresenta questão com erro e é complicada para alunos de escolas públicas, dizem professores

Para os professores do Cursinho da Poli, a Universidade Estadual Paulista (Unesp) ensinou ao Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) lições de objetividade, interdisciplinaridade e abrangência na maioria de suas questões da prova da primeira fase, realizada neste domingo, diz 14.

“Para resolver algumas perguntas de geografia, era preciso saber matemática e história”, afirma o professor Rui Calaresi, para quem, apesar da prova ser de nível médio, as perguntas foram bem distribuídas em seus vários níveis de dificuldade.

Apesar de exigir conhecimentos básicos, a prova de inglês apresentava uma pergunta com duas respostas possíveis. Trata-se da questão 29, em que a proposta era encontrar a alternativa com todas as palavras no passado. Segundo o gabarito oficial, a opção correta seria a C. Entretanto, ela contém a palavra ‘been’, que é particípio passado e não passado simples. Para o professor Moacir Prudence, se houver essa permissão a alternativa A também estaria correta.


“Encontramos a palavra ‘become’, que também é particípio passado, o que faz com que duas alternativas estejam corretas. A prova foi bastante tranqüila e exigia basicamente interpretação. A única questão que cobrava mais gramática veio com esse erro”, disse.

A qualidade das perguntas foi ressaltada pela professora de português Cristiane Bastos, para quem a prova trazia enunciados claros e com apenas uma resposta possível.

“Estas são qualidades de uma prova bem elaborada e de um bom vestibular. O grande mérito foi a objetividade e o grande problema foi não apresentar nenhuma pergunta de literatura, apenas um texto de ´Vidas Secas´, mas que cobrava interpretação”.

Elias Feitosa de Amorim Junior, que leciona história, considera a prova homogênea e constante em relação aos anos anteriores.

“Os temas foram bem divididos e focaram nos conhecimentos gerais, sem ser específico. Além disso, relacionou um pouco de literatura e história da arte, o que mostra ser um exame equilibrado e interdisciplinar”.

Já oprofessor de matemática Eduardo Izidoro Costa diz que a prova não cobra muitos conteúdos e exclui os maiores fantasmas da matemática, como logaritmo, polinômio e geometria analítica, mas acerta ao trazer questões-problemas ao vestibulando.


“Essa é a grande tendência do ensino: mostrar situações que podem ocorrer a qualquer momento e com qualquer pessoa. A prova foi muito bem contextualizada e mostrou ao Enem como é um vestibular bem pensado”.

A prova de biologia exigiu leitura atenta e interpretação de gráficos e imagens. Eduardo Leão, professor da disciplina, vê falhas ao não cobrar zoologia e fisiologia humana, mas considera a prova como bastante pertinente para uma primeira fase.

Deslocadas do vestibular em geral no quesito interdisciplinaridade, Química e Física foram provas mais burocráticas e previsíveis.

“Faltou criatividade em um universo que visa relacionar mais conteúdos e disciplinas. As questões foram na direção contrária do que se pede em um processo seletivo”, analisa Bassam Ferdinian, professor de física do Cursinho da Poli. “A prova cobrou temas que não abordamos muito, um aluno de escola pública, por exemplo, teria grandes dificuldades para responder todas as questões”.

Essa é a mesma opinião do professor de química Márcio Novaes. “A prova tem nota zero no quesito interdisciplinaridade e também trouxe alguns textos desnecessários para uma prova de química. Agora existe uma mania de contextualizar tudo. Algumas vezes isso não é preciso”. Para ele, a prova foi bastante fácil, porque exigiu temas que não exigiam cálculo, mas se encaixam no perfil dos vestibulares anteriores da Unesp.

    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.