Obras para recuperar salas e equipamentos destruídos pela chuva na Universidade de Brasilía levarão pelo menos 4 meses

Professores, servidores e alunos encontraram, no domingo passado, um cenário de destruição na Universidade de Brasília (UnB), no campus da capital. Após uma forte chuva que durou cerca de uma hora, o subsolo do principal prédio da instituição ficou alagado . Salas, equipamentos e móveis, destruídos. As aulas voltaram na quarta-feira, mas a normalidade da instituição está longe de ser conseguida. 

Agência Brasil
Subsolo fica alagado na UnB
Comissões de servidores - e agora de especialistas externos - tentam avaliar o tamanho do prejuízo e as causas que levaram à tanta destruição. O material, mesmo difícil de ser calculado já que os escombros terão de ser comparados às listas patrimoniais de cada departamento, foi estimado em R$ 20 milhões. Só com as obras emergenciais, estima-se gastar R$ 11,5 milhões. O prejuizo intelectual, no entanto, não tem preço. Para o Departamento de Geografia, um dos mais afetados, as perdas são irrecuperáveis.

Toda a história - livros doados por professores que passaram pela instituição, mapas geográficos e imagens de satélite de Brasília antes mesmo de sua construção, monografias e teses de quem se formou - dos 42 anos do departamento se foi com a chuva. Fernando Araújo Sobrinho, chefe do Departamento de Geografia, conta que ficou sabendo da forte chuva que alagou a UnB por uma aluna, ainda no domingo.

"Nossa mapoteca, as primeiras teses defendidas no departamento, quando nem eram digitadas, os livros e revistas doados, tudo se perdeu. Tínhamos até armários especiais para guardar o material mais antigo. É complicado, porque é a perda de conhecimento produzido, de um investimento de décadas", lamenta. Para Sobrinho, o departamento precisará ser "refundado". "Nossa história não existe mais", diz.

Casos como o do departamento de Geografia, que ficou completamente desalojado, fazem o reitor da UnB, José Geraldo de Sousa Júnior, acreditar que a instituição só vai retomar a normalidade de suas atividades em, pelo menos, quatro meses. Além de levantamentos difíceis, áreas administrativas e salas de aulas inteiras terão de ser reconstruídas.

"Vamos trabalhar com um regime de emergência, inclusive para a contratação dos serviços necessários para a reconstrução dos prédios. Temos de traçar ainda alguns planos e projetos e, havendo recursos, não teremos dificuldades em adquirir novos equipamentos para as áreas destruídas", afirma o reitor. Além de parlamentares da cidade, o Ministério da Educação e da Ciência e Tecnologia já se dispuseram a ajudar financeiramente a UnB neste momento. Órgãos do governo local também se comprometeram a avaliar a drenagem pluvial da região.

Salas de aula foram invadidas pela água e equipamentos perdidos
Agência Brasil
Salas de aula foram invadidas pela água e equipamentos perdidos

Filme de terror

Fernando conta que a chegada na instituição, na segunda-feira, era desoladora. O professor sentiu-se em um cenário de filme de terror. "Quando desci no subsolo do prédio, vi livros, computadores, armários moídos, um festival de entulho e coisas quebradas, que não conseguíamos saber a quem pertencia", conta. Segundo Fernando, não sobrou nada do departamento. As listas de presença, os trabalhos dos alunos, material de pesquisa. Tudo foi engolido pela enxurrada. "Houve professores que choraram quando chegaram aqui. Quando vimos a destruição dos outros departamentos também, percebemos que a dimensão era muito maior", diz.

Alguns projetos - até bastante antigos - precisarão ser adiados. É o caso da Rádio UnB. Há mais de 20 anos, professores e alunos sonhavam com a criação da rádio. Finalmente, todos os equipamentos haviam sido comprados e as instalações estavam praticamente prontas. Parte dos equipamentos não se estragou, mas a estrutura terá de ser refeita. "Com a chuva, o nosso maior prejuízo é a parte física. Não há comprometimento no prédio, mas a montagem acústica dos estúdios terá de ser toda refeita", conta Carlos Eduardo Esch, coordenador da rádio.

Nossa mapoteca, as primeiras teses defendidas no departamento, quando nem eram digitadas, os livros e revistas doados, tudo se perdeu"

Segundo Carlos, os funcionários acreditavam, no domingo, que haviam perdido tudo. "Ficamos muito amargurados ao longo da semana, especialmente porque é um projeto pelo qual lutamos há muitos anos", admite. Para ele, no entanto, o mais importante agora é recuperar a universidade.

Desde a segunda-feira, professores e alunos procuram a reitoria querendo ajudar na limpeza de salas e reconstrução dos ambientes. "Todos têm demonstrado muita solidariedade, especialmente com os departamentos mais afetados. Tínhamos concursos públicos em andamento, contas a prestar para fundações de pesquisa. Houve uma descontinuidade muito grande, mas estou otimista. Com a preocupação de todos, acho que conseguiremos mostrar nossa capacidade de reinvenção", analisa Sobrinho.

O reitor também aposta nessa ideia. "Estamos recebendo mensagens de apoio de todo o Brasil. É claro que a gente percebe aquele misto de tristeza e angústia nas pessoas, o medo de que isso ocorra novamente. Mas estamos trabalhando para evitar tudo isso", garante.

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