Um século, múltiplas perspectivas

Há um século os primeiros imigrantes japoneses chegavam ao Brasil. Para resgatar essa longa interação cultural sob o ponto de vista da história, da psicologia e da literatura, um grupo de pesquisadores organizou o livro Cem anos da imigração japonesa: História, memória e arte, lançado na última segunda-feira.

Agência Fapesp |

A obra, que traz em 18 artigos reflexões de pesquisadores e artistas sobre a vivência dos japoneses em território brasileiro, foi organizada por Francisco Hashimoto, professor do Departamento de Psicologia Experimental e do Trabalho da Universidade Estadual Paulista (Unesp) de Assis (SP), Monica Setuyo Okamoto, professora do Departamento de Letras Modernas da mesma instituição, e Janete Leiko Tanno, professora de História da Universidade Estadual de Londrina (UEL), no Paraná.

De acordo com Hashimoto, a idéia central do livro foi abordar o tema sob o ponto de vista de diversas áreas do conhecimento, uma vez que a vivência japonesa se deu em múltiplas dimensões.

Queríamos sintetizar de alguma forma o significado desses 100 anos da presença japonesa no país. Optamos então por dividir a obra em três partes. A primeira reúne trabalhos voltados para a migração propriamente dita. A segunda retrata as memórias do imigrante e a última trata das manifestações artísticas, disse Hashimoto à Agência Fapesp.

A produção do livro demorou um ano. Pesquisamos autores e artistas que trabalham com a temática sob uma perspectiva atual. Depois de muitos contatos, fizemos uma seleção dos artigos. O livro é voltado para o público em geral, mas especialmente aos pesquisadores, pois apresentamos uma extensa bibliografia com abordagens variadas, disse Hashimoto.

Na primeira parte, com enfoque histórico, os artigos contemplam não apenas o movimento de imigração iniciado há 100 anos, mas também o retorno recente dos filhos e netos de imigrantes, conhecidos como dekasseguis.

Tratamos profundamente as dificuldades ligadas à questão da identidade. O dekassegui, influenciado por pais e avós, constrói um imaginário no qual o Japão é seu país de origem. Quando chega ao país para resgatar esse componente identitário, descobre-se um verdadeiro estrangeiro, salientou.

As questões de identidade e cidadania são predominantes nessa parte. Um dos artigos, por exemplo, analisa as formas de sociabilidade de imigrantes e descendentes na sociedade paulista entre 1930 e 1970, explicou o autor.

Além dos trabalhos de historiadores, psicólogos, poetas, literatos e artistas plásticos, a obra inclui narrativas pessoais, que aproximam o leitor da realidade psicológica nipo-brasileira. Um olhar sobre a velhice: Um estudo com os imigrantes japoneses e Diários da viagem de retorno de um imigrante japonês à terra natal são alguns dos artigos da parte dedicada à memória do imigrante.

As manifestações artísticas ligadas à migração foram tão relevantes, segundo Hashimoto, que mereceram compor uma das três partes do livro. Na arte, criou-se algo singular, pois o imigrante trouxe consigo uma cultura que existia no Japão em 1908 e, depois de um século, construiu aqui uma outra manifestação artística muito diferente da que poderia ser desenvolvida no país de origem, disse.

A última parte inclui artigos como A arte dos nipo-brasileiros, História e ficção no romance Sôbô, de Tatsuzô Ishikawa, Entremeado: Literatura jun-nissei no Brasil e Canção da terra natal (Furusato no uta).

Cem anos da imigração japonesa: História, memória e arte
Autores: Francisco Hashimoto, Monica Setuyo Okamoto e Janete Leiko Tanno
Lançamento: 2008
Preço: R$ 45
Número de páginas: 371
Mais informações: www.editoraunesp.com.br

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