Um robô na mão e uma viagem na cabeça

Eles são todos adolescentes. Vivem em um turbilhão de mudanças e emoções. Isso! Emoções! Foi exatamente o que 25 estudantes de uma escola estadual sentiram ao vencer a etapa nacional de um concurso internacional de robótica.

Carla Sasso Laki |

Os estudantes da escola Waldemar Salgado, da cidade de Santa Branca, no Vale do Paraíba, interior do Estado de São Paulo, participam do First Robotic Competition, um campeonato de projetos de robótica, e irão representar o Brasil em Atlanta, nos Estados Unidos, no próximo dia 15, na etapa mundial da competição.

Apesar de terem entrado de cabeça na oportunidade, os alunos não acreditavam que poderiam ganhar um concurso tão disputado, principalmente por não estudarem em uma escola técnica e por competir com escolas de todo o País, inclusive as especializadas.

Equipe de estudantes que desenvolveu o projeto. (Imagem/Divulgação)

A estudante Bruna Carolina de Oliveira Porto, de 17 anos, conta como foi vencer as escolas de todo o Brasil e a expectativa para representar o País lá fora. Estou muito feliz. É tudo muito compensador. Eu acreditava que tínhamos chance, mas não esperava conseguir. É tudo muito maravilhoso.

De acordo com Bruna, dos 25 participantes, 22 chegaram até o final do projeto, por causa da desistência de alguns alunos. Desses, 20 seguirão para a final em Atlanta, acompanhados pela diretora da escola. A aluna conta, que no começo, até pensou em desistir, mas não o fez. Foi bastante puxado, mas vale à pena. Estou muito contente, afirma a estudante.

Assim como Bruna, a maioria dos estudantes nunca viajou para fora do Brasil, o que torna a expectativa muito maior, como conta o aluno Flávio Marques Lucena, de 16 anos. Estou mais ansioso ainda com a viagem, assim como todo mundo. Tudo isso é fruto de nosso trabalho. Nós nos dedicamos muito para isso.

A First, organização não-governamental vinculada à Nasa, promove os campeonatos em todo o mundo com o objetivo de incentivar nos jovens o interesse pela ciência e tecnologia.

Como os alunos entraram nesse concurso?

A iniciativa partiu do engenheiro mecatrônico e ex-aluno do ensino médio do município, Rodrigo Cunha Pires de Albuquerque, de 28 anos, que apresentou a idéia para a diretora do colégio e a convenceu de que podia dar certo.

Robô desenvolvido pela equipe da escola Waldemar Salgado. (Imagem/Divulgação)

Conhecia um pessoal que participava do First e sempre tive vontade de fazer um trabalho voluntário nesse sentido. Acabou que eu me interessei muito pela idéia e resolvi levar para Santa Branca. Mas o que mais me motivou, foi o fato de não ser uma escola técnica, conta Albuquerque.

A diretora da escola Waldemar Salgado, Iraci Siqueira Rodrigues, teve um certo receio no começo, quando o engenheiro apresentou a idéia, pelo fato da escola não oferecer um curso técnico, mas se apaixonou pelo projeto. Ele me deu tantas garantias de que deveríamos tentar, que eu também me encantei com a idéia e logo começamos fazer a seletiva, contou.

Segundo o Flávio, cerca de 85% dos alunos da escola participaram da seleção e apenas 25 foram escolhidos. A seletiva foi feita em várias etapas, com questionários, avaliação com psicólogos e tudo mais. Na última fase, os candidatos tinham que criar uma coisa e tentar vendê-la, como se fosse tudo real, explica Iraci.

Ainda de acordo a diretora, os alunos receberão as orientações necessárias para o desenvolvimento do robô e a sala da informática da escola ficou à disposição dos alunos para eles fazerem o trabalho. Tinha dias que eles ficavam até de madruga montando o robô, conta Iraci.

Como funciona o projeto?

Os participantes receberam no primeiro fim de semana de janeiro o kit para montar o robô. No mesmo período, a Nasa transmite as funções que o robô deve executar e, a partir daí, os concorrentes têm seis semanas para entregar o projeto.

A principal função que o robô tinha que executar era dar a volta em uma pista, carregando uma bola de cinco quilos, com quase um metro de diâmetro, e depois joga-lá por cima de uma trave, segundo o engenheiro mecatrônico.

As tarefas são separadas em duas partes. A primeira é a etapa autônoma, que o robô precisa executar sozinho, e a outra etapa é controlada por um condutor, através de um joystick, explica Albuquerque.

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