Um em cada três cursos avaliados pelo MEC tem má qualidade; veja ranking

Cerca de 30% dos cursos avaliados pelo Ministério da Educação (MEC), em 2008, foram avaliados como de má qualidade, segundo resultado do Exame Nacional de Desempenho de Estudantes (Enade) e do Conceito Preliminar de Curso (CPC) divulgado na quinta-feira pelo Ministério da Educação.

Redação com agências |

No total, 400 mil alunos de 7.329 cursos foram avaliados pelo País. Porém, 2.510 cursos ficaram sem conceito por não atingirem número suficiente de participantes. 

Daqueles que obtiveram nota, 1.566 receberam conceito 1 ou 2 no CPC, em uma escala de 1 a 5. O resultado é considerado insatisfatório pelo MEC e os cursos serão supervisionados por comissões de avaliação. Cursos com conceito máximo, 5, foram apenas 105. Usp e Unicamp não participaram da avaliação.

O CPC é composto pela nota obtida pelo curso no Exame Nacional de Desempenho dos Estudantes (Enade), além de outros fatores que contribuem para a qualidade da formação do aluno, como o corpo docente, a infraestrtura e o projeto pedagógico da instituição.

Os cursos que obtêm nota 1 ou 2, consideradas insatisfatórias, recebem visita de comissões do MEC. Se a segunda avaliação, feita pelas comissões, confirmar um Conceito de Curso (CC) baixo, são aplicadas as medidas cautelares. A punição mais rigorosa irá para os cinco cursos que obtiveram CC 1 após as visitas. Eles serão impedidos de realizar vestibular ou admitir novos estudantes por qualquer forma de ingresso.

Privadas X Públicas

Entre os cursos avaliados em 2008 no Enade, 1.752 obtiveram notas ruins (23,9%). As instituições públicas, mais uma vez, dominam a lista de cursos com os melhores conceitos. São 93 notas 5 contra 12 nas privadas. Mas o percentual de conceitos 1 entre as públicas este ano é maior do que nas particulares. Dos 2.510 cursos públicos avaliados, 34 (1,4%) tiveram a nota mais baixa. Entre as 4.810 privadas, o índice é de 1%.

Mas quando se soma o conceito 2, as particulares passam à frente: 23% delas ficaram nessa faixa; das públicas, são 14,6%.

Por Estado

Em termos percentuais, os Estados com maior quantidade de graduações de baixa qualidade (com CPC 1 e 2) são do Amazonas, Amapá, de Alagoas, Sergipe, Goiás e o Distrito Federal. No DF, os cursos com conceito insatisfatório são 42% da oferta.

Paradoxalmente, o Distrito Federal apresenta o maior percentual de cusos considerados excelentes pelo MEC, com CPC 5: 2,68%. O Rio de Janeiro obteve o maior percentual de cursos com CPC 5 (4,29%), além de Minas Gerais (2,17%), Mato Grosso do Sul (2,17%), Rio Grande do Norte (2,11%) e São Paulo (1,7%). Cerca de 15 Estados não apresentaram cursos avaliados com nota 5.

Cursos avaliados

As áreas avaliadas foram Matemática, Letras, Física, Química, Biologia, Pedagogia, Arquitetura e Urbanismo, História, Geografia, Filosofia, Computação, Ciências Sociais e as Engenharias.

Além disso, participaram da prova os cursos tecnológicos de Análise e Desenvolvimento de Sistemas, Tecnologia em Alimentos, Automação Industrial, Construção e Edifícios, Fabricação Mecânica, Gestão da Produção Industrial, Manutenção Industrial, Processos Químicos, Redes de Computadores e Saneamento Ambiental.

Os cursos foram avaliados por três critérios: nota na prova do Enade, IDD (índice de desempenho que mostra o quanto de conhecimento a instituição agregou ao aluno) e Conceito Preliminar do Curso (CPC), que é composto pela nota do Enade, nota do IDD e a avaliação dos professores e da infra-estrutura da instituição. 

Os estudantes devem avaliar todos os indicadores antes de escolher onde estudar. Devem procurar saber qual é o Enade, o CPC, o CC daquele curso. Eles [indicadores] não são a única forma de avaliar um curso, mas são indicadores interessantes, afirmou o presidente do Instituto de Estudos e Pesquisas Educacionais (Inep), Reynaldo Fernandes.

(*com informações das agências Estado e Brasil)

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