UFSCar suspende aulas do quinto ano de medicina

Acordo entre a universidade e a Santa Casa de São Carlos ainda não foi formalizado para que estudantes prossigam com internato

Gabriela Dobner, iG São Paulo |

A Universidade Federal de São Carlos (UFSCar) suspendeu as aulas do quinto ano do curso de medicina na última sexta-feira. De acordo com a instituição, embora o período de internato dos estudantes tenha começado no dia 8 de março, o termo de cooperação com a Santa Casa não foi formalizado. “O corpo clínico do hospital achou que deveria interromper o processo até a formalização do acordo. Acreditamos que isso será firmado em um prazo de tempo curto”, afirma o vice-reitor Pedro Manoel Galetti Junior.

A partir do quinto ano, os alunos do curso de medicina entram na fase do internato. Ficam em hospitais conveniados com a universidade para aprender na prática a profissão de médico. A graduação em medicina da UFSCar, aberta em 2006, funciona de maneira integrada ao sistema de saúde de São Carlos e é voltada para a formação de médicos para a rede pública municipal.

“O perfil do médico que queremos formar é o que está comprometido com a rede municipal de saúde. Colocar estudantes nesta rede é um desafio complexo por isso a universidade precisa estabelecer parcerias como as que ocorrem com a prefeitura e a Santa Casa”, explica Galetti Junior.

De acordo com o vice-reitor, a suspensão das aulas para todos os alunos – 33 cursam o 5 º ano atualmente e fazem o internato na Santa Casa e no Hospital-Escola – foi uma decisão pedagógica. “Para não haver descompasso das turmas a coordenação resolveu suspender o internato em todos os equipamentos.”

Estudante do 5º ano, Guilherme Calase conta que, nos dois meses de internato na Santa Casa, observou que o hospital não está preparado para funcionar como escola. “No curto período em que estivemos lá não havia atividades desenvolvidas especificamente para os estudantes e a infraestrutura não é adequada para este fim. O curso está muito vulnerável”, lamenta.

Calase lembra que, no ano passado, os estudantes de medicina fizeram uma greve que durou 67 dias. “Queríamos mostrar que o curso estava em uma situação crítica. Desde agosto do ano passado estávamos avisando que teríamos problemas no internato.”

Na pauta de reivindicações dos alunos estavam conclusão do segundo módulo do Hospital-Escola Municipal até abril deste ano, investimentos em pesquisa, recursos humanos e infraestrutura nas instalações do curso.

Quando ingressou na universidade, em 2006, Calase foi atraído por um “projeto inovador e uma aposta de um curso inédito no País”. “Infelizmente para isso é necessário um corpo docente de qualidade e infraestrutura. E neste momento não há nenhum dos dois.”

Galetti Junior explica que, como esta é a primeira turma e é a primeira vez que o curso chega ao 5º ano, “cotidianamente vão surgindo desafios que têm de dar conta de resolver. “O curso de medicina é um projeto pedagógico inovador com o objetivo de formar um médico multiprofissional em que o foco é o paciente. Estamos seguros que teremos consolidados um de medicina do País”, finaliza o vice-reitor. 

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