UFRJ volta a debater adoção de cota racial

Entre os professores, "há um certo incômodo" pelo fato de a mais antiga universidade do País ainda não ter posição sobre tema

AE |

Após quase seis anos sem discutir a adoção do sistema de cotas em seu vestibular, a Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) voltará a debater o tema. Uma proposta encaminhada pelo professor de economia Marcelo Paixão será votada na próxima reunião do Conselho Universitário (Consuni), no dia 27.

A adoção de ações afirmativas no vestibular foi discutida em três comissões internas, antes de chegar à plenária do Consuni, e a aprovação ocorreu por consenso. Propositalmente, Paixão não especificou qual sistema será adotado - há resistência dos professores às cotas para negros, até mesmo do reitor, Aloisio Teixeira.

"Queremos aprovar a adoção de ações afirmativas. Depois disso, teremos de três a quatro meses de discussão para definir o público e o critério - se serão cotas para negros, egressos da escola pública, se o corte será feito de acordo com a renda ou ainda se será adotada uma espécie de bônus."

O professor diz que há "um certo incômodo" entre os professores pelo fato de a mais antiga universidade do País ainda não ter medidas para democratizar o acesso. Em 2004, uma proposta sobre cotas chegou a ser discutida no Consuni, mas o assunto foi encaminhado para instâncias inferiores.

O reitor Aloisio Teixeira defende a "democratização do acesso" à universidade, mas não acredita que isso vá ocorrer com cotas para negros. "No Brasil, só 2% ou 3% dos jovens de 18 a 24 anos têm acesso às instituições públicas. Estabelecer cotas para um universo tão pequeno não modifica a realidade. A luta tem de ser para que a universidade se transforme e absorva uma quantidade cada vez maior de jovens."

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