UFRJ pode decidir sobre sistema de cotas na quinta

Universidade discute a adoção das cotas e pode aplicar o sistema já no vestibular 2011

iG São Paulo |

O Conselho Universitário da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) irá se reunir na próxima quinta-feira (13) e deve decidir sobre a adoção do sistema de cotas no vestibular. A reunião contará com a presença da União Nacional dos Estudantes (UNE) e a União Estadual dos Estudantes (UEE-RJ), responsáveis por formular a proposta em 2000. As duas entidades estarão na universidade para defender a adoção do sistema.

Na última terça-feira, o reitor da UFRJ, Aloísio Teixeira, já havia sinalizado que a universidade chegaria em um posicionamento ainda no mês de maio. Teixeira, que preside o conselho universitário, disse que se a decisão for tomada até o início do mês de julho, a UFRJ poderá aplicar o sistema das cotas já no vestibular de 2011. O reitor garante que não vai interferir na decisão, mas afirmou que é contrário à mudança dos critérios, defendendo que o problema da universidade brasileira não é abrir espaços para minoria, mas abrir espaço para a maioria.

“Hoje, [no Brasil] 13% dos jovens, entre 18 e 24 anos, cursam instituições de ensino superior. Esse número é ridículo. A média da América Latina é de 32%. Estamos abaixo da média da América Latina. Países da Europa e os Estados Unidos [a média] é de 60 a 70% dos jovens. O problema da universidade brasileira é ter capacidade de receber a juventude. A discussão de cotas teve uma importância imensa porque ela recolocou na ordem do dia a questão sobre a redemocratização do acesso. Mas, no caso brasileiro, ela acaba criando uma ilusão que vamos resolver por esse caminho”, disse Aloísio Teixeira.

O reitor defendeu o que define como “uma revolução na educação superior brasileira”. Segundo ele, só depois que as universidades criarem condições para que a maioria dos jovens tenha acesso ao ensino superior é que a discussão de cotas passa a fazer sentido.

“O que eu não gostaria é que o conselho não aprovasse as cotas por uma visão conservadora, de ser contra a democratização de acesso. Não aprovar as cotas implica uma posição ativa da nossa parte para ter propostas de ampliação do número de vagas na universidade e não deixar tudo como está”, alertou Teixeira.

* Com informações da Agência Brasil

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