"Não era para ter havido erro, mas o Enem é um êxito, um passo à frente para democratizar o acesso à educação superior", afirmou

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A Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) não desistirá de usar as notas do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) para preencher 60% das vagas de graduação, afirmou nesta segunda-feira o reitor da instituição, Aloísio Teixeira. Os candidatos que optaram por tentar o ingresso por meio do vestibular fizeram hoje as provas da primeira etapa para concorrer a 40% das 9 mil vagas.

"Não era para ter havido erro, mas o Enem é um êxito, um passo à frente para democratizar o acesso à educação superior", afirmou Teixeira, ao manifestar apoio ao exame. Das vagas destinadas aos candidatos que fizeram o teste, a UFRJ reservou 20% para estudantes de escolas estaduais e municipais do Rio.

Ele defendeu que, no futuro, o ingresso nas instituições de ensino superior seja feito exclusivamente por meio do Enem. "A pior coisa é que no Brasil apenas 13% dos jovens consegue entrar na universidade. Se não democratizarmos os mecanismos que dificultam o acesso - e o vestibular é um deles - não vamos avançar. As universidades federais estão empenhadas e não vamos abrir mão disso", declarou.

Perguntado sobre as manifestações de candidatos que se dizem prejudicados pelas falhas no Enem, o reitor afirmou que se tratam de uma minoria. Ele admitiu que pode haver atraso no início das aulas do próximo ano letivo se a Justiça determinar que todas as provas sejam refeitas, porém disse não acreditar que essa decisão seja tomada. "Estamos no caminho de resolver o problema. A Justiça vai entender que não é preciso anular (a prova)", afirmou.

Das mais de 92 mil pessoas que se inscreveram para o vestibular da UFRJ, cerca de 33 mil faltaram ao primeiro dia de provas. O índice de abstenção, de 36 %, foi dentro da expectativa, segundo o reitor.

Protesto

Estudantes secundaristas aproveitaram o feriado da Proclamação da República e promoveram hoje uma manifestação na região central de Belo Horizonte. De acordo com a Associação Metropolitana dos Estudantes Secundaristas da Grande Belo Horizonte (AMES-BH), organizadora do movimento, a intenção era protestar contra a desorganização no Enem e cobrar a criação de mais vagas nas universidades públicas.

Empunhando faixas e cartazes com frases de protesto, os estudantes usavam narizes de palhaço e vestiam roupas pretas, "em luto pela falência da educação", segundo afirmou Gladson Reis, de 19 anos, presidente AMES-BH. Militantes do PSTU também participaram do ato.

"Na nossa análise, o Enem é apenas o estopim da crise educacional que vivemos", disse Reis, cobrando empenho do Ministério da Educação para a abertura de mais vagas e investimentos no Ensino Superior. "Queremos 10% do PIB (Produto Interno Bruto) para a educação", defendeu. Segundo os organizadores, cerca de 300 estudantes participaram da manifestação, que foi encerrada na Praça da Liberdade, região centro-sul da capital mineira.

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