Antes do início da prova, maior parte dos estudantes se dizia ansioso com o novo modelo de vestibular com alternativas e redações

O vestibular para a Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) começou às 13h deste domingo. Na PUC-SP, onde mais de 2 mil candidatos a uma vaga da instituição no interior paulista fizeram a prova, muitos  candidatos estavam ansiosos com o novo modelo do teste. Neste ano, a Unicamp trocou as 12 perguntas com respostas dissertativas por 48 questões de múltipla escolha e mais três redações. A maioria acha que as três redações tornará o processo seletivo ainda mais complicado e é a favor das perguntas objetivas.

IG FARÁ CORREÇÃO ONLINE LOGO APÓS FIM DA PROVA

Bruna Deodato, de 18 anos, que tenta uma vaga de história, acha que será necessário mais tempo para fazer três redações. "É mais complicado, porque você capricha em um texto e no segundo já não vai tão bem", comenta. Já a mudança de questões dissertativas para objetivas foi bem vista: "Ajuda porque excluímos o que está muito errado e as chances aumentam".

Carolina Loureiro, também 18, que presta vestibular para odontologia, diz que as redações a "apavoram". "Uma já acho difícil, com três estou apavorada", afirma. No entanto, ela gostou das mudanças no modelo por conta das alternativas.

Mais exigente

O candidato a uma vaga de ciência da computação, Douglas Ferreira de Souza, de 17 anos, acha que a Unicamp é mais exigente em seus vestibulares. Ele é a favor das três redações e diz que gostava mais, inclusive, do modelo dissertativo. "Não gosto de múltipla escolha porque exige mais decoreba."

Com o pé torcido em um jogo de handebol, a estudante Erica Letícia Garcia, 17 anos, que tentará uma vaga de medicina, acha que a prova com três redações é mais puxada, mas isso é bom. "Na escola a gente faz muito treino dos gêneros textuais que eles devem pedir e acho que quem lê está bem informado e pode falar de muitos temas. Espero que as redações já na primeira fase me ajudem a ir melhor e aumentar minhas chances."

Veterana no vestibular da Unicamp, Nathalia Machado, de 17 anos, aposta em uma prova mais fácil neste ano. “Achei melhor porque antes a primeira e a segunda fase tinham respostas dissertativas. Agora é só na segunda. Mesmo assim, fica puxado fazer três redações em um dia”, avalia a candidata à engenharia química. Carolina Shima, de 16 anos, também aposta em uma prova mais fácil. “A redação é mais ampla do que as dos outros vestibulares. Pede gêneros diferentes, acho isso bom”, resume.

Maratona

Em novembro, os estudantes enfrentam uma maratona de vestibulares. A agenda começou com o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) no primeiro fim de semana, dias 6 e 7 de novembro. Em São Paulo, três grandes públicas aplicam vestibulares em neste mês, a Universidade Estadual Paulista (Unesp), que realizou provas no último dia 14, a Unicamp, e a Universidade de São Paulo (USP), que seleciona alunos pela prova da Fuvest (próximo dia 28). Angélica Dias, de 18 anos, quer estudar medicina e fará todos esses processos seletivos além da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e da PUC-SP.

“Ao todo, contando com o Enem, estou tentando entrar em oito faculdades. Tenho prova todos os domingos até janeiro”, conta a estudante. Os estudos não param entre um processo seletivo e outro. De segunda à sexta,

Companheiros da maratona de vestibular na porta da PUC-SP onde prestaram o vestibular para a Unicamp
Marina Morena Costa/iG
Companheiros da maratona de vestibular na porta da PUC-SP onde prestaram o vestibular para a Unicamp
Angélica revisa as matérias e só descansa no sábado.

O colega Renan Medina, 17 anos, está em dúvida em Relações Internacionais e Gestão de Políticas Públicas, mas também enfrenta uma maratona de vestibulares: Enem, Unesp, Unicamp, Fuvest e Fatec. “Descanso depois da prova e faço academia durante a semana para relaxar um pouco. É bem puxado”, relata.

Sufoco

Com as mãos tremendo, Elza Sacramento, mãe de uma candidata à medicina, relata a correria que enfrentou para chegar à PUC-SP, local onde sua filha faz a prova da Unicamp. As duas foram surpreendidas ao encontrar a Avenida Sumaré, principal via de acesso ao bairro, bloqueada para um evento esportivo. “Viemos do Morumbi seguindo o GPS e ele mandava pegar a Sumaré. Deixamos o carro em uma rua e terminamos o percurso a pé”, conta.

Para chegar a tempo, as duas pegaram carona com um desconhecido na rua. “Minha filha ficou muito nervosa. Chegou a pensar em desistir, mas eu insisti dizendo que a gente ia conseguir”, diz Elza, ainda recuperando o fôlego.

Reitoria desocupada

A reitoria da PUC-SP, que foi ocupada por estudantes na última quinta-feira , foi liberada. Segundo a segurança da instituição, os estudantes deixaram o local na sexta-feira. No mesmo dia, o reitor da universidade publicou uma carta alertando para os problemas que os alunos poderiam causar e classificando de “ilógica” a principal reivindicação do movimento, a redução das mensalidades.

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