Todo mundo pode ser um autodidata

Ao contrário do que muitos ainda pensam, o autodidata nada tem a ver com uma pessoa superdotada. Ao invés de ter um Q.I elevado, ele possui uma curiosidade insaciável sobre um assunto de seu interesse. São pesquisadores ativos e tem como fonte para suas pesquisas as diversas bibliotecas.

Paula Menezes |

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Mas, além de pesquisas bibliográficas, as leituras de sites, revistas, artigos científicos e a troca de informações com especialistas da área de interesse também compõe seus estudos. Verdadeiros autônomos do conhecimento.

Porém, para a professora de psicologia da educação da Faculdade de Educação da Universidade de São Paulo (USP), Silvia M. Gasparian Colello, atualmente vive-se um período de inversão de valores onde a aquisição do diploma se tornou mais importante do que o conhecimento em si. Para ela, os autodidatas de hoje estão tendo que levar seus estudos em paralelo ao ensino regular em uma universidade, para garantir sua inserção no mercado de trabalho.

Personalidades marcantes como Bill Gates (fundador da Microsoft), Charles Dickens (romancista), Jimi Hendrix (guitarrista, cantor, compositor e produtor), José Saramago (escritor), Henry Ford (fundador da Ford), Machado de Assis (escritor) e muitos outros são exemplos de autodidatas bem sucedidos.

Todos podem ser autodidatas?

Silvia comenta que potencialmente sim, mas é necessário um estímulo para isso. É preciso passar por experiências que nos ensinem aprender a aprender e a desejar este conhecimento. A professora acredita também que o motivo para não se ver maior número de autodidatas atualmente se deve ao desestímulo passado pelas escolas. Muitas vezes a escola esta mais preocupada em ensinar coisas do que ensinar a aprender, ensinar o aluno a buscar o conhecimento e manter acesa essa chama do interesse.

Já o autodidata em Egiptologia e Artes Plásticas Wallace Gomes acredita que não existem fórmulas para se tornar um autodidata. Para ele, as principais características são o dom e a dedicação. Se a pessoa não tiver um dom sobre determinada coisa, como artes plásticas, ela não vai ter paciência e perseverança para vencer os obstáculos, e que não são poucos. Gomes conta que sempre se interessou por assuntos relacionados ao Egito e, aos 7 anos, ganhou de sua mãe o livro Histórias do Mundo, de Monteiro Lobato, onde leu o capítulo sobre o Egito e nunca mais parou.

Ao contrário dos atuais autodidatas, Gomes decidiu seguir seus estudos por conta própria quando cursava a sétima série. Os professores tinham livros didáticos com informações ultrapassadas sobre o Egito e, como eu estava adiante nessa questão, por ler livros importados com informações atualizadas, acabava por entrar em atrito com eles.

O autodidata conta que o atrito ocorria porque ele se recusava a escrever uma resposta errônea nas provas. No caso, respostas diferentes das que estavam nos livros didáticos. Como os professores não aceitavam, resolvi largar a escola, completa. Gomes enfrentou barreiras por tal decisão, mas hoje é um profissional reconhecido por seu conhecimento e trabalhos realizados.

Apesar das duras críticas ao sistema de ensino, Silvia adverte que não é a favor de que as pessoas deixem de estudar e fazer uma faculdade, mas analisa que a escola perde ao separar o ensino da motivação do aprendizado.

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