Não há dúvidas sobre a importância de se escolher bem um curso para seguir como profissão. Algumas pessoas acreditam que, ao sair do colégio, o adolescente ainda é um pouco imaturo para definir que carreira trilhar, supostamente, para o resto de sua vida.

Para auxiliar o jovem neste momento tão importante de sua vida há diversas maneiras, uma delas é a aplicação de um teste vocacional, que pode auxiliar o aluno a descobrir para quais áreas possui mais aptidão.

Segundo Teresa Andion, pedagoga e psicopedagoga que atua na diretoria executiva da Associação Brasileira de Psicopedagogia (ABPp), o momento da escolha é delicado e difícil, pois é a primeira grande decisão da vida do indivíduo. Para a profissional, trata-se de um confronto com uma questão existencial em que a pessoa deve conciliar sua realidade interna (seus desejos, medos, anseios, fantasias, possibilidades, entre outras coisas) e a realidade externa (expectativas da família e do meio, o mercado de trabalho, colocação social, cursos e escolas, recursos econômicos, entre outros).

Lidar com essas duas realidades requer um grande exercício, requer buscarmos uma conciliação, um equilíbrio entre as duas polaridades da personalidade do sujeito. Muitas vezes procuro utilizar a ajuda de instrumentos psicopedagógicos, arteterapêuticos, didáticos, e até testes vocacionais para o atendimento dessa demanda, explica a psicopedagoga.

Se o aluno encontra-se realmente perdido em meio a tantas opções de cursos e também no que diz respeito às suas aptidões, fazer um teste vocacional pode ser um começo, mas não é o único meio. Dicas como conversar com a família, com amigos, professores, pesquisar informações sobre a profissão desejada (se já houver uma), assistir palestras, vídeos, entre outros, também pode ajudar. Mas é importante saber quais os melhores testes, como e onde fazê-los.

É preciso ter cautela em relação aos testes encontrados, por exemplo, na internet. De acordo com o consultor e publicitário Carlos Martins - que desenvolveu um teste vocacional em seu site -, esse é um território de acesso fácil e livre e a maioria dos testes encontrados na rede devem ser encarados apenas como estímulo ao autoconhecimento e não como algo conclusivo. Nesse sentido, recomendo que a pessoa procure ajuda de um bom profissional de psicologia ou um bom educador a fim de aprofundar essa questão, explica.

A mesma opinião é compartilhada por Teresa Andion, que alerta ainda que os testes vocacionais não são indispensáveis e que possui vantagens e desvantagens: a vantagem está no sentido do teste proporcionar diálogo e conhecimento maior de questões internas do indivíduo. A desvantagem é não conseguir um bom desenvolvimento do diálogo entre paciente e profissional, gerando um bloqueio interno no sujeito de forma que não permita a obtenção de um resultado satisfatório, comenta.

Por outro lado, Carlos Martins só encontra benefícios para aqueles que utilizam esse tipo de recurso para auxiliar na definição da carreira. O consultor acredita que o teste vocacional é uma boa oportunidade para o aluno fazer uma reflexão a respeito de qual curso deve seguir. É importante salientar que além do teste é necessário pesquisar o mercado de trabalho, as características das profissões de interesse do aluno, onde existe oportunidade, qual a formação necessária, qual o grau de dificuldade para se obter sucesso naquela área, qual a remuneração, entre outros fatores. Ou seja, com ajuda do teste vocacional e das características do mercado de trabalho o candidato aumentará suas chances de sucesso no futuro, e completa, o teste é importante até para quem já escolheu a carreira, pois as profissões, as pessoas, o mercado e o mundo estão em constante modificação. Por isso é preciso avaliar e reavaliar constantemente os melhores caminhos a seguir. Pode ser que a carreira escolhida há dez anos não esteja sendo bem remunerada, ou que a pessoa não tenha mais toda aquela empolgação. O teste é uma oportunidade para refletir essas mudanças.

Como funciona o teste vocacional

Carlos Martins explica que o teste funciona como um espelho, onde a pessoa reflete muitas coisas sobre si mesma. E a psicopedagoga, Teresa Andion, completa: o teste vocacional permite obter uma visão geral para a carreira que o sujeito se dispõe a seguir devido às características de sua personalidade.

As questões estão relacionadas com diferentes situações que agradam ou não aquele que realiza a prova. As perguntas podem ser as mesmas para diferentes grupos, o que importa é como a questão é percebida por cada um. Uma determinada questão pode ser mais importante para uma pessoa e isso poderá determinar um leque de opções, enquanto para outra pessoa aquela questão pode representar pouca coisa. Aprofundar essas questões e refletir sobre isso é uma tarefa que fica após o teste, diz Martins. A recomendação do profissional é que o exame seja feito mais de uma vez, possibilitando assim uma comparação entre os resultados. O humor, a calma, as preocupações, tudo influencia a maneira como você encara cada uma das questões, diz.

O consultor acrescenta ainda que, além do resultado, é importante entender que o sucesso não depende apenas da vocação. Segundo ele, existem quatro fatores determinantes: habilidade, talento, competência e características pessoais.

A habilidade é a capacidade técnica para se realizar uma determinada tarefa como, por exemplo, a capacidade de dirigir um automóvel ou usar um computador. A maioria das profissões podem ser realizadas graças às habilidades, que soma conhecimento e experiência.

O talento pode ser associado à vocação, pois nasce com cada um e pode facilitar o desempenho tanto no aprendizado quanto na execução das habilidades. Por exemplo, talento para negociar ou talento para comunicar.

A competência é a soma de talento com habilidade. Neste caso, podemos citar um piloto de carros de corridas, que é uma pessoa que soma a habilidade de dirigir automóveis com o talento de disputar competições. Quanto mais habilidade e talento juntos, maior a chance de sucesso.

Por fim, é preciso considerar as características pessoais, que é o conjunto de valores, crenças, características físicas e influências do meio ambiente de cada um. Ou seja, o talento ou a vocação sozinha não é capaz de realizar nada sem que exista a motivação, a força de vontade. Em muitos casos, pessoas com menos talento conseguem superar outras mais talentosas por causa da determinação em alcançar um objetivo, finaliza Martins.

Para não se enganar

Os dois profissionais entrevistados pelo iG Educação deram dicas de duas metodologias confiáveis no que se refere a testes vocacionais. No site do consultor Carlos Martins, como citamos, há um teste que foi adaptado de um princípio indicado pelo psicólogo e educador americano John Holland, que tem como base a ideia de que ninguém está determinado a seguir uma única profissão. Além da ajuda do teste, cabe ao jovem pesquisar sobre cada uma dessas áreas e refletir sobre o que mais lhe interessa.

A psicopedagoga Teresa Andion traz como nome de referência o teórico Rodolfo Bohoslavsky, que parte da ideia de que a escolha profissional poderá ser auxiliada se o jovem conseguir assumir a situação que enfrenta e, ao compreendê-la, chegar a uma decisão pessoal e responsável.

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