Teletransporte: ficção ou ciência?

No próximo ano, o Brasil dará início as suas primeiras pesquisas sobre o tema. Descubra se o teletransporte existe e como poderia revolucionar a tecnologia.

Isis Nóbile Diniz |

Qualquer lugar é possível, diz o letreiro. Ele consegue viajar para o Egito, França, Estados Unidos e Itália em fração de segundos. Como nos filmes Guerra nas Estrelas e A Mosca, o longa metragem Jumper explora um braço da física: o teletransporte. Ou, o mais fantástico, prático e rápido meio de transporte que poderia existir. Mas, será que isso não passa de ficção científica?

Atualmente, pesquisadores espanhóis trabalham em um projeto sobre teletransporte quântico da Agência Espacial Européia (ESA). Eles querem criar uma espécie de transceptor, provavelmente que estará pronto em 2010, para teletransportar partículas entre uma distância de 1.400 quilômetros. Se o resultado for positivo, pretendem instalar um protótipo semelhante na Estação Espacial Internacional (ISS).

O teletransporte existe, é realidade

Cientistas já conseguiram teletransportar partículas, mas à distância bem menor, de centenas de metros. Paulo Nussenzveig, pesquisador do Instituto de Física da Universidade de São Paulo (USP), conta que, no final de 1997, por exemplo, o grupo liderado pelo pesquisador Anton Zeilinger, da Universidade de Innsbruck, na Áustria teletransportou um fóton ¿ uma energia luminosa. Em 2004, eles conseguiram realizar um teletransporte de uma margem a outra do rio Danúbio, que corta países como a Áustria e a Hungria, a uma distância de 600 m.

A série "Jornada nas Estrelas", Star Trek, exibida de 1966 a 1969, já mostrava o teletransporte (Imagem/Reprodução)

Para realizar o teletransporte, o recurso utilizado pelos pesquisadores da área chama-se emaranhamento. Trata-se de um tipo de correlação quântica que não encontramos no mundo do nosso dia-a-dia. Nesse experimento, o estado quântico do fóton teletransportado ¿ todas as características dele - foi passado para outro fóton que acabou se tornando o primeiro.  A maneira que os cientistas criaram para mandar fótons para outro lugar.

Explicando. O teletransporte original utilizava três fótons. Dois eram emaranhados, de forma que as propriedades de um estavam impressas no outro.  Compara-se um deles com o fóton que se deseja teletransportar.  Usando o emaranhamento, o resultado dessa comparação permite agir sobre o terceiro fóton para reproduzir nele as características do primeiro. Aliás, de acordo com Nussenzveig, a maior dificuldade de colocar o teletransporte em prática é, justamente, gerar e preservar essa ação necessária para a experiência.

Experiências brasileiras serão feitas no ano que vem

No Brasil, até hoje não foi feito nenhum experimento com teletransporte. Mas essa realidade está prestes a mudar. O pesquisador Nussenzveig pretende, junto com seu grupo de estudos, teletransportar estados da luz de uma freqüência ¿ ou cor - para outra. O que permitirá 'mudar a cor' da informação, diz. Ele espera fazer o experimento no ano que vem. A vantagem desse teletransporte multicor seria permitir a troca de informação entre sistemas quânticos - hardware - que interagem com a luz em diferentes freqüências, diz.

Mas, quando nós, seres humanos, iremos nos teletransportar como o mocinho do filme? Não tão cedo. Devido ao processo e ao número de partículas do qual um ser humano é feito, ser teletransportado ainda é uma realidade do cinema. O ser humano não é definido por um estado quântico como o fóton, diz Nussenzveig. Quanto maior a complexidade do estado, mais difícil é preservar as características quânticas e, também, quanto maior o sistema físico, mais ele se correlaciona com o ambiente a sua volta, completa.

Isso não quer dizer que, obrigatoriamente, será impossível realizar teletransporte de seres vivos, mas, atualmente, as perspectivas não são muito animadoras, afirma. De qualquer maneira, a importância das pesquisas prevalece. Afinal, a principal finalidade do teletransporte é transferir informação quântica de uma localidade para outra, tendo em vista diversos propósitos. Graças a essas pesquisas, em um futuro talvez próximo, será possível criar uma nova internet, nova criptografia ¿ sinais de dados ¿ e novas redes de computadores... Todos quânticos e sem fio! Os aficionados por tecnologia que se preparem.

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