Sonda confirma: Lua é um dos lugares mais frios do Sistema Solar

Normalmente, as pessoas pensam que quanto mais perto do Sol está um objeto, mais quente ele é, mas nem sempre isso é verdade. Utilizando dados registrados pela sonda lunar LRO, cientistas da Nasa confirmaram que apesar de estar mais perto do Sol, nossa lua registra temperaturas tão baixas quanto Plutão ou qualquer outro objeto do Sistema Solar.

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Os dados que permitiram a estranha constatação foram coletados pelo instrumento Diviner, um radiômetro que opera no espectro infravermelho e que está mapeando a temperatura da superfície da Lua a apenas 50 quilômetros de altitude. De acordo com os dados coletados, a temperatura no interior de algumas crateras é de menos de 203 graus Celsius negativos, mas segundo os cientistas esse valor pode ser ainda menor.

Apesar de parecer estranho, os dados registrados não surpreenderam os pesquisadores da Universidade da Califórnia, que estudam os dados captados pelo instrumento Diviner. "As temperaturas medidas conferem com o que conhecemos sobre o Sistema Solar. As crateras do polo sul da Lua estão há bilhões de anos mergulhadas na escuridão, sem nunca terem recebido a luz solar, portanto o aquecimento é praticamente nulo", disse o professor de ciências planetárias David Paige.

No entender de Alan Boss, astrofísico junto à Instituição Carnegie em Washington, no Sistema Solar não importa a distância que um objeto esteja do Sol, mas a existência de crateras que nunca recebem a luz da estrela. "Mercúrio está muito mais perto do Sol que a Lua, mas suas crateras polares provavelmente são tão frias quanto o distante planeta-anão Plutão, simplesmente por estarem mergulhadas na escuridão".

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Frio e Água

Temperaturas extremamente baixas aliadas a traços de hidrogênio, detectado através de sondagens feitas por radar, fizeram os cientistas especularem sobre a possibilidade de existir água congelada nas profundezas das crateras. Para tentar resolver esse enigma, a agência espacial americana fará uma sondagem direta no polo sul da Lua e para isso chocará propositalmente duas sondas de impacto em uma das crateras escuras.

O impacto acontecerá no próximo dia 9 de outubro, quando o segundo estágio de um foguete Atlas 5 penetrará o interior da cratera Cabeus A. O choque, equivalente a 1 tonelada de TNT, erguerá do fundo da cratera uma pluma de detritos a mais de seis mil metros de altura que será analisada pela sonda Lcross, que entrará na nuvem de detritos e também se chocará contra a superfície.

O objetivo do impacto é expor o material ejetado à ação da luz. Caso haja água congelada no interior da cratera, ela será quebrada em hidrogênio e hidróxido pela ação dos raios ultravioleta, que serão detectados pelos instrumentos a bordo da sonda. O impacto está previsto para acontecer às 08h30 da manha do dia 9 de outubro e será transmitido ao vivo pelo Apolochannel, que retransmite a Nasa-TV.

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Ilustrações: No topo, primeiro mapa térmico diurno da Lua. Os dados foram registrados pelo instrumento Diviner enquanto a sonda orbitava nosso satélite entre agosto e a primeira metade de setembro de 2009. Acima, parte do mapeamento mostra o polo norte da Lua a partir de 80 graus de latitude, como registrado entre julho e agosto de 2009. Os números refletem as observações coletadas pelo canal 8 do instrumento Diviner e mostram as baixas temperaturas no interior das crateras permanentemente encobertas pela sombra. Crédito: NASA/GSFC/UCLA


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